Mafia: Definitive Edition – Review

Mafia é um dos jogos mais queridos da época do PlayStation 2, e com esta Definitive Edition, agora ele marca sua volta. Depois de conseguir uma derrapada com o lançamento de Mafia 3 – que na minha opinião nem é um jogo ruim, só mal executado, a 2K resolveu voltar as origens e jogar em casa, apostando no remake do primeiro jogo, que é de longe o mais clássico e memorável dos três.

O primeiro Mafia foi lançado em 2002, e arrancou suspiros da crítica e do público por basicamente, oferecer uma experiência tão grandiosa quanto o poderoso GTA 3, ao mesmo tempo em que contava uma história digna dos melhores filmes de Hollywood.

A primeira vez que joguei Mafia pode ser definida como impressionante. Na época, eu, um jovem pré-adolescente, fiquei abismado com o visual preciso do jogo, e com a qualidade do gameplay. Era como estar em um filme de gangsters, e eu mal sabia o que era isso naquela época.

Na verdade, foi graças à Mafia que eu resolvi assistir filmes do gênero como “O Poderoso Chefão”, “Os Bons Companheiros” e até “Sopranos”, que na época passava bem tarde nos finais de semana do SBT. No fim das contas, Mafia me influenciou mais do que eu gostaria de admitir.

Por isso, me é muito bem vida a ideia de revisitar um velho e tão querido amigo, depois de tanto tempo. Mas será que ele se tornou melhor com o passar do tempo, ou teria sido mais apropriado deixa-lo na lembrança?

Não há como negar que, num primeiro momento, o que mais chama atenção é a completa repaginada visual que Tommy Angelo e Lost Heaven receberam, o que por si só já é um baita motivo para experimentar o jogo.

Confesso que pessoalmente este era um dos fatores que mais me preocupava desde que o remake foi anunciado. O fato é que a qualidade gráfica de Mafia original talvez não tenha envelhecido tão bem, mas ainda assim não há como negar que o jogo contava com uma atmosfera diferenciada e única, capaz de te fazer sentir como se estivesse acompanhando um filme produzido no anos 60, mas que contava uma história que se passava nos anos 30.

Em Mafia: Definitive Edition, parte desta atmosfera parece ter se desbotado. Ela ainda está lá, mas menos intensa do que antigamente.

Também não é difícil perceber como Mafia: Definitive Edition foi recriado com base na engine de Mafia 3. Então você já pode imaginar como isso afetou o resultado final, tanto positiva quanto negativamente.

Mas deixando de lado os aspectos visuais e tratando do enredo em si, podemos resumir Mafia: Definitive Edition como, literalmente, “maior e melhor”.

Você vai perceber que aquilo que mais gostava no jogo original ainda está lá. E de quebra, para tornar o game mais atrativo para as novas gerações, novas mecânicas foram adicionadas.

Isso significa que as missões continuam tão desafiadoras quanto no jogo original, mas com a vantagem de que a jogabilidade foi amplamente melhorada, tornando os controles do jogos num verdadeiro deleite – exceto na corrida, essa continua sendo um parto.

Chega de se esconder atrás de pilastras e torcer para que a Tommy Gun inimiga não lhe acerte. O sistema de cover é simples, porém funciona, e faz muita diferença.

Também acho válido mencionar a saída encontrada pelos desenvolvedores para adaptar perseguições policiais, à uma época em que os carros não tinham metade da potência de hoje em dia. A saída foi bastante engenhosa: basta que você procure por pontos específicos no mapa que lhe permitirão fazer uso das habilidades de Tommy, para deixar a polícia comendo poeira. Novamente: simples, porém funciona.

O mapa de Lost Heaven também não parece ter sofrido grandes alterações na sua estrutura, mas a repaginada faz com que ele pareça totalmente novo e interessante. É como revisitar uma cidade que você frequentava bastante quando criança, depois de adulto. Novos detalhes vão surgindo ao mesmo tempo que o sentimento de “ei, eu conheço essa rua” permanece.

Talvez a decisão mais “esquisita” de Mafia: Definitive Edition, foi ter separado história e exploração em dois modos de jogo diferentes. Caso você decida seguir os capítulo do game, verá que eles acontecem em sequência, não dando a oportunidade para o jogador explorar a cidade ou andar livremente por ai entre uma missão e outra.

Para isso, você precisa sair do modo história, voltar ao menu e acessar o modo de exploração. Ali, sem nenhuma missão ou direção, o game tenta te convencer a explorar o mapa e descobrir “novos segredos” espalhados pela cidade. Mas pelo menos para mim, o fato de ser algo separado tornou a exploração algo menos apelativa.

Pode parecer bobagem, mas não faz muito sentido na minha cabeça ter que voltar ao menu para trocar o modo de jogo, ainda mais quando estamos falando de um game de mundo aberto. Sinceramente, se me fosse dada a oportunidade de simplesmente seguir com o sistema de missões como os clássicos GTA’s da vida, eu teria ficado muito mais satisfeito.

Ademais, Mafia: Definitive Edition é uma bela homenagem a um dos games mais magníficos que já foram lançados. Uma remasterização primoroza, que soube respeitar o que a obra original tinha de melhor, e adaptar o que era necessário a realidade e tecnologias atuais.

Pode ser que você, nobre amigo leitor, que jamais tenha jogado Mafia na sua vida, não encontre nada demais ao experimentar Mafia: Definitive Edition. Talvez algumas missões pareçam desnecessariamente complicadas e o mapa mais modesto não lhe chame tanta atenção. Mas persista, amigo! Experimente a história, aproveite as trocas de tiro, sente-se no sofá e presencie um dos melhores enredos de gangsters já criados, agora remasterizado, com som e visual de última geração. Já para quem conhece Mafia de longa data, vai por mim, vale o reencontro.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PC fornecida pela publisher.

Resumo para os preguiçosos

Mafia: Definitive Edition pega tudo que o game original tem de melhor, empacota junto com novas mecânicas de gameplay, visuais e sons aprimorados e personagens remodelados no intuito de trazer uma das melhores histórias já mostradas nos vídeo-games, de uma maneira totalmente nova e atraente. E consegue! O resultado final realmente agrada aos olhos, apesar de algumas escolhas duvidosas da desenvolvedora.

Nota final

80
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Prós

  • Remasterização primorosa de gráficos, redublagem e total recriação do mapa.
  • Atualização das mecânicas do jogo, adaptando os controles de personagem e de veículos às gerações mais atuais.
  • Adaptação fiel das missões e enredo originais.

Contras

  • Modo exploração separado do modo história
João Víctor Sartor

João Víctor Balestrin Sartor é colaborador e sex-symbol do Critical Hits. Admirador das boas histórias, almeja de verdade escrever um livro algum dia. Divide seu tempo entre à leitura, jogatina, trabalho, engenharia e quando sobra tempo, vive.

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