Ano após ano, em determinado período, somos bombardeados com as versões anuais dos jogos de esporte. Futebol, NBA, Futebol Americano, Basebol, F-1… e cada vez mais surge o questionamento se essa nova versão dos games lançados a cada ano é de fato necessária. Com Madden NLF 20, o questionamento é bastante válido.

Nos parágrafos a seguir, a análise vai focar mais em traçar esse paralelo com a versão anterior e também com outros jogos de esporte e quais foram as evoluções que Madden 20 trouxe para os fãs do Futebol Americano, afinal, apenas atualizar os ratings dos jogadores, as transferências e trazer algumas melhorias de jogabilidade não é o suficiente para justificar um novo lançamento a cada ano, algo que é muito criticado por exemplo com relação à franquia FIFA. E acredite: Madden é tão popular nos EUA quanto FIFA é aqui no Brasil.

Touchdown!

Se há um aspecto que Madden 20 realmente vale a pena em relação ao seu antecessor é pela presença de alguns novos modos de jogo.

Um dos destaques fica para para o modo Face of the Franchise, onde o jogador cria seu próprio avatar e passa a viver a vida de um Quarterback novato, seguindo seus passos desde os tempos de faculdade, passando por draft, chegada em um time competitivo e a busca pelo playoffs, título de sua divisão e claro, o Super Bowl.

Em termos comparativos, ele é parecido com o modo A Jornada, de Fifa, mas totalmente adaptado para a realidade do Futebol Americano. Havia nos Madden anteriores, um modo semelhante a este, o Longshot. A grande diferença fica pelo fato de em Face of the Franchise o jogador poder criar o seu próprio personagem, e não ser obrigado a controlar Devin Wade. A grande sacada que dá a Face of the Franchise um fôlego a mais é a possibilidade de você ser draftado por diferentes times. Não há um scrip tão definido como em Longshot, o que pode fazer com que o jogador queira terminar o modo diversas vezes, já que suas escolhas são de fato importantes e impactam no percurso do modo.

Outro ponto forte de Madden 20 é a volta do Futebol Universitário, o College Football. Apesar disso, o modo é um pouco raso e te leva somente até o fim do College, não sendo possível prosseguir nele após a chegada no draft. Uma pena, pois isso daria uma profundidade e uma longevidade ainda maiores ao modo, especialmente se pudéssemos viver a jornada inteira, desde o College até a aposentadoria, ou até um título do Super Bowl.

Claro que como todo bom jogo de esporte da EA, há o modo Ultimate Team, aqui chamado de MUT (Madden Ultimate Team). Ele apresenta algumas evoluções em relação às versões anteriores, e a grande novidade é o Mission, onde o jogador tem de passar por desafios e recebe cartas e pacotes especiais ao cumprí-los. Assim como no FIFA, em Madden é possível montar grandes constelações dentro do modo Ultimate Team, mas não se engane, o desafio para juntar moedas e comprar os jogadores ou os pacotes é bastante intenso e cartas como a de Tom Brady, Drew Brees e Patrick Mahomes costumam custar algumas dezenas e até centenas de milhares de moedas.

Outro ponto de evolução foi a física dos jogadores e os movimentos executados pelos atletas. Com um novo recurso técnico chamado Real Player Motion, Madden 20 ganhou uma quantidade razoável de novas animações e melhoras em quase todos os outros já existentes.

Punt

Mas as inovações e melhorias param por aí. Os demais modos são mais do mesmo. Não há novidades significantes no modo Franchise, similar ao modo carreira de FIFA, mas com a diferença de ao invés de assumir como técnico de algum time, o jogador se une ao grupo de donos de franquia da NFL para controlar todas as operações do seu time preferido.

Nos demais modos, há o mais do mesmo padrão: jogar partidas amistosas com amigos, contra a IA, ou ainda online. A conectividade das partidas online de uma forma geral foi bastante satisfatória e não houve grandes problemas com slowdowns, quedas de framerate e afins.

Uma novidade interessante na jogabilidade mas que precisa de melhorias é o Superstar e o X-Factor. Eles são recursos que consistem em habilidades passivas ou ativas que dão às principais estrelas da NFL a capacidade de fazer jogadas incríveis. Esse recurso está ao lado de craques como Brady, Brees, Mahomes, Edelman, Beckham Jr., entre outras estrelas consagradas da NFL, totalizando 50 jogadores com estes recursos. O X-Factor são habilidades e movimentos que são desbloqueados durante o jogo de acordo com o que cada jogador consegue cumprir dentro da partida.

Ambos os recursos citados acima, trazem aquela sensação de que de fato uma superestrela pode ganhar, mas a forma como essas habilidades são apresentadas ao jogador ainda é um pouco confusa e carece de melhorias na sua utilização para torná-las de fato um recurso válido durante as partidas.

Outra melhoria que não foi tão bem explorada é a maior variedades de jogadas no playbook de cada Quarterback. Embora necessário, para fugir do padrão e principalmente para dar uma maior gama de jogadas, sua utilização ainda é um pouco confusa, principalmente para novatos na franquia.

Fumble!

Se por um lado temos novidades interessantes tanto em modos de jogo quando em melhorias nas mecânicas e sistemas já existentes, o grande passe incompleto de Madden 20 é, mais uma vez, a localização para nosso idioma.

Não há qualquer tipo de suporte ao português, seja ele de Portugal ou do Brasil. Menus, legendas e narração passaram longe dos olhos da EA, o que é uma pena. Com o Futebol Americano ganhando cada vez mais entusiastas no nosso país, o interesse pelos jogos do gênero também vem aumentando ano após ano, mas parece que EA não consegue entender isso e deixa de ganhar ainda mais adeptos ao Madden por conta dessa ausência lastimável.

O fato de não termos sequer menus no nosso idioma, dificulta bastante a compreensão das complicadas mecânicas do Futebol Americano principalmente pelos iniciantes. Com uma imensa gama de modos de jogo, e principalmente opções de variações táticas e de jogadas, fica complicado compreender do que elas se tratam mesmo para quem tem boa compreensão do idioma inglês, isso porque, como em praticamente todo esporte, no Futebol Americano há expressões muito características e peculiares.

Infelizmente a ausência de pelo menos menus e interfaces em português não é exclusividade de Madden e da EA. Jogos como NBA2K, por exemplo, também praticamente ignoram a existência de jogadores e entusiastas que falam português, mesmo que o Brasil seja um dos três maiores mercados emergentes que NBA e NFL tem nos últimos anos.

Mas, os fumbles de Madden 20 não param por aí. Há muitos bugs de física, como já é característico dos jogos de esporte da EA. Alguns deles atrapalham e irritam bastante durante o jogo, principalmente porque se tornam repetitivos a ponto de se tornarem glitches que alguns jogadores online exploram à exaustão, tornando as partidas online contra essas figuras, chatas e sem emoção.

A caracterização facial de alguns jogadores também está terrível. Mesmo jogadores mais famosos tem alguns problemas de representação de suas feições. A impressão que dá, é que neste aspecto, Madden 20 regrediu em relação a seus antecessores.

Compartilhe