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Kena: Bridge of Spirits – Review

Kena: Bridge of Spirits é o primeiro jogo desenvolvido e publicado pela Ember Lab, empresa fundada em 2009. O título foi anunciado em junho de 2020 durante o evento Future of Gaming, da Sony, e foi adiado mais de uma vez, sendo oficialmente lançado em setembro deste ano. O game foi bastante comentado dentro da comunidade e a expectativa para o lançamento era bastante alta, já que muitos aspectos impressionaram o público, especialmente por se tratar de um jogo indie. Agora que o jogo está disponível, será que ele realmente vale a pena?

Em Kena: Bridge of Spirits, você tem o controle da jovem Kena, uma guia espiritual que tem o objetivo de chegar ao Templo da Montanha Sagrada. Enquanto segue para o local, ela luta contra uma série de monstros, ajudando-os a encontrarem seu caminho, enquanto liberta os diferentes pontos do mapa da chamada “Corrupção”. Essa “Corrupção” é uma transformação da energia do próprio Templo, e ao invadir as florestas do mundo de Kena, causou grande tristeza e destruição. Cabe a você, então, trazer de volta a vida que costumava existir em cada um desses lugares.

Você também precisará ajudar três espíritos principais em sua jornada ao Templo: Taro, irmão de Beni e Saiya, Adira, uma artesã que viveu um amor avassalador com Hana, e Toshi, o antigo líder da Vila que se deixou corromper pela sede que tinha em ajudar o seu povo. Para ajudar esses espíritos, você deverá encontrar três relíquias para cada, que normalmente aparecem após uma grande luta contra um dos 16 chefões do game. Com isso, você ganha o poder necessário para libertá-los e deixar a terra livre da Corrupção.

Como não são tarefas fáceis, você receberá ajuda de espíritos chamados Rot, pequenos serzinhos que você pode controlar de diversas formas. As diversas maneiras de usar e interagir com os Rot são bastante interessantes, já que eles ganham cada vez mais características conforme você avança na história. No entanto, nem sempre é prático usá-los, principalmente em batalhas, já que você deve ter um controle de espaço muito grande. De qualquer forma, esses espíritos deixam tudo mais alegre e divertido – e você com certeza vai se pegar sorrindo com as cutscenes em que eles ganham destaque.

Outro ponto positivo de Kena: Bridge of Spirits são os gráficos. As paisagens são tão lindas quanto mostradas inicialmente no trailer de anúncio, e os personagens lembram demais o estilo da Pixar. É um jogo cativante, que te puxa para dentro desse universo colorido e sombrio ao mesmo tempo, e por vezes você se vê parado apenas apreciando cada parte desse mundo que foi tão cuidadosamente criado pela Ember Lab. Isso também foi muito bem amarrado com o objetivo de livrar os locais da Corrupção e tornar o mapa vivo novamente, então é como se você estivesse contribuindo para que a beleza do game apareça mais e mais.

Precisamos também falar sobre o cajado de Kena, que se torna muito mais interessante com o passar do jogo. A arma da guia espiritual, que tem poucas funções no início, se transforma em um arco posteriormente, o que aumenta a dinâmica das batalhas. Depois, a protagonista ainda aprende a liberar uma bomba de energia, que traz uma perspectiva totalmente nova às lutas. O sistema de progressão do jogo é baseado nas Árvores de Habilidades que já conhecemos de tantos outros títulos; em Kena: Bridge of Spirits, você precisa coletar uma certa quantidade de Karma para aprimorar cada uma das suas armas e movimentos conhecidos. Com isso, a jovem fica cada vez mais forte e ganha a capacidade de promover golpes intensos e poderosos.

Os Rot também ficam cada vez mais fortes conforme você avança, por isso, você com certeza irá querer tirar um tempo para explorar e encontrar o máximo possível desses seres. Eles serão os responsáveis por distrair inimigos, limpar a Corrupção e tornar a vida de Kena, no geral, muito mais fácil. Entretanto, como já mencionamos, nem sempre é tão prático de usá-los, então é importante que você estude a participação deles em cada uma das funções que eles estão disponíveis.

Mas e aí, Kena: Bridge of Spirits vale a pena?

Principalmente por ser um jogo indie, Kena: Bridge of Spirits surpreende de diversas formas. Os gráficos são incríveis, as histórias de cada um dos personagens emocionam, a progressão torna a jogabilidade cada vez mais interessante e os quebra-cabeças são bem legais. No entanto, um ponto negativo do game são os inimigos.

No começo, o visual dos chefões não é muito diverso: são sempre seres grandes com uma aparência de madeira. Ok, eles são espíritos corrompidos pelo poder que invadiu a floresta, mas uma floresta contém muito mais aspectos do que apenas a madeira que vem das árvores. Isso só vai mudar mesmo na parte final do game, e até lá, é como se você estivesse lutando com o mesmo monstro com algumas poucas características diferentes.

Além disso, muitos deles podem acabar com a vida de Kena em poucos golpes, o que torna as batalhas cansativas e injustas. É como se os monstros espalhados pelo mapa fossem ridiculamente fáceis e os chefões fossem absurdamente difíceis. Esse desequilíbrio incomoda bastante, especialmente se você não tem muita habilidade em títulos desse tipo. Isso faz com que você leve horas para derrotar um inimigo – ou simplesmente canse e altere a dificuldade para o “Fácil”, para ter um pouco mais de chances.

Outro incômodo ficou, novamente, com a falta de variedade dos monstros, mas desta vez, ao decorrer do mapa. Uma vez que você derrota um chefão, ele volta a aparecer para você, mas como um dos minions que você deve eliminar casualmente. É uma “versão menor e mais fácil” do que foi apresentado anteriormente, mas será que realmente precisava adicioná-los nesse ponto? No fim, isso se tornou completamente desinteressante.

Como os adversários são uma parte importante do jogo, esses pontos negativos acabaram tomando muito do potencial do game. No entanto, essas questões não tornam este um título descartável. Como você percebeu, Kena: Bridge of Spirits também possui propriedades positivas, que atraem e envolvem o jogador de maneira bem fácil.

 

Resumo para os preguiçosos

Kena: Bridge of Spirits é apaixonante. Tanto a história quanto os gráficos não decepcionam, e o fato dele ter vindo de uma desenvolvedora pequena, como um jogo indie, é uma surpresa positiva. A arma principal da protagonista, o cajado, possui atualizações interessantes, e a relação dela com os Rot são um ponto alto da trama, embora nem sempre eles sejam muito funcionais. No entanto, o desequilíbrio e a falta de diversidade dos chefões ameniza parte da empolgação que se criou com o título desde o seu anúncio, mesmo que isso não seja forte o suficiente para desanimar totalmente o jogador.

Nota final

80
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Prós

  • Gráficos lindos;
  • História cativante;
  • Todas as amarrações da história (você pode aumentar a sua vida total ao meditar. Por ela ser uma guia espiritual, isso faz muito sentido. E esses pequenos detalhes engrandecem ainda mais o jogo);
  • Os quebra-cabeças e enigmas são bem legais;
  • As atualizações do cajado dão um up na jogabilidade;
  • Os desafios extras com os “baús amaldiçoados” trazem uma nova provocação ao jogador (como eliminar uma quantidade X de inimigos em uma certa quantidade de tempo);
  • O tutorial de como utilizar o arco é muito divertido;
  • Os Rot. Sem mais explicações.

Contras

  • A aparência os chefões não é muito diversa;
  • Os chefões são ilogicamente muito mais fortes do que qualquer minion do jogo;
  • Os bosses voltam a aparecer como minions, em uma versão “mais simples”, depois que você os derrota;
  • Alguns features que deveriam ser práticos (como alguns usos dos Rot, principalmente em batalhas) podem mais atrapalhar do que ajudar.
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