InícioGamesFinal Fantasy XVI - Análise - Review - Vale a Pena

Final Fantasy XVI – Análise – Review – Vale a Pena

Final Fantasy XVI é o mais novo capítulo numerado de uma das franquias mais importantes do mundo do videogame, e um dos grandes destaques do PlayStation 5 em 2023. Com expectativas imensas em cima de si após um bem sucedido demo lançado há uma semana, será que o jogo consegue sustentar o que foi prometido pela Square Enix desde o anúncio do jogo?

Em Final Fantasy XVI, conhecemos a história de Clive Rosfield, filho do Arquiduque de Rosaria e irmão e protetor de Joshua, que é o dominante da Phoenix, o Eikon (ou invocação) de Fogo. Durante as primeiras duas horas de jogo, conhecemos a trágica história de Clive, onde a vida como ele conhecia acaba sendo destruída por Ifrit, seu país conquistado e ele sendo escravizado com uma marca no rosto. Tudo isso o leva a uma jornada de vingança, onde ele luta para trazer justiça aos responsáveis pelo seu destino e acaba envolvendo-se no conflito que se espalha por Valisthea, terra onde o jogo se desenvolve.

Além dele, o elenco do grupo principal de personagens conta com Jill Warrick, amiga de infância de Clive que acaba fazendo parte integral da história, Cidolfus, líder do grupo rebelde “Quebradores de Correntes”, que está tentando trazer liberdade aos escravos (ou Marcados, como o jogo chama, pois estes possuem uma marca no rosto para indicar sua condição) e Joshua Rosfield, irmão mais novo de Clive e detentor da Phoenix.

A história de Final Fantasy XVI é uma história bem mais complexa e madura que a que estamos acostumados na franquia, já que geralmente temos apenas um grande império do mal se movendo em direção a conquistar o mundo, e neste caso há diversos grupos operando em paralelo, e volta e meia o jogo acaba parando para mostrar um pouco do que está acontecendo com o reino enquanto você e Clive continuam sua jornada em direção aos objetivos do protagonista.

Como já sugerido no começo, o mundo de Final Fantasy XVI conta com três tipos de pessoas dentro de si: dominantes, que são as pessoas que podem canalizar o poder dos Eikons e assim se transformar em criaturas lendárias como Shiva, Ramuh, Ifrit, Titan, Bahamut e Phoenix além de outras, Marcados, os escravos forçados a condições subhumanas e maltratados em maior ou menor grau por nobres e militares, e o resto das pessoas, ou seja, nobres, fazendeiros, comerciantes, artesãos, soldados e assim por diante.

É bem interessante a forma como a Square Enix decidiu contar a história do jogo, já que, apesar de Clive ser o protagonista da história, ele é apenas um membro de um pequeno grupo de revolucionários em meio a um continente inteiro em guerra, então por mais que você esteja avançando em seus objetivos, eles são praticamente irrelevantes dentro do que está acontecendo com o mundo, que além de estar em guerra constante, ainda por cima conta com a escuridão se alastrando pelo mundo, consumindo a natureza e empurrando monstros para lugares que antes eram seguros, além de acabar com os campos cultiváveis e ameaçar a estabilidade de nações inteiras.

Quando a Square Enix disse que a história do jogo parecia até 3 ou 4 temporadas de uma série ocidental, a companhia não estava brincando mesmo, pois a história do jogo se desenrola por diversos anos da vida de Clive. Na primeira etapa do jogo, o personagem tem 15 anos. Depois do prólogo, o jogo dá um salto temporal de 13 anos, e depois ele ainda dá mais alguns saltos, ou seja, não há uma grande crise que é resolvida em cerca de uma semana ou um mês como em outros jogos com você sendo um grupo super poderoso de 7 ou 8 indivíduos que acabam com um exército inteiro, o que vemos aqui é um lento desenrolar de uma grande crise que pode acabar com todo um continente, com lados formando e trocando de alianças e um vilão que não fica bem claro a princípio (afinal todo Final Fantasy sempre tem um vilão que quer destruir o mundo), mas que quando dá as caras, fica claro que ele obviamente é o cara malvado e que o que ele quer não parece bom pra ninguém.

Outro ponto muito forte da história é o desenvolvimento de personagens e o crescimento que eles apresentam durante a história. Clive vai mudando conforme os eventos vão se desenrolando, e não apenas ele, mas Jill, Cid e outros personagens também vão sofrendo essas mudanças, não só traumáticas, mas benéficas também, moldando o caráter dos personagens de uma maneira bem interessante. Nesse sentido, a história de Final Fantasy XVI me lembra bastante a história de Final Fantasy Tactics, com essa idas e vindas e capítulos bem definidos dentro da história e eventos que vão moldando cada vez mais os personagens. Eu não saberia dizer se essa é a melhor história já feita num Final Fantasy, mas com certeza esta é uma das histórias mais bem trabalhadas dentro dessa franquia. Ao todo, você leva cerca de 40 horas para completar a história principal, com uma boa dose de revelações, traições e eventos que pegam a gente completamente de surpresa às vezes.

Quando o jogo foi anunciado, os produtores haviam confirmado que Final Fantasy XVI não seria um jogo em mundo aberto, e aqui talvez seja um ponto um tanto divisivo do jogo. O mundo em que a ação se desenrola lembra bastante as áreas de um MMORPG dos anos 2000, ou de Final Fantasy XII, ou seja, o mundo do jogo é composto por grandes áreas com lugares para enfrentar monstros, cidades para você visitar e assim por diante.

Esta com certeza é uma das partes menos interessantes do jogo, mas que acaba funcionando bem para a proposta do game, já que conectar tudo o que ele já faz a um mundo aberto seria uma tarefa realmente difícil de se fazer, mas fica aquela sensação de que o mundo do jogo não está no mesmo nível da narrativa dele, e também ele não chega a parecer tão diferente assim entre si, sendo difícil diferenciar as cidades de Rosaria e Sanbreque, por exemplo.

Além disso, o jogo infelizmente não traz um grande incentivo à exploração com esse design de mundo, com os mapas mais servindo como um grande campo onde você vai de um ponto pro outro basicamente seguindo as estradas e se desviando delas para enfrentar inimigos caso você tenha vontade, e as cidades basicamente servindo para você ir até a loja comprar poções de cura e mais nada. Obviamente isso está longe de ser um problema sério do jogo, só fica a sensação mesmo de que um jogo tão grandioso como Final Fantasy XVI não tem um mundo à altura dele, ele é simples, e só.

Para deslocar-se entre um mapa e outro, usamos o mapa mundi do jogo e obeliscos dentro desses cenários grandes, mas eu também achei que poderia haver mais obeliscos em lugares estratégicos desses mapas, já que cada um desses “mini mundo abertos” que o jogo oferece só tem uns 3 pontos de fast travel em cada, e aqui entra uma das minhas reclamações com Final Fantasy XVI: Clive corre muito devagar, algo que faz essa locomoção entre um ponto e outro ser bem arrastada. Ele até corre, mas a velocidade de corrida dele parece um cooper, e quando ele finalmente aumenta a velocidade, qualquer coisa que você faça vai acabar diminuindo essa “corrida turbo” dele, como entrar em uma batalha ou algo do tipo, então o deslocamento por esses mapas certamente é algo que vai acabar sendo mencionado negativamente pelos fãs.

Além da campanha principal, Final Fantasy XVI conta com diversas missões secundárias que vão aparecendo conforme a história do jogo se desenrola. Nenhuma delas é memorável, e a maioria envolve você andar por aí, levar um item daqui pra lá, matar um inimigo ou resgatar alguém, mas algumas delas contam com algumas surpresas que vão te pegar no contrapé, mostrando mais sobre como o mundo do jogo pode ser extremamente cruel e perverso, algo que acaba sendo um saldo positivo.

Outra atividade secundária que o jogo libera depois da metade dele são as caçadas. Elas funcionam mais ou menos como em Final Fantasy XII, ou seja, você vai até um mural, fica sabendo de alguma criatura grandiosa que está causando problemas e vai até a região onde ela se encontra para matá-la, mas curiosamente, você só pode se informar sobre ela no mural, então se você esquece as coisas fácil como eu, vai acabar acontecendo uma ou duas vezes de você ter que voltar até o esconderijo para consultar o mural novamente pois não está encontrando o tal do bicho. Bem que a Square Enix poderia ter colocado esse mural num menu para consulta rápida, algo que estava presente em Final Fantasy XII, por exemplo. Ao matar essas criaturas, você ganha recompensas como experiência, pontos de habilidade e também renome, uma moeda nova que surge depois dessa etapa do jogo e que pode ser usada para resgatar prêmios para o seu esconderijo.

Um ponto de destaque do jogo certamente é o combate dele. Aqui, dividiremos o combate de Final Fantasy XVI em dois, começando pelo combate normal e depois falando sobre o combate como Eikon, ou seja, quando Clive se transforma em uma invocação e enfrenta outro adversário da mesma forma.

O combate de Final Fantasy XVI é extremamente divertido, sendo com certeza um dos melhores e mais divertidos sistemas de RPG de ação que eu já joguei. Você ataca com um botão, usa magias com outro, técnicas com a combinação de dois botões, pode desviar de ataques inimigos para abrir brechas e contra-atacar, pode aparar ataques inimigos atacando no exato momento.

Durante o combate, o seu objetivo obviamente é acabar com a barra de vida dos adversários, mas inimigos maiores possuem também uma barra de atordoamento, que é dividida em duas partes, sendo a primeira para você causar mais dano no adversário, e posteriormente causar alguma mini paralisia nele, e a segunda para você realmente deixá-lo atordoado e aí descer a lenha para tirar mais e mais vida dele.

Diferente do que os trailers mostraram, os inimigos em sua maioria não são grandes esponjas de golpes, felizmente. Inimigos normais do cenário morrem com uns dois combos ou um especial (que é rapidamente recarregável) e esses inimigos com barra de atordoamento costumam morrer com uns 2 ou 3 atordoamentos do tipo, mesmo os chefes, que levam mais tempo para serem atordoados, não costumam fugir dessa regra.

Como um personagem abençoado pela Phoenix, Clive possui habilidades de fogo a princípio, além de técnicas que ele ganhou da ave mitológica. Conforme você avança pelo jogo, você vai desbloqueando o poder de outros Eikons, como Garuda, Titan, Ramuh e assim por diante para poder usar mais técnicas ao mesmo tempo, conseguindo encarnar o poder de três Eikons simultaneamente na hora de enfrentar os inimigos.

Para curar-se, você carrega consigo poções e também pode pedir para Torgal usar sua magia de cura (que quase não serve pra nada). Essas poções são finitas e você vai pegando algumas conforme avança pelas dungeons, mas você pode acabar se vendo sem nenhum item de cura e sem como reabastecê-los no meio de uma quest. Felizmente, caso você seja vencido durante algum combate, o seu personagem volta em algum checkpoint dos combates totalmente reabastecido.

Tudo isso acaba criando um combate extremamente divertido de usar, que pode ser um pouco confuso e meio lento no começo, mas que conforme o personagem vai crescendo e ganhando mais habilidades, vai fazendo não só os combates serem muito legais de travar, mas também visualmente impressionantes, já que Clive consegue usar habilidades poderosas constantemente para acabar com os adversários que se colocam diante dele.

Além de Clive, você será acompanhado por outros personagens conforme avança na história, como Torgal, o lobo que sempre vai estar ao seu lado, Cid, Jill e assim por diante. O único personagem que você vai conseguir dar comandos é Torgal, mas sinceramente é mais simples deixá-lo lutar sozinho pois a única habilidade dele que poderia ajudar, a de cura, não serve pra muita coisa.

Se tivesse apenas o combate em terra, Final Fantasy XVI seria um jogo bem divertido de RPG e ação, mas que não teria nada que o diferenciasse de um Bayonetta, por exemplo, mas tudo muda de cara com o combate de Eikons, pois é nele que podemos perceber que sim, estamos num console de nova geração, e o que é feito aqui é simplesmente incrível.

O combate entre as invocações do jogo é um verdadeiro espetáculo visual, que até começa meio paradão parecendo mais um filme interativo no primeiro deles, mas que conforme você avança pelo jogo, eles vão ficando cada vez mais épicos, cheios de poderes e com situações cada vez mais incríveis que sinceramente falando, dá vontade de aplaudir a tela. Há muito tempo eu não ficava impressionado por uma apresentação visual dentro de um jogo, pois na maioria dos casos você pensa “ah, isso um console da geração passada também consegue fazer”, e eu consigo dizer sem nenhum tipo de dúvidas que os combates de Eikons são algo que nenhum outro jogo fez até aqui nesse nível, eles são de tirar o chapéu, e um dos grandes pontos fortes do jogo.

Além deles, a apresentação visual toda de Final Fantasy XVI também é um verdadeiro espetáculo. O jogo conta com muitas cenas animadas e muito bem dirigidas, seja em diálogos, seja em momentos de ação, com alguns deles realmente parecendo uma série de televisão se desenrolando na nossa frente. Outro ponto da apresentação que impressiona é a violência gráfica que o jogo apresenta. Ele não tem nenhum pudor em matar personagens e mostrar essas mortes acontecendo em tela, além de contar com outros pontos também maduros e, salvo engano meu, primeiras aparições na série, como um casal homoafetivo, cenas de sexo e até mesmo mais de um personagem nu aparecendo em cena, ainda que a nudez obviamente não seja explícita nesses momentos, e todas essas cenas, como vocês devem imaginar, incrivelmente bem animadas.

A trilha sonora é outro ponto em destaque do jogo, com mais de um tema de batalha que entra na cabeça e fica por lá, menções a músicas clássicas da franquia como o prelúdio e a fanfarra de vitória e músicas de fundo muito bem trabalhadas que ajudam a elevar uma apresentação já excelente ao magnífico.

Assim como a trilha sonora, a dublagem de Final Fantasy XVI é outro ponto de destaque no jogo. Praticamente todo personagem tem um dublador ou dubladora perfeito para o papel, mas o destaque aqui fica Ben Starr, responsável por uma atuação magistral em Clive Rosfield, entregando tudo o que o personagem está passando e sentindo em seus momentos de ação, drama, perda e assim por diante.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PlayStation 5 fornecida pela publisher.

Resumo para os preguiçosos

Final Fantasy XVI é uma verdadeira experiência next-gen no PlayStation 5. O jogo combina um dos enredos mais maduros e bem trabalhados da história da franquia a personagens carismáticos e com diversas camadas a um sistema de combate divertidíssimo, principalmente na luta de Eikons, a uma apresentação visual sem igual.

O resultado disso é um jogo que vai marcar os fãs e dificilmente ser esquecido tão cedo, e fazer quem não tem um PS5 desejar comprar o console para aproveitar esta experiência incrível.

Nota final

100
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Apresentação visual incrível
  • Combate extremamente divertido
  • As lutas de Eikon são experiências únicas
  • Trilha sonora e dublagem nota 10

Contras

  • Clive corre devagar demais
  • O mundo do jogo não se compara à grandiosidade do resto dele
  • Alguns pontos de qualidade de vida que poderiam ser implementados
Eric Arraché
Eric Arrachéhttp://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.