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Diablo II: Resurrected – Review

Diablo II: Resurrected é a prova de que a Blizzard é mais que uma produtora de jogos, é também uma manipuladora de sonhos — ou nesse caso, de pesadelos.

A lendária produtora em conjunto com a Vicarious Visions, conseguiu fazer algo que eu jurava quase impossível: trazer Diablo 2 de volta do limbo com a mesma panca e glamour de antigamente, quase sem tirar nem por.

Chega a ser impressionante constatar como uma obra de 20 anos consegue emular os mesmo sentimentos mesmo após tanto tempo. Também é fácil imaginar que a versão remasterizada abusou de modificações para causar este tipo de impressão, mas neste review tentaremos te mostrar por que Diablo II: Resurrected é o acerto relevante mais importante da Blizzard este ano.

Bom mesmo era antigamente!

Peço licença ao amigo leitor para fazer um rápido comentário sobre minha paixão pessoal por Diablo 2. O jogo é tão importante para mim, que foi sobre ele que escrevi no meu primeiro texto para o Critical Hits, quase dez anos atrás.

Lembrar de Diablo 2 me faz recordar também de quando tinha a metade da idade que tenho hoje. De quando a vida era bem mais fácil, e de quando nos juntávamos para nos aventurar nos arredores Tristram, em longas e intercaladas sessões de RPG.

Em teoria, as atividades que eu fiz ou deixei de fazer enquanto Diablo 2 era um jogo relevante, não deveriam influenciar tanto nesta análise. Acontece que foi só abrir o jogo, criar meu personagem e ouvir a música tema do Acampamento das Amazonas, que meu cérebro foi inundado por sentimentos nostálgicos, ao mesmo tempo em que apreciava a tão familiar aventura de uma maneira totalmente nova.

A premissa de Diablo II: Resurrected é bastante simples: apresentar a mesma aventura que todo mundo já conhece, com gráficos repaginados e algumas melhorias de qualidade de vida para deixar a experiência dos fãs mais agradável.

Igual, porém não a mesma coisa

A primeira diferença notável entre a versão original e Diablo II: Resurrected é a melhoria gráfica. É incrível rever alguns momentos mais icônicos da já tradicional aventura sendo reproduzidos em 4K, assim como é impressionante constatar que alguns dos monstros mais famosos do jogo são completamente diferentes do que eu imaginava, agora que seus modelos em alta definição me permitem ter uma ideia melhor de como é sua fisionomia.

O problema é que enquanto isso soa como algo incrível para alguém como eu — que experienciou o jogo original lá atrás, pode acabar tendo o efeito contrário no jogador que busca algo mais atual ou esta acostumado com experiências modernas.

Isso porque Diablo II: Resurrected, apesar dos gráficos incríveis, continua sendo um jogo do início dos anos 2000, sem tirar nem por. Portanto, é extramente necessário que o jogador entenda que estamos falando de uma remasterização e não de um remake do jogo original – o que significa experimentar um game muito mais simples do que títulos mais recentes, mas que ainda possui charme e valor.

Talvez o fato que mais tenha me impressionado num primeiro momento seja a possibilidade de alternar entre os gráficos originais e remasterizados com um simples toque de botão. Algo que além de comprovar que a Blizzard não fez alterações significativas no código original de Diablo 2, evidencia como os gráficos originais pareciam muito mais bonitos na minha cabeça.

Outro detalhe interessante é que Diablo II: Resurrected conta com localização completa para o português-brasileiro, com legendas e dublagens impecáveis.

Também é preciso destacar que as cinematics do jogo foram todas refeitas no padrão Blizzard, e dão uma ideia muito melhor sobre o contexto e histório do jogo do que antigamente.

Agarrando o demônio pelos chifres

Imaginar que Diablo 2 um dia pudesse sair para consoles era quase impossível lá atrás — mesmo sabendo que o primeiro jogo da série também saiu para Playstation. O principal desafio a ser vencido eram os controles, que precisavam transportar a agilidade oferecida pelo mouse e teclado para os joysticks.

Diablo 3 conseguiu realizar isso com sucesso quando saiu para os consoles, e apesar disso confesso que torci o nariz quando me imaginei jogando Diablo II: Resurrected longe do mouse e teclado. “Será que a experiência não seria afetada?” 

Para minha surpresa, jogar no controle me pareceu tão natural quando mouse e teclado. Sinceramente não sei explicar o que diabos a Blizzard fez para conseguir tornar a experiência tão satisfatória em ambas as modalidades, mas posso garantir que não deve ter sido uma tarefa simples, nem trivial.

A principal diferença entre Diablo II: Resurrected para os demais RPG assimétricos atuais é a forma como o cenário se desenrola. São vastas planícies com raros obstáculos e pontos de interesse, que se intercalam com calabouços claustrofóbicos, extremamente escuros e repletos de barris, caixas e baús.

A diferença entre os cenários e a forma como eles eram compostos foi pensada desta forma em função do uso de memória e CPU das máquinas daquela época. Projetar um jogo desta forma exige que o programador também pense na velocidade que o personagem se move e na forma como ele interage com o cenário para que o processo não se torne fácil de mais, ou simplesmente impossível.

A forma como a Blizzard conseguiu adaptar um jogo de 20 anos atrás para um sistema de controle híbrido — que pode ser alternado a qualquer momento e que funciona de maneira perfeita, deve ser amplamente ovacionada. Não há reclamações ou pontos negativos da minha parte neste quesito.

Qualidade de vida no apocalipse


Para garantir que os controles funcionassem bem e que o jogador pudesse escolher a forma como quisesse jogar, algumas melhorias de qualidade de vida também foram implementadas.

Talvez a principal delas seja a criação de um sistema de inventário compartilhado, que permite agora ao jogador transferir dinheiro, itens e tudo que quiser para outro personagem, sem a necessidade de criar um personagem “mula” para isso.

O tamanho do inventário continua bastante restrito e o uso de poções do cinto ainda é um pouco confuso de entender. A Blizzard decidiu não alterar estes itens para não afetar a experiência original, o que talvez tenha sido a decisão mais acertada.

De qualquer forma, a seleção de itens — seja via controle ou mouse e teclado, esta mais fluída do que nunca.

Online/Offline


Diablo II: Resurrected também conta com outra diferença essencial: a separação entre os modos online e offline.

Você não precisa mais de nenhum DRM para se aventurar pelo jogo, mas não pode pegar seus personagens offline e transferi-los para o modo online a hora que quiser.

Minha principal preocupação neste sentido foi a sobrecarga do servidor, algo que quem viveu o lançamento de Diablo III lembra bem o caos que foi.

Pessoalmente, não tive uma experiência muito agradável ao me aventurar no servidor online de Diablo II: Resurrected. Mesmo sozinho e na versão de testes, experimentei atrasos consideráveis, lags e uma série de problemas que espero encontrar resolvidos no lançamento.

Personagens, skills e builds


Os personagens de sempre estão todos lá, tanto os da versão original, quanto os da expansão Lords of Destruction. O interessante é que o jogador poderá escolher entre criar seu personagem considerando o conteúdo da expansão, ou não.

Isso significa que se você preferir jogar a campanha original, sem os itens que foram disponibilizados posteriormente na expansão, a escolha é sua! E pessoalmente eu achei incrível a Blizzard oferecer esta opção aos jogadores.

E se você foi um dos que também planejou builds minuciosas para seus personagens ao longo dos anos na versão original de Diablo II, saiba que ela provavelmente ainda vão funcionar em Diablo II: Resurrected! Afinal de contas, as Skills dos personagens continuam iguais e o sistema de “sinergia” também permanece funcionando da mesma forma.

No fim das contas Diablo II: Resurrected é um presente aos fãs do jogo original. Uma gema recriada e polida nos mínimos detalhes, que dá uma roupa nova à um dos melhores e mais influentes jogos de todos os tempos.

Ter a oportunidade de jogar Diablo II: Resurrected depois de tanto tempo foi como reviver alguns dos melhores momentos da minha vida e sentir que a Blizzard foi capaz de melhora-los — se é que isso é possível. Minha única reclamação é que infelizmente não tenho mais o mesmo tempo disponível que naquela época, e, portanto, não posso mais passar minhas tardes e noites lutando contra o mal.

Esperei dez anos para fazer este review, e confesso que valeu a pena.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PC fornecida pela Blizzard do Brasil.

Resumo para os preguiçosos

Diablo II: Resurrected é a prova cabal de que a Blizzard tem o poder de manipular nossas emoções como quiser. A remasterização aproveita a versão original do jogo e adiciona uma camada visual moderna e condizente com a atual geração, deixando a luta contra o mal mais bonita do que nunca.

A experiência original não foi alterada, com exceção de algumas melhorias na qualidade de vida. Ainda assim, é impressionante que um jogo de 20 anos atrás continue sendo tão divertido e cativante, o que demonstra como a Blizzard sabe criar histórias e mecânicas revolucionárias.

Nota final

90
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Prós

  • Gráficos incríveis e minuciosamente refeitos para esta nova versão;
  • Remasterização do áudio original;
  • Dublagem e localização das legendas;
  • Melhorias de qualidade de vida significativas e que não alteram a experiência original;
  • Modalidades de controle eficientes tanto no teclado quando no joystick

Contras

  • Sistema online não demonstrou estabilidade durante os testes para esta análise.

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