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Creed – Review

Eu sou fã de Rocky há muito, muito tempo. Desde que assisti pela primeira vez o primeiro filme da franquia, o lutador italiano, subestimado por todos e que finalmente ganha a chance dele, me conquistou, e eu já revi os filmes algumas várias vezes. A franquia tem seus momentos altos e baixos (todo mundo reconhece, Rocky V é uma bela porcaria), além de um filme extremamente propagandista e praticamente sinônimo de uma época.  Em qual dessas classificações Creed se classifica? Felizmente, num dos melhores momentos da vida do pugilista.

Creed não é exatamente um spin-off da história de Rocky, e sim, a próxima geração. O filme começa com Adonis Johnson, um garoto de 10 anos que está vivendo num abrido para órfãos nos EUA. Ele é descoberto lá por Mary Ann Creed, esposa do falecido boxeador Apollo Creed, considerado por muitos o melhor de todos os tempos. Adonis foi produto de um caso extra-conjugal de Apollo, mas Mary Ann não liga para isso e o leva para a casa dos Creed, e o cria como a um filho.

Dezessete anos depois, Adonis está com 27 anos e recém é promovido num cargo executivo em alguma grande empresa, mas ele acaba decidindo deixar a vida de escritório para trás e seguir o seu real instinto: lutar. Ele então faz algumas lutas no México para se testar e vai ao ginásio Delphi, o mesmo onde o pai dele treinava. Lá, ele não encontra o suporte de Little Duke (filho de Tony Duke Evers, antigo treinador e empresário tanto de Rocky quanto de Apollo) e, após ser derrotado pelo melhor lutador do ginásio, acaba partindo para a Filadélfia para pedir que Rocky Balboa o treine, já que eles são “praticamente família”.

Aí, o filme efetivamente começa, e é muito bom ver que Sylvester Stallone e Michael B. Jordan desenvolveram uma ótima química atuando juntos. As cenas entre Rocky e Adonis são algumas das melhores partes do filme, e há diversos tipos de interações entre os dois, como cenas engraçadas, cenas tocantes e as cenas de treino.

Apesar de ser um Creed por nome, Adonis continua usando o nome Adonis Johnson por querer seguir o próprio caminho, subir pelos próprios pés, e também pelo medo de manchar o nome do pai, algo semelhante ao que acontece com o nome do filme, já que Creed poderia muito bem se chamar Rocky VII: Creed.

A história do filme é basicamente uma releitura do primeiro Rocky, mas ao invés do perdedor que dá a volta por cima, temos alguém que está tentando sair da sombra do próprio nome e provar que pode algo por si só sendo treinado exatamente pelo cara que ninguém acreditava lá em 1976. Rocky e Adonis têm muitos momentos tocantes e de trocas de experiências, seja dentro do ringue, seja na vida.

Aqui, vale o destaque para a atuação de Sylvester Stallone. Apesar de não ser o personagem principal do filme, Stallone rouba a cena com sua atuação. Rocky já está velho, não consegue mais fazer tudo o que fazia antigamente e ainda tem uma grande luta pela frente que eu não vou estragar para vocês. É muito legal ver como ele consegue entrar de corpo e alma no papel do pugilista, seja na hora dos discursos motivacionais sobre a vida, seja na hora de mostrar a Adonis como ele pode crescer como um boxeador.

Michael B. Jordan também merece muitos elogios pela atuação dele. Adonis é um personagem original e é muito mais do que um simples filho de Apollo que quer se provar. Ele é humano, ele tem falhas, e ele está tentando fazer o melhor que pode com o que ele tem. Nem ele sabe se ele vai ser grande, mas ele quer isso, e vai com tudo atrás do sonho, e nós conseguimos acreditar que Adonis realmente é o que mostra ser por causa dessa atuação de Jordan.

Fora dos ringues, Adonis ainda conhece Bianca, uma jovem cantora com perda progressiva de audição, e tem um envolvimento com ela. Essa sub-história de amor não chega a ser tão desenvolvida assim, como por exemplo, aconteceu entre Rocky e Adrian. É verdade que o filme é sobre o boxe e a vida de Adonis, mas seria legal se essa parte fosse um pouco mais explorada, até porque, Bianca é uma personagem interessante, e as cenas dela com Adonis também são boas. No fim, ela acaba sendo uma personagem extremamente rica em história que é subutilizada.

Mas obviamente, Creed não seria um filme da franquia Rocky sem o boxe, e ele está bem presente dentro do filme. Algo interessante usado nesse filme são as sequências de trocas de socos sem interrupções. Há várias dessas durante o filme e elas acabam por dar muito realismo às cenas. Ao invés de lutas com vários ângulos de câmera, como estávamos acostumados em outros filmes, aqui temos vários momentos em que rounds inteiros. O resultado disso são lutas muito mais críveis, e sequências de tirar o fôlego.

Ao todo, há cinco lutas em Creed, sendo três bem breves e duas mais longas. Nenhuma das lutas decepciona, e a luta final é de arrasar. Apesar de muito boa, ela ainda assim não é tão boa quanto algumas das lutas icônicas da franquia Rocky, como Rocky I, II ou IV, mas nem por isso ela deixa de perder seus méritos. Só não é mesmo a melhor luta que vimos. Os treinamentos de Adonis Creed também ficaram muito legais, mas acabam caindo no mesmo caso das lutas, há cenas de treinamentos melhores dentro da franquia Rocky, apesar destes também serem muito bons, principalmente por causa de detalhes que é melhor eu não revelar aqui.

A trilha sonora do filme é interessante também, por tentar assumir uma identidade própria sem perder a cara de ser um filme do Rocky. É interessante notar que Adonis tem suas próprias músicas. Você não vai ouvir o riff de Gonna Fly Now a cada 5 minutos de filme, porque essa é a música do Rocky, e não do Adonis. A dele é parecida, mas não exatamente igual, porém, igualmente boa. Essa música é reservada para os momentos em que Stallone está mostrando porque ele mereceu o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante.

Resumo para os preguiçosos

Creed poderia muito bem ser chamado de Rocky VII, e é um dos momentos altos da franquia. Stallone e Michael B. Jordan entregam excelentes performances dentro e fora dos ringues, e o filme traz uma mistura quase perfeita de momentos de ação, inspiração, comédia e emoção. Mais do que recomendado para quem é fã da franquia Rocky e para fazer quem acha que a franquia deu o que tinha que dar morder a língua.

Nota final

90
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Excelentes cenas de boxe
  • Stallone mostra porque Rocky foi e sempre vai ser o melhor personagem dele
  • Adonis é muito bem interpretado por Michael B. Jordan
  • Cenas realmente emocionantes

Contras

  • A história de Adonis e Bianca poderia ser mais desenvolvida
  • Por mais que seja boa, a luta final está longe de ser a melhor da franquia
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