Beyond: Two Souls foi um jogo muito aguardado por muitos, sendo o último grande exclusivo do PS3 antes do lançamento de seu console sucessor. O jogo vem de uma empresa de ótimos jogos e com ar de super produção, com elenco digno de cinema, com astros como Ellen Page e Willem DaFoe, e história daquelas que fazem sua cinéfila mãe quase te proibir de jogar sem a presença dela, por ela querer saber o que acontece. Mas vem a pergunta: Será que você vai gostar do jogo? Eu vou tentar responder essa questão.

O jogo conta a história de Jodie Holmes, uma garota que desde muito cedo é conectada com uma entidade, chamada Aiden. Aiden está sempre lá, flutuando em volta dela e também defendendo-a de tudo, o que tem seu lado bom e seu lado ruim. Pouquíssimo se sabe sobre a entidade, além do fato de Jodie ser a única que consegue se comunicar com ela. O jogo se passa em várias fases da vida de Jodie e se foca muitas vezes na presença de Aiden. Qualquer detalhe além desse já corre o risco de ser considerado um spoiler, então vou parar por aqui no assunto.

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O capricho visual no jogo é notável, com detalhes de movimentação quase impecáveis e com expressão facial e humanização dos personagens muito bem feita. Até os cabelos vão se movimentar de forma incrivelmente natural, e o mesmo pode ser dito das roupas, por exemplo. Um comparativo que eu faria sobre a modelagem do jogo é que Beyond: Two Souls é um L.A Noire que deu certo. Nada de gráficos bons apenas do pescoço pra cima. Aqui, tudo é muito bem feito. Por vezes, você esquece que está jogando videogame, e se sente vendo um filme. Um filme gigantesco e um pouco desconexo, mas ainda é um filme.

Sobre a jogabilidade, dá pra dizer que ela é uma versão um pouco menos bem-sucedida de Heavy Rain. A fórmula está lá, e foi muito bom voltar a jogar algo nesse estilo depois de alguns anos com saudade de Heavy Rain, mas os controles do jogo podem ser um pouco confusos, principalmente nos momentos mais intensos. Talvez isso seja até intencional, mas dá um total desespero ter que pensar “O que diabos eu tenho que apertar agora pra sair dessa?”, ao invés de realmente escapar da situação. Para fins comparativos, eu devo ter errado apenas uns 3 ou 4 comandos durante toda a minha experiência jogando Heavy Rain, e digamos que eu nem contei o número de erros em Beyond.

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O sistema de combate pode ser um pouco entediante, pelo excesso de slow motions e até de cenas de luta mesmo. Voltando ao comparativo, enquanto em Heavy Rain são raras e rápidas, em Beyond, o jogo peca por tentar fazer o que não serve para o gênero e estilo de controles: Te dar controle demais sobre os movimentos. A grande diversão do jogo, em termos de gameplay, são os momentos em que você controla Aiden. Sério, não tem coisa mais divertida do que tocar o terror, no estilo Atividade Paranormal, no controle de uma entidade que ninguém sabe ao certo o que é.

É um jogo que te prende e te obriga a ir até o final dele a qualquer custo. Talvez nem tanto por prazer e envolvimento com os personagens, como acontecia em (de novo, aquele comparativo inevitável) Heavy Rain, mas simplesmente porque você se sente na necessidade de entender o que está acontecendo e por que a história do jogo está sendo contada da forma que é, sem nenhuma ordem cronológica. Talvez até por isso, as 2 horas finais do jogo são melhores do que tudo que aconteceu anteriormente. É o tipo de jogo que te faz querer aplaudir o final, e repetir a experiência, agora que você entendeu o que se passa.

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Voltando para a pergunta do primeiro parágrafo, você gostar ou não do jogo vai variar de acordo com alguns fatores: Se pra você uma boa história é mais importante do que fluidez em momentos de ação, esse jogo é seu xodó de 2013, ao lado de The Last of Us, por exemplo. Se você é um dos órfãos de Heavy Rain, você também vai gostar do jogo, desde que não espere algo que supere ou iguale seu antecessor espiritual. Agora, como acontece em boa parte dos jogos de hoje em dia, colocar expectativas altas demais para o jogo pode ser a cartada final para você não gostar nada do jogo. Único conselho que eu dou é: Vá com calma e jogue até o final, porque realmente é o tipo de jogo que vai ser péssimo se jogado sem atenção e não for jogado inteiro.

 

 

Vanderlei Rodrigues Lissi é colaborador do Critical Hits. Mascote da equipe, ele, que prefere ser chamado de Vander,talvez por não aguentar mais piadinhas na pré-escola com aquele técnico de futebol, até hoje ainda acha que Pokémon Stadium é o melhor jogo dos monstrinhos de bolso.

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