Assassin’s Creed – Review

[Como parte da programação usual de fim de ano do site, nós costumamos fazer reviews de jogos antigos após o grosso dos lançamentos atuais ser avaliados. Como eu joguei Assassin’s Creed na semana passada, decidi fazer um review do jogo, por mais que ele tenha seus sete anos de idade]

Depois de surpreender a geração do PlayStation 2 e do Game Cube com a excelente trilogia de Prince of Persia, a Ubisoft decidiu investir em mais um jogo com movimentação livre por cenários e um clima das arábias. Desta vez, o período escolhido para o jogo foi a época das Cruzadas, um dos períodos mais conturbados da história do oriente médio, e o pano de fundo disso foi uma disputa milenar travada nas sombras entre Templários e Assassinos. O resultado disso é Assassin’s Creed, um jogo que acabou virando uma das maiores franquias da atualidade, contra toda lógica.

Em Assassin’s Creed, você controla dois personagens: Miles Desmond, um barista dos dias de hoje que foi sequestrado pela Abstergo, uma companhia que descobriu o processo de captura de memórias à partir do DNA dos indivíduos. Desmond é uma pessoa muito especial, já que ele é um dos descendentes de Altaïr Ibn-La’Ahad, um assassino que viveu durante a época da Terceira Cruzada e que teve contato com a Apple of Eden, um artefato que está sendo procurado pela Abstergo.

O objetivo do jogo é basicamente reviver as memórias de Altair até o ponto desejado pela Abstergo através do Animus, uma máquina que possibilita essa viagem no tempo. Como não é possível ir direto ao ponto desejado pela Abstergo, temos que voltar alguns meses na vida de Altair e reviver todo período de redenção do Assassino, que quebrou os preceitos básicos do clã dos assassinos ao se expor e expor seus irmãos num confronto contra Robert de Sable, o líder dos templários. Por causa disso, Altair acaba sendo rebaixado ao ranking de iniciante por Al Mualim, o líder dos assassinos, e recebe a tarefa de assassinar uma série de pessoas chave da Terra Prometida para recuperar seu status no clã, e é aí que começa a sua missão.

Missão esta que vai ser uma série de repetições extremamente monótona do começo ao fim. É muito legal fazer tudo pela primeira vez, desde infiltrar-se numa cidade até colher informações sobre o seu alvo e depois assassina-lo, o problema principal de Assassin’s Creed é que você vê tudo o que o jogo tem a oferecer  já na primeira hora de jogo e nada mais de novo acontece durante as outras 10 ou 15 horas necessárias para completa-lo.

Deixa eu resumir todas as coisas que você vai fazer durante um jogo: andar a cavalo até a cidade destino enquanto procura torres para desbloquear o mapa e facilitar um pouco o seu trajeto até lá. Enquanto você viaja até a cidade, guardas vão tentar impedir que você o faça, afinal de contas, você é um assassino e guardas não gostam de assassinos. Para evitar isso, você deve tentar andar pelas sombras (que estão meio em falta no deserto) ou simplesmente tocar o foda-se e ir matando todo mundo que ouse cruzar o seu caminho e que seja um soldado.

Teoricamente, o jogo te incentiva a fazer o primeiro e ser o mais discreto possível, o problema é que a jogabilidade do jogo realmente atrapalha nisso. Volta e meia o sistema de parkour do jogo faz você ficar preso numa parede enquanto toma pedradas dos inimigos ou algo do tipo, e no fim das contas acaba sendo muito mais menos chato enfrentar todos os guardas que o jogo decidir jogar contra você (que pode ser de 1 a 25 guardas) do que fugir. Não que não seja chato repetir o mesmo movimento de contra ataque (segurando R2 e apertando quadrado no exato momento em que o inimigo te ataque para um contra-ataque normal).

Agora imagine ter que fazer isso em todos os encontros que você tiver com os guardas. Felizmente, lá pela metade do jogo, alguém na Ubisoft se deu conta de que era brutal demais fazer você perder quase uma hora viajando de uma cidade pra outra e colocou um fast travel no jogo para te poupar dessa experiência do inferno. Chegando na cidade, você também tem que ser sorrateiro e ir dum ponto ao outro com discrição. O jogo te ajuda a fazer isso colocando telhados para você ir por cima das pessoas. Pena que volta e meia você dá de cara com algum arqueiro que vai deixar uma família orfã por não deixar você subir nos telhados. Ah, e subir nos telhados é algo socialmente inaceitável então você certamente vai tomar uma pedrada e cair dele caso alguma pessoa te veja subindo “trepando” numa parede.

Enfim, chegando na cidade, você descobre que cada distrito dela não tem uma, mas umas 12 torres para liberar o mapa. Praticamente uma por quarteirão. O jogo é bonzinho com os iniciantes e avisa onde cada torre de cada distrito inicial está. Liberando essa, você descobre onde fica a base de controle dos Assassinos e aí pode partir para a sua missão de coletar informações sobre o seu alvo para então mata-lo. As informações podem ser adquiridas de várias maneiras, como roubando bilhetes de pessoas na rua, ouvindo conversas, “interrogando” pessoas (que na verdade é uma briga de rua onde você espanca alguém até o indivíduo pedir arrego, te dizer o que você quer e você mata-lo), ou ainda o meu favorito, com os informantes do clã dos assassinos, ou melhor, os chantagistas do jogo.

Por ser um clã de espionagem e assassinato, há diversos informantes espalhados pela cidade. Cada um deles está mais do que disposto a te ajudar na sua missão, em troca de uma outra tarefa para eles, é claro, afinal de contas, os objetivos da irmandade ficam em segundo plano, primeiro vêm os objetivos pessoais. Sempre um informante vai te pedir algo em troca da informação que você precisa para assassinar alguém, e volta e meia essas tarefas vão demorar mais do que a missão de assassinato em si.

Aliás, tudo demora mais do que o assassinato em si. Assassin’s Creed é um grande jogo de preparativos. Você gasta um tempão indo duma cidade pra outra, gasta mais um tempão liberando o mapa para saber onde você precisa ir para se preparar para os assassinatos e gasta mais um tempo fazendo as tarefas preparativas pros assassinatos. Nisso, cada missão de assassinato acaba gastando uma hora, uma hora e meia em média, sendo que o assassinato em si dura de dez a quinze minutos no máximo. Agora repita isso e a parte de viajar duma cidade pra outra (até você conhecer todas as cidades) umas dez vezes, adicione o chefe final e você tem Assassin’s Creed.

As missões de assassinato em si são a parte legal do jogo, mas é só isso que é legal de fato, o resto todo em cima do qual o jogo foi construído é muito mal executado. Há nenhuma variação nas tarefas, poucas missões extras (que também são duas ou três e envolvem salvar mulheres indefesas na rua, coletar meia dúzia de flâmulas pelas cidades e por aí vai) e tudo acaba tornando-se um “faltam só x missões pra eu acabar esse jogo chato do caramba”. Claro que o game tem seus méritos, a história é realmente interessante e é muito legal o jeito como a Ubisoft conseguiu colocar a briga dos assassinos com os templários no meio, mas o jogo é tão repetitivo e tão sacal que é difícil de recomenda-lo de fato, porque quase tudo no jogo é repetitivo, do combate, às missões, ao deslocamento e as variações que possam acontecer geralmente são das deficiências técnicas do jogo tentando te sacanear.

Graficamente, Assassin’s Creed era um jogo bonito para a época e ainda hoje tem visuais bem aceitáveis. As animações são bem feitas e a única coisa que faz alguma falta nos dias de hoje é a animação facial dos personagens, que é bem rudimentar, mas, no geral, os gráficos continuam bons e as cidades estão muito bem reconstruídas, é muito legal ver como eram Jerusalém, Acre e Damasco no século XII. A trilha sonora do jogo também é bem interessante e a dublagem é ok. Infelizmente o jogo não tem legendas em nenhum idioma (fato que vira piada no segundo jogo da série até), o que pode dificultar a vida de quem não entende lá muito bem o idioma inglês.

Review elaborado com base na versão de Xbox 360 do jogo. Cópia comprada pelo Critical Hits.

Resumo para os preguiçosos

Assassin’s Creed é um jogo com um conceito interessante e uma história muito boa, mas uma jogabilidade péssima e uma repetição gigantesca da primeira hora de jogo. Esse costuma ser o Assassin’s Creed que todo mundo jogou por algumas horas e encheu o saco por causa da repetitividade e eu não te culpo se isso aconteceu com você, porque o jogo realmente não era lá essas coisas no lançamento e realmente não envelheceu bem.

Um pequeno adendo: o jogo tem ideias boas, mas é como se eu pegasse um livro onde o primeiro capítulo dele fosse bom e os próximos 15 fossem ctrl c, ctrl v das páginas. Você não conseguiria ir até o fim, ou se conseguisse, você conseguiria ler qualquer livro. Assassin’s Creed é isso, se você consegue jogar até o fim, você termina qualquer um dos outros jogos da série.

Nota final

45
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Bela recriação da época das cruzadas
  • Excelente história

Contras

  • Jogabilidade mais atrapalha do que ajuda
  • Pouquíssimo conteúdo repetido muitas vezes durante o jogo
  • Faz você querer se matar de tédio em alguns momentos
  • Um sistema de combate baseado em “espere o inimigo atacar, aperte quadrado e veja ele morrer”
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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