Torcer para um console é uma das maiores burrices que um “gamer de verdade” pode fazer – Critical Hit

Quanto mais tempo passa, parece que o mundo fica mais extremista e polarizado, seja na política, seja em outros assuntos, e infelizmente hoje precisamos conversar um pouquinho sobre como torcer fervorosamente para uma marca é uma péssima ideia para todo mundo que bate no peito e diz que é gamer com orgulho.

Caso você não tenha acompanhado, o mundo do jornalismo brasileiro de games foi movimentado nessa semana por um caso lamentável que nos ajuda bastante a provar como o título deste artigo de opinião é relevante. Vamos a uma rápida recapitulada. Nessa semana, basicamente todo mundo postou seu review de Cuphead, aquele joguinho do capeta exclusivo para o Xbox One. Na IGN Brasil, o jogo ganhou uma nota 9 de 10, e a jornalista que assinou o review colocou nos pontos negativos que o multiplayer do jogo poderia ser caótico por causa do excesso de informação na tela.

Isso foi o suficiente para que uma página fanboy do Xbox One, cujo nome e link eu prefiro não citar aqui para não dar ibope para maluco, cobrasse a gamertag da jornalista para que ela provasse que ela realmente tinha terminado o jogo, afinal de contas, onde já se viu dar 9 de 10 para o melhor jogo já feito na face da Terra, não é mesmo? Onde já se viu uma pessoa ter uma opinião diferente da sua, não é mesmo? Não bastasse a perseguição no Twitter e comentários do review, onde um monte de garotos treinados também foram ofender a autora, o cara se prestou a fazer uma live de 2 horas para ficar falando sobre como a mídia tradicional é rasteira e prejudicial aos games, repetindo um discurso que nós ouvimos quase toda semana no mundo da política.

Caso não tenha caído ainda a ficha para você, deixa eu tentar dizer de uma vez por todas: é burrice torcer para que apenas o seu console vá bem e os outros vá mal, e você deveria parar de fazer isso e de seguir malucos que fazem isso. Por quê? Simples, quanto mais jogos, melhor, oras.

Todo mundo tem uma predileção de plataforma, mas qual o problema de admitir que ela tem problemas e que nenhuma delas é perfeita atualmente e provavelmente nunca vá ser? É muito difícil não errar nunca, e tanto Sony quanto Microsoft ou Nintendo (além da Valve no mercado de PCs) vai fazer besteiras, e na verdade os fãs deviam olhar sempre com olhos críticos pra essas marcas, não querendo criticá-las porque Sonysta/Caixista/Nintendista é tudo lixo, e sim porque nós queremos jogos e serviços cada vez melhores, afinal de contas, o objetivo final de jogar videogame e computador é nos divertirmos, termos experiências memoráveis. Custa muito raciocinar dessa forma? Não, não custa, e se você não raciocina dela, tente raciocinar, é libertador.

Como eu disse anteriormente, todo mundo tem uma plataforma favorita. A minha é o Xbox, seja porque o Xbox 360 foi o meu primeiro console da geração passada, seja porque eu acho o sistema do Xbox One muito mais prático do que o do PlayStation 4. Isso me impede de olhar os defeitos da plataforma? Não. Eu sei que o Xbox One tem um problema com a falta de exclusivos, tanto first quanto third party. Isso só me faz querer cobrar a Microsoft para que ela traga mais jogos, arrisque mais e saia da zona de conforto de Halo, Gears of War e Forza a cada 2 anos. Aliás, isso não me impediu de fazer aquela lista que mostrava que o Switch em 9 meses ia completar mais exclusivos que o Xbox One em 2 anos, e que fez o mesmo maluco citado lá pra cima fazer outra live de uma hora e pouco para falar mal do site e nos chamar de parciais. É muito tempo livre pra falar besteira.

Isso não me impede, por exemplo, de aproveitar os exclusivos do PlayStation 4, como The Last of Us, Bloodborne (que eu digo sem duvidar que é o melhor exclusivo dessa geração de consoles com sobras pro segundo colocado) e ainda assim dizer que a Sony também tem problemas, como a falta de retrocompatibilidade, a PS Plus ter só entregue lixo até mais ou menos metade desse ano ou a PSN ser lenta pra cacete pra baixar jogos por aqui, ou ainda a Sony levar uma surra da Microsoft no quesito custo benefício, seja por causa do EA Access, seja por causa do Game Pass.

A Nintendo é outra companhia que também tem um lugar especial no meu coração, mas que eu também vejo defeitos. Ela é a companhia que mais arrisca das três fabricantes de consoles. Às vezes dá muito certo, como no caso do Switch, e às vezes dá muito errado, como no caso do Wii U. Ainda assim, eu acho que o fã médio de jogos é muito duro com ela, e que ela não vive só de Mario e Zelda, mas sejamos honestos, a Nintendo nunca vai recuperar o suporte third party que ela teve nos dias do SNES e do Nintendo 64.

No mundo dos PCs é a mesma coisa. O PC perde em exclusivos pros consoles e na comodidade. Tem vezes que é mais fácil chamar um xamã pra tirar o diabo do PC do que fazer um jogo rodar nele. E nem sempre ele tem o melhor custo benefício, esse só aumenta conforme a geração atual de consoles vai ficando mais velha e as inovações de processadores e placa de vídeo vão permitindo que você consiga o mesmo desempenho dos consoles a um valor mais próximo deles para compensar essa diferença em jogos bem mais baratos, mas ainda assim, o PC também tem problemas.

Deu pra entender agora? Nenhuma plataforma é perfeita. Todas podem melhorar e muito, e é exatamente para isso que você deve torcer. Quanto mais jogos de qualidade tivermos, melhor. Mesmo que não venhamos a jogar todos, vai ter gente além de nós que vai aproveitar, e sinceramente, eu duvido muito que o maior dos caixistas não tenha um pingo de curiosidade de jogar Bloodborne ou The Last of Us, ou ainda um Sonysta não esteja curioso para jogar Gears of War 4, Halo 5 ou Crackdown 3, ou os dois grupos querem conferir Zelda: Breath of the Wild e Splatoon pra ver se eles são tudo isso (e eles são).

Sabe o que acontece quando uma plataforma ganha de maneira esmagadora da outra? O que aconteceu no mercado de processadores de PCs nos últimos 6 ou 7 anos. Se você conferir as notícias dessa semana do mundo de hardware, a Intel lançou uma nova geração de processadores, a oitava geração da família Core, e a primeira que realmente realiza um salto de performance considerável. Curiosamente, a Intel só fez isso após a AMD ter anunciado o Threadripper, aquele processador fodão deles que botava o Core i7 da geração passada no chinelo. Como a Intel teria conseguido responder os esforços da AMD em cerca de 3 meses? Não daria tempo se elas estivessem competindo de igual para igual por anos, e isso só aconteceu porque a Intel já possuía essa tecnologia guardada dentro da manga para quando a AMD se aproximasse. É isso o que vocês querem no mercado de consoles? Que uma empresa domine e que ela fique represando suas inovações de verdade para a hora em que uma ameaça de verdade chegue? Eu não quero isso.

Exemplos no mundo dos games não faltam. A Nintendo tomou muitas decisões erradas com o Nintendo 64 por soberba e deu no que deu. A Sony tomou muitas decisões erradas no PS3 por soberba e também deu no que deu. A Microsoft tomou muitas decisões erradas no anúncio do Xbox One e deu no que deu também. Quando uma fabricante de consoles fica confortável demais, ela acaba tendendo a não se esforçar realmente na próxima geração, ou ainda a se esforçar pouco em matéria de exclusivos first party, ou a prestar um serviço que poderia ser bem melhor, mas por que eles iriam fazer isso se já estão faturando, não é mesmo?

No fim das contas, quem perde é o consumidor, ou seja, nós. Por isso, e porque o texto ficou muito maior do que ele estava na minha cabeça, eu insisto: torcer para um console em detrimento dos outros é burrice. Torça para que a indústria toda tenha um crescimento saudável. Torça para que tenhamos mais e mais jogos de qualidade, serviços bem prestados e gamers felizes. Todo mundo vai sair ganhando dessa forma.

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Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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