Porque torneios exclusivamente femininos em eSports vão ajudar a aumentar o número de mulheres no cenário competitivo

Fala, galera, tudo bom com vocês?

Recentemente, um tópico tem surgido constantemente no cenário de jogadores de eSports, e esse tópico é: vale a pena ou não fazer torneios exclusivamente femininos? Por que eles existem? Não seria melhorar misturar todo mundo já que, diferente de esportes físicos, nos esportes eletrônicos não há diferenças práticas entre ser homem e mulher?

A resposta para essas perguntas é sim e não ao mesmo tempo, e hoje eu vou tentar explicar porque os torneios exclusivamente femininos não são algo ruim e porque você não deveria ser contra eles.

Antes de começar, um esclarecimento: eu não estou falando que apenas torneios femininos devem existir, e sim que, inicialmente, ou seja, agora, essa é uma boa opção, junto com a existência de torneios mistos.

Basicamente, podemos argumentar que, quanto mais torneios exclusivamente femininos, maior o incentivo para as mulheres jogarem jogos competitivos, não só porque a competição do torneio é menor (calma, eu já vou falar sobre isso) mas também porque elas se sentem melhor num ambiente 100% feminino, pelo menos enquanto parte da comunidade de jogadores ainda aprende a jogar com mulheres sem mandá-las lavar louça e encher o saco porque elas são mulheres.

Apesar das pesquisas volta e meia dizerem que há mais mulheres jogando do que homens, essas pesquisas contam qualquer tipo de jogo como válido para elas. Joga Candy Crush? Parabéns, você é gamer. Joga Tetris enquanto você está no banheiro? Parabéns, você também é! Joga CS:GO diariamente? Você também é gamer, e tão gamer quanto pessoas que jogam casualmente para essas pesquisas. Se levarmos em conta esses dados, é verdade, há mais mulheres jogando do que homens, mas onde elas estão? Jogando outros jogos, e não jogos competitivos. E o motivo disso varia desde o desinteresse (ninguém é obrigado a gostar de Counter Strike ou Overwatch, por exemplo) até ao “não estou afim de me estressar com pirralhos de 12 anos me enchendo o saco só porque eu sou mulher”.

Por causa dessa população reduzida, acaba surgindo um fenômeno normal na estatística: a menor habilidade média do público feminino. Não, eu não estou dizendo que mulheres jogam pior porque elas são mulheres, mas que, porque há menos mulheres praticando um jogo, a chance de surgirem pontos fora da curva, ou seja, jogadoras acima da média, é menor. E isso vale para praticamente qualquer coisa no mundo. Quanto mais gente praticando um esporte, maior a chance de surgirem jogadores desse esporte acima da média, e é exatamente isso o que acontece nos eSports também.

Porque há bem menos mulheres jogando, o nível médio dos times femininos é menor, e aí chegamos a uma consequência disso: o nível das jogadoras mulheres e dos times compostos por mulheres é menor do que o nível dos jogadores homens e dos times compostos por homens, principalmente no topo dos jogadores. Se pegarmos um Top 100 de jogadores de qualquer jogo hoje em dia, ele vai ser dominado por homens. Por que nenhum especialista mulher foi escolhido pra Copa do Mundo de Overwatch? Porque não há nenhuma mulher no cenário competitivo do jogo, oras, não por machismo. E por que não há mulheres no cenário competitivo? Porque há bem menos mulheres jogando do que homens, e olha que Overwatch ainda é um jogo com várias mulheres jogando. É estatística pura e simples.

Por causa disso, os torneios são dominados por homens e a existência de um torneio feminino não iria afetar em nada esse tipo de competição. Muito melhor do que jogar é jogar e ganhar, e um torneio feminino daria essa oportunidade às jogadoras. Não só jogar, mas também formar afinidades e quem sabe até ser o passo inicial de times competitivos compostos apenas por mulheres, ou até o lançamento de jogadoras mulheres que venham a integrar times mistos no futuro. Um exemplo do que eu estou falando é o time de Paladins da Black Dragons. Há uma garota no time. Ela não está lá só porque o time é modernão e quer ter uma garota lá, ela está lá porque ela joga bem. Mas quantas dela há por aí? Poucas, infelizmente. Torneios para mulheres acabariam incentivando mais jogadoras a darem a cara e a participarem desse tipo de competição, ganharem e se sentirem incentivadas a jogar mais e melhor e, com o passar do tempo, elas vão melhorando. Todo mundo melhora, é natural isso acontecer, e esse tipo de competição acaba ajudando a aumentar o nível médio das jogadoras, pois aumenta o número de jogadoras interessadas em jogar esse jogo competitivamente e assim o número de jogadoras lá no topo dos rankings aumentando.

A criação de um torneio 100% feminino não impede que torneios mistos e torneios masculinos existam. Torneios femininos não estão tirando o espaço de torneios masculinos, nem diminuindo as Prize Pools desses torneios, eles estão ali com outro objetivo, o de aumentar o número de jogadoras. É simples e é bastante intuitiva essa lógica, que talvez não tenha sido tão bem explicada por aqui, mas eu também não vi boas explicações e justificativas que não sejam tentativas de lacradas por aí, então, após ler esse texto, eu espero que você tenha entendido melhor porque torneios femininos não são algo ruim. Eles não afetam em nada a sua vida e ajudam a criar-se uma geração de jogadoras que, em breve, vai estar competindo de igual para igual não apenas com uma ou duas jogadoras por aí, que são a exceção, mas em grande número.

O outro motivo é a parte do assédio em jogos online, mas aí eu não sou ninguém para falar sobre isso, tem moças muito mais qualificadas do que eu pra tratar desse assunto, então, encerro por aqui o texto já que a parte técnica era onde eu queria tocar.

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Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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