O apocalipse não precisa ser em tons de marrom

Como você imagina o apocalipse? Prédios destruídos, ferro retorcido, barro, terra e mais terra espalhada por todos os lados em milhares de tonalidade de marrom costumam compor a resposta padrão. Um mundo morto e acinzentado, triste, cheio de morte, ventos, chuva etc. Mas ele não precisa ser assim.

Em Enslaved: Odyssey to the West, uma das joias pouco conhecidas de 2010, você assume o papel de Monkey, um prisioneiro num mundo apocalíptico dominado por máquinas que consegue escapar de sua cela e começa uma fuga da nave prisão onde ele se encontra, que está prestes a explodir. Como ele não fazia ideia de para onde ir, Monkey decide seguir uma garota que também está fugindo desesperadamente daquele lugar.

Tentando evitar spoilers o máximo do possível, Monkey e Trip, a garota, acabam escapando da nave e devem partir numa jornada de volta à vila de Trip, que fica no distante oeste, mas com uma condição, como Trip não conseguiria sobreviver à viagem, ela coloca uma tiara escravizante em Monkey, tornando-o dela. Você deve seguir as ordens de Trip, protegê-la, certificar-se de que ela não está longe o suficiente etc, adicionando um elemento inovador à jogabilidade. Não vai ser uma nem duas vezes que você vai querer bater na desgraçada por ela ter colocado tudo a perder.

Caso você seja algum conhecedor da mitologia chinesa, essa é a mesma história que foi usada como pano de fundo para a criação de Goku, de Dragon Ball. Ambos têm algo a ver com macacos e devem viajar com uma garota numa jornada, além de serem ajudados por um amigo “porco”. Notou trocentas semelhanças? Pois é.

O que difere aqui é que os personagens tê uma profundidade gigantesca. Você acaba perdoando Trip durante a viagem por ter escravizado você. Pior, você a perdoa por ser tão burra e fazer tantas besteiras. Você até começa a ficar amigo dela. Há uma conexão difícil de explicar entre os personagens, mas eles realmente parecem vivos… humanos até.

O jogo não se resume a eles, claro, você também tem Pigsy, o amigo do falecido pai de Trip, que lhe auxilia em algumas missões e é acaba tornando-se rival de Monkey, numa das rixas mais bem humoradas do videogame.

Apesar dos personagens altamente calorosos, o destaque do jogo vai para as paisagens. O mundo de Enslaved é lindo. Se o apocalipse acontecer um dia, eu realmente gostaria que fosse como ele. As paisagens são super coloridas e a natureza até me faz ter um pouco de vontade de deixar a selva de pedra de lado (mas só até eu lembrar dos mosquitos e formigas).

O jogo combina uma série de elementos na sua jogabilidade, como Stealth, Parkour, tiro, ação. É um prato cheio para quem gosta de jogos do gênero. A trilha sonora também é muito bem executada, encaixando-se perfeitamente com os ambientes criados.

Enslaved: Odyssey to the West para mim foi um dos melhores jogos de 2010. Caso você nunca tenha ouvido falar do jogo, ou tenha passado reto por ele em alguma das promoções feitas pelas lojas aqui (dá para encontrar o jogo por cerca de 60 reais aqui no Brasil mesmo), não perca a próxima oportunidade, você não vai se arrepender.

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