Quem nunca se pegou pensando como seria legal misturar dois tipos de jogo diferentes pra ver no que vai dar? Algumas ideias parecem boas, mas não funcionariam na prática. Outras, no entanto são tão interessantes que nos fazem perguntar: como ninguém pensou nisso antes?

The Swords of Ditto é mais um dos jogos com pegada alternativa publicados pela Devolver Digital, que hoje, na minha opinião, é praticamente um selo de qualidade pra jogos indie. A primeira vez que vi uma imagem de The Swords of Ditto já me senti empolgado pelo visual cartunesco, mas após descobrir que seria publicado pela Devolver eu decidi que deveria experimenta-lo de qualquer forma.

Mas vamos ao que interessa: o que é The Swords of Ditto? É meio complicado de definir numa frase, mas resumindo, é um dungeon crawler com visual cartunesco e sistemas de exploração e batalha muito parecidos com os antigos jogos da série Zelda para Super Nintendo. Só isso já seria o suficiente para tornar o título interessante para qualquer um, mas fica ainda melhor depois de se descobrir que o game conta com mapas gerados proceduralmente, o que quer dizer que você nunca vai passar pela mesma experiência duas vezes, não importa quantas vezes comece de novo.

O objetivo principal é livrar o mundo do vilão Mormo. Mas ao invés do jogo lhe oferecer tempo ilimitado para cumprir sua jornada, o jogador deve ficar atento ao prazo de quatro dias. Se morrer, um novo personagem toma seu posto. Se vencer…bom eu ainda não cheguei nessa parte.

A pegada Roguelike é interessantíssima e cativante, mas aqui o jogador realmente sente pesar por perder seus personagens, já que eles de fato parecem mais únicos do que em outros jogos similares. Outra diferença de outros games do gênero, é que a sua aventura influenciara as próximas, fazendo com que praticamente todas as experiências de um jogador fiquem interligadas de alguma forma.

Conforme se vai avançando na história, novos calabouços vão sendo liberados e com isso novas recompensas. São inúmeras armas diferentes para se usar, como espadas, arcos, tacos de golfe mágicos e até discos de frisbee. Ao invés de magias, o protagonista faz uso de “brinquedos” que conferem a ela habilidades úteis como ativação de alavancas a distância e outras coisas mais.

Os bônus do personagem também ficam a mercê de adesivos, itens especiais que podem ser equipados para garantir vantagens de força, velocidade ou defesa. Esteticamente eles não fazem muita coisa, mas as vantagens que oferecem vão com certeza te fazer caça-los a todo custo pelo mapa.

Apesar do visual bonitinho e cores brilhantes, se engana quem pensa que The Swords of Ditto é um game fácil. Logo nos primeiros instantes da primeira dungeon eu já percebi como o game exige concentração e habilidade, o que me fez temer pela vida do meu primeiro personagem. E nesse misto que medo pela vida e vontade de explorar que o jogo brilha, te recompensando pelo esforço e te punido pelos erros sem dó nem piedade.

A história no começo parece bobinha, mas com o passar do tempo você se sente tão compelido a terminar seus objetivos que passa a leva-la a sério. Os mapas, NPC’s e inimigos também podem parecer fofinhos demais para representar qualquer coisa, mas basta apertar apenas um botão para descobrir que tudo é bem diferente do que parece.

Além da quest principal, personagens aleatórios oferecem tarefas secundárias. Na maioria das vezes não se é dado muito mais do que um objetivo como “mate tantos monstros”, mas só o fato de saber que uma recompensa lhe espera no final já torna o risco de morrer para um monstro bobinho, totalmente ponderável.

Mas apesar de toda a pegada “aventura única”, The Swords of Ditto não se livra totalmente da repetibilidade de ações, justamente por ser simples e direto. Apesar da grande quantidade de inimigos diferentes, a grande maioria pode ser vencida ao se esmagar botões até a completa obliteração da barra de life. Outros já exigem um pouco mais de estratégia, mas a dinâmica da batalha fica mais a mercê da combinação dos inimigos presentes na tela, do que da individualidade de cada um.

De qualquer forma, The Swords of Ditto é uma experiência para ser apreciada individualmente. Não quer dizer com isso que você deve joga-lo sozinho, muito pelo contrário. Só enfatizo que a aventura pode ter um significado diferente para cada um. Perceba que durante toda a análise eu pouco toquei no quesito história, pois é justamente esse ponto que eu acredito ser crucial para que você decida se gosta do game, ou não.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PC fornecida pela Devolver Digital.

João Víctor Balestrin Sartor é colaborador e sex-symbol do Critical Hits. Admirador das boas histórias, almeja de verdade escrever um livro algum dia. Divide seu tempo entre à leitura, jogatina, trabalho, engenharia e quando sobra tempo, vive.

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