Quando Monster Hunter World foi anunciado no ano passado eu fiquei feliz por dois motivos: 1) Ele parecia mostrar elementos de jogabilidade inéditos e 2) Finalmente eu me veria livre dos controles engessados do 3DS.

Ok, eu sei que alguns fãs mais ferrenhos do 3DS provavelmente estão pensando o pior da minha pessoa nesse momento, mas eu realmente tive problemas para me adaptar ao Circle Pad. Perdoem minha inabilidade.

Monster Hunter é uma franquia muito antiga. Começou no PS2, em março de 2004, e de lá pra cá passou por uma série de evoluções, tornando-se uma das séries de jogos mais amadas pela sua fan-base, e mais rentáveis de todos os tempos. Apesar de ter nascido em um console de mesa – e de ter tido jogo lançados para Wii e Wii U, Monster Hunter brilhou mesmo nos portáteis, com oito jogos distribuiídos entre o PSP e o 3DS. Além disso, a Capcom dedicou os últimos títulos da série aos consoles da Nintendo, e ninguém esperava que fossemos vê-la novamente nas mãos de outra empresa tão cedo.

Monster Hunter World começa surpreendendo por ai, pois vai ganhar versões nas três principais plataformas da atualidade, menos no Switch. Mas, apesar de muita gente não ter gostado dessa mudança repentina, eu acredito que ela tenha sido muito boa para a franquia e explico por que penso assim.

Se começarmos pelo enredo, vemos que o novo caminho tomado pela Capcom tem muito potencial. O game não é um reboot na série ou algo assim, muito pelo contrário. É praticamente uma sequência direta dos jogos anteriores com a diferença de que agora ao invés de uma nova região, os caçadores de monstros resolveram se aventurar em um novo continente extremamente afastado. Literalmente um novo mundo a ser descoberto, repleto de possibilidades.

A Capcom pega carona nesse fato para justificar alguns novos “costumes” dos Hunters nesse jogo novo. O uso de “Scout Flies” ou “Guialumes” é um deles. Nos jogos anteriores, o jogador não possuia muitas indicações visuais na tela para destacar itens ou rastrs deixados pelos monstros que caçava. Além disso, caso se deparasse com um monstro no meio do caminho e não o quisesse perder de vista, era necessário utilizar um item chamado “Paintball”, que marcava o bixão no mapa e mostrava qual o caminho deixado por ele. Com os Guialumes tudo isso é desnecessário, já que esses formidáveis companheiros destacam itens no mapas, pegadas e rastros de monstros e até indicam o caminho escolhido por ele se você não ficar mosqueando pelo campo de batalha.

Outra nova adição é a arma multiuso que cada caçador passa a ter no braço. Ela tem muitas utilidades e pode ser utilizada para atirar projéteis, lançar cordas para facilitar a movimentação e até redes de captura para pequenos animais encontrados pelo cenário que tem como principal objetivo, decorar seu quarto.

São tantas informações e novidades, que fica difícil escolher qual delas merece destaque nesse review. Na verdade, Monster Hunter sempre ficou a mercê de uma característica muito única da série: sua singularidade. Os novos jogadores que tentavam se aventurar em algum dos lançamentos passados reclamavam que o jogo parecia ter sido feito para quem já era fã da série, tornando a curva de aprendizado muito maior para quem acabava de chegar. Monster Hunter World tenta mudar isso, entupindo o jogador de informações nas primeiras horas de jogo e nivelando um pouco as coisas. Agora, tanto jogadores novos quanto antigos tem novidades a aprender.

Antes de falar das mudanças nas mecânicas e nos controles, é necessário ressaltar o belíssimo trabalho que a Capcom fez com o cenário desse jogo. Eu não lembro de ter perdido o folego recentemente como perdi com Monster Hunter World, e olha que estamos vivendo a geração de títulos como The Witcher 3 e Horizon: Zero Down. O que mais impressiona aqui não é o tamanho do mapa, mas a quantidade de coisas presentes nele ao mesmo tempo. Pra todo lugar que você olha, é possível encontrar algo interessante. Os itens coletáveis parecem mais reais e os monstros interagem entre si, deixando tudo ainda mais interessante. Se você já chegou até a parte onde o Great Jagras aparece engolindo uma presa inteira, sabe do que eu estou falando.

As armas continuam as mesmas dos jogos anteriores. No total, são 14 tipos diferentes que o jogador tem a sua disposição. Cada uma delas possui características específicas, pontos fortes e fracos e peculiaridades diferentes. Posso afirmar com certeza que você não precisa se sentir preso a um tipo de arma só nesse jogo, pois dependendo do adversário, é até recomendado que você melhore e use outras armas para obter melhor desempenho.

Como se não bastasse a grande quantidade, todas as armas podem ser melhoradas através do já conhecido – e amado – sistema de evolução do jogo. Basicamente, a graça do jogo esta em caçar animais, coletar recursos e melhorar seus equipamentos. Apesar de simples, a atividade é extremamente divertida e recompensadora. Se prepare, pois você com certeza vai se pegar passando horas a fio atrás de um tipo específico de presa, só para conseguir finalizar o elmo daquele set bacanudo que viu no ferreiro.

Talvez a novidade mais elogiada de Monster Hunter World seja o robusto sistema online que o jogo conseguiu estabelecer. Infelizmente, os consoles da Nintendo são conhecidos por não possuirem uma plataforma online totalmente funcional, o que não acontece no PS4, Xbox One e PC. O jogo inclusive te incentiva a entrar na caçada de outros jogadores e te recompensa muito por jogatinas online. Mas, caso você prefira se aventurar sozinho, não tem problema. Você ainda vai conseguir se divertir muito em single-player. Tanto que esse continua sendo meu modo favorito de caçar em Monster Hunter.

Pra finalizar, os controles do jogo não poderiam estar mais bem otimizados. Como mencionei anteriormente, eu sempre tive dificuldade pra me adaptar ao Circle Pad do 3DS, fato esse que sempre me impediu de experimentar armas de longo alcance ou com movimentação muito truncada. Mas agora, com o controle do PS4, eu finalmente sinto como se o céu fosse o limite, tendo facilidade até mesmo para escolher armas consideradas ideias para jogadores mais experientes e que eu jamais tinha passado perto. É como se finalmente, eu tivesse as ferramentas necessárias para me divertir de verdade com Monster Hunter.

Infelizmente, apesar do grande sucesso que Monster Hunter World vem fazendo, não são todos os jogadores que estão felizes com o nova entrada da franquia. Mas, se você torce o nariz sem ter jogado, duvidando que vá gostar só por que prefere as versões do 3DS, eu te digo: experimente. Pode até ser que no final das contas, você continue sustentando a sua opinião. Mas há grandes possibilidades de você se surpreender positivamente, como eu me surpreendi.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS4 Pro cedida pela Capcom.

João Víctor Balestrin Sartor é colaborador e sex-symbol do Critical Hits. Admirador das boas histórias, almeja de verdade escrever um livro algum dia. Divide seu tempo entre à leitura, jogatina, trabalho, engenharia e quando sobra tempo, vive.

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