O mundo dos jogos independentes artísticos segue em franca expansão com títulos que prometem não só serem um jogo, mas uma experiência audiovisual em algum mundo distante, e é exatamente isso que Fe almeja ser. Será que o jogo consegue?

Em Fe, você controla Fe, uma criatura que parece uma raposa, e que deve explorar uma vasta floresta e ajudar outras criaturas dessa floresta. Para isso, você conta com suas habilidades naturais e com outras que você vai aprendendo conforme o jogo avança, além de poder comunicar-se e formar laços com outras criaturas da floresta numa mecânica de canto.

Um detalhe que chamou bastante a atenção no começo do jogo é que infelizmente Fe faz um mau trabalho em mostrar ao jogador o que ele quer que você faça, e isso não melhora muito conforme o game avança. Volta e meia você vai acabar meio perdido sem saber o que o jogo exatamente quer, já que a comunicação com o jogador é esparsa e bem eventual. Se essa era a ideia do time de desenvolvimento do jogo para não quebrar a imersão, eles falharam um pouco, infelizmente, já que você vai acabar parando em vários momentos e ficar dando com a cabeça na floresta para entender o que você deve fazer.

O mais engraçado é que o time da Zoink Games parece ter notado isso, já que há dois guias no jogo, um segurando o botão LB e abrindo o mini mapa e outro onde você pode invocar um pássaro para ele te mostrar por onde você deve seguir (apesar disso nem sempre dar muito certo). Ainda assim, há alguns momentos onde você tem que cumprir certas tarefas, como devolver os ovos de um pássaro gigante, onde você pode acabar passando um bom tempo pensando “o que eu devo fazer” sem achar exatamente uma resposta.

Fora esse grande problema de comunicação, Fe é um jogo bem interessante, que acaba conseguindo criar uma bela experiência audiovisual ao misturar gráficos neon com uma música calmante que faz você entrar no espírito do jogo.

A experiência em Fe é difícil de descrever, mas é interessante andar pela floresta resolvendo os problemas dos outros animais da floresta, pulando de galho em galho, planando por aí e assim por diante. Raramente é apresentado a você algum desafio realmente difícil, já que a grande dificuldade do jogo, na maioria dos casos, está em entender o que ele quer que você faça, para onde você deve ir e como você deve chegar no ponto do mapa, afinal, o mapa é plano, e o jogo é cheio de subidas, descidas e plataformas.

Conforme você vai ganhando novas habilidades, você retorna para os locais iniciais da floresta e tem acesso a novos desafios e outras áreas impossíveis de se acessar anteriormente, mas o ritmo do jogo é estranho em muitos momentos, pois parece mais que você está andando para o mapa resolvendo problemas dos outros do que realmente progredindo na história.

No fim das contas, Fe é o tipo de jogo que tem boas ideias, mas que elas poderiam ser melhor exploradas. O espetáculo visual do game é realmente muito bonito, e a trilha sonora dele é memorável, mas parece que a equipe de desenvolvimento do jogo não soube capitalizar no uso das habilidades de Fe nem na narrativa do jogo, que é praticamente inexistente. Você só sente o jogo progredindo porque Fe vai aprendendo a cantar de formas diferentes mesmo, e pensa que está próximo ao fim do jogo porque completou todas as maneiras de cantar, mas por que você faz isso? Por que você tem essa habilidade e o que você está combatendo? Essas são perguntas que o jogo falha em explicar, infelizmente.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X fornecida pela EA do Brasil.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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