Dragon Ball está no seu auge de popularidade em pelo 2018 graças a uma série de bons jogos da Bandai Namco e também a Dragon Ball Super, a mais nova série de anime de Akira Toriyama. Com tudo isso acontecendo, Dragon Ball FighterZ é para ser a cereja no bolo: um jogo de luta 2D competitivo aos moldes de clássicos do gênero e desenvolvido por alguém que entende do assunto: a Arc System Works. Será que eles conseguem entregar tudo isso?

Em Dragon Ball FighterZ, Goku e companhia enfrentam uma nova ameaça, a Androide 21, que bloqueou o poder de todos os Guerreiros Z e lançou um monte de clones na Terra para destruir tudo. Felizmente, Goku e companhia parecerem ter encontrado um novo aliado para ajudá-los nos combates, alguém que assume controle do corpo dos lutadores e ajuda a despertar parte do poder de luta de cada um deles.

A campanha do jogo é bem interessante, e recheada de cutscenes e de combates também, mas eu acabei achando ela absurdamente fácil, seja porque há diversos estágios de Tutorial (onde o jogo te ensina alguns truques de combate, como especiais fortes, correr pra frente, pulo duplo e assim por diante), seja porque os estágios de combate de verdade não chegam a ser realmente desafiadores. Ainda assim, a experiência narrativa compensa, e você fica querendo jogar “só mais um capítulo” pra ver o que acontece. Além disso, a campanha é bem longa para um jogo de luta, e pode durar entre 6 e 12 horas.

Como campanha em jogo de luta é algo secundário, falemos um pouco sobre a jogabilidade de Dragon Ball FighterZ. Fazia tempo que a Bandai Namco não lançava um jogo com sistema de combate com profundidade, e é exatamente isso o que encontramos no jogo. Apesar do sistema de combate do game ser bem simples (é possível acertar combos de 20 ou 30 hits com facilidade), você também pode ir melhorando gradativamente nele, e é possível ver a distância de habilidade entre alguém que está recém começando para alguém que realmente aprendeu a jogar o jogo. No inglês, costumam chamar isso de “easy to learn, hard to master”, ou seja, fácil de aprender, difícil de realmente dominar, e é exatamente isso o que Dragon Ball FighterZ é, um jogo onde você não vai se sentir um inútil jogando caso nunca tenha jogado com mais aprofundamento um jogo de luta, e que vai te recompensar por jogá-lo cada vez mais.

A seleção de jogadores também ajuda nisso, afinal de contas, o jogo conta com diversos personagens, entre Goku, Gohan, Gotenks, Androide 17 e assim por diante. Ao todo, são 24 lutadores englobando até mesmo personagens de Dragon Ball Super, produção mais recente de Akira Toriyama. Um detalhe importante também dos personagens do jogo é que, diferente de outros jogos baseados em Dragon Ball feitos até aqui, eles não são apenas um reskin do mesmo conjunto de movimentos, e sim personagens únicos, com habilidades únicas, movimentação única e assim por diante, ou seja, são personagens de verdade e que certamente vão agradar aos jogadores que procuram por profundidade no jogo.

Como o combate do jogo é no esquema de até 3 versus 3, você se verá obrigado a aprender a lutar com mais de um personagem, ou seja, não vai ser todo mundo que vai pegar o Goku e sair spammando Kamehameha no combate. Há estratégias a se empregar e maneiras de contra-atacar quem fica fazendo isso.

Além do modo história, o jogo conta com um modo Arcade onde você pode enfrentar 3, 5 ou 7 lutas para chegar ao final, no mesmo esquema de 3 versus 3, um modo de treinamento para você melhorar as suas habilidades, um modo online casual e um ranqueado para você ir enfrentando inimigos no mesmo nível que você e também uma galeria, para você reassistir as cutscenes do jogo que você já desbloqueou, ou seja, há uma grande quantidade de conteúdo mesmo para você aproveitar o jogo por meses a fio.

Graficamente, o jogo é um dos jogos de luta mais bonitos já feitos até hoje. É realmente impressionante ver o que a Arc System Works fez no jogo, em diversos momentos parece mais que estamos assistindo a um anime do que realmente jogando um jogo de luta. Além disso, os cenários estão bem detalhados, há belas explosões e efeitos de luta e até mesmo algumas animações especiais que eu vou evitar de comentar aqui para não estragar, enfim, o jogo é um verdadeiro espetáculo visual, e se tem uma coisa que ninguém vai reclamar é disso, dos gráficos do jogo.

A trilha sonora de Dragon Ball FighterZ também é muito boa e cheia de riffs de guitarra que ficam na cabeça, seja durante as telas de carregamento, seja nos menus e na campanha. O jogo ainda conta com dublagem em japonês, com os dubladores do anime fazendo as vezes de Goku, Vegeta e companhia, e em inglês (mas merece pagar 20 flexões por segundo quem escolher essa opção). Além disso, o jogo também conta com legendas e menus em português para você ficar por dentro de tudo.

Como nem tudo são flores, falemos sobre os defeitos do jogo, e eles são basicamente dois. O primeiro deles são os tempos de carregamento. No modo história, principalmente, o jogador vai perceber isso, quando, às vezes, você fica mais tempo carregando a partida do que lutando em si para depois voltar ao mapa e enfrentar o mesmo grupo de adversários ou um subconjunto deles e esperar o mesmo tempo de carregamento que esperou na luta anterior, ou seja, a Arc System Works poderia dar uma otimizada nessa parte para fazer os jogadores ficarem encarando as telas de loading por menos tempo.

O outro ponto negativo do jogo é que infelizmente ele não foi dublado em português. Sabemos que isso pode ser caro e uma trabalheira extra para a Bandai Namco, mas Dragon Ball é gigantesco no Brasil, e seria muito legal se pudéssemos ter a experiência completa do jogo vendo Goku sendo interpretado por Wendell Bezerra, não é mesmo?

Dito tudo isso, Dragon Ball FighterZ é tudo o que os fãs esperavam de um jogo de luta de Dragon Ball Z: extremamente divertido, cheio de conteúdo, com um sistema de combate de verdade e personagens que não são uma cópia e cola do outro. O ano recém começou, mas Dragon Ball FighterZ certamente vai estar nas listas de melhor do ano.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X fornecida pela Bandai Namco do Brasil.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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