Crash Bandicoot sempre foi um ícone do mundo dos games, desde a sua criação para o PlayStation lá no longínquo ano de 1995. Mais de duas décadas depois, a Activision fez algo que todo mundo queria há muito tempo, não apenas uma remasterização do jogo, mas um remake que traz a trilogia clássica da franquia para os fãs. Será que ela se prova ainda atual nos dias de hoje?

Em Crash Bandicoot N. Sane Trilogy você leva exatamente o que o título promete, os três jogos da franquia original com os gráficos completamente refeitos, mas com a essência desses jogos preservadas. Nos três games, você deve controlar Crash Bandicoot, e sua irmã, Coco Bandicoot, para acabar com os planos malignos do Doutor Neo Cortex em uma série de fases diferentes.

Crash foi um dos primeiros jogos de plataforma tridimensionais a ser lançados, e feito para bater de frente com Super Mario 64. Como a Naughty Dog meio que estava inventando o gênero junto com a Nintendo, podemos ver que os jogos seguem basicamente uma evolução em termos do que a própria produtora sabia de game design na época, ou seja, há acertos e erros na trilogia original, e eles foram preservados em sua forma mais pura nesse remake.

Uma das primeiras coisas que os fãs vão notar é que o jogo está absurdamente bonito até mesmo nas versões de PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch, mas ele está realmente exuberante nas versões em 4K do Xbox One X e do PC. Rapaz, ali o jogo brilha de verdade e mostra como um jogo simples de plataforma pode receber um banho de loja sensacional na sua apresentação.

Essa é basicamente a única grande novidade do jogo além de uma ou duas fases que haviam sido cortadas dos jogos originais. Exceto por isso, e por um autosave, Crash Bandicoot N. Sane Trilogy traz exatamente os mesmos jogos lançados em meados dos anos 90 para o PlayStation, e isso é bem importante de se lembrar antes de começar a jogá-los.

Por que eu falo isso? Bom, porque talvez seja melhor você começar a trilogia de trás pra frente, ou seja, com Crash Bandicoot 3: Warped, ao invés do Crash Bandicoot original. Convenhamos que você não vai perder nada da história por isso, e eu falo isso porque o Crash Bandicoot 3 é bem mais acessível do que o primeiro Crash Bandicoot, e ainda assim ele tem algumas fases que você vai querer arrancar o cabelo da cabeça morrendo sempre no mesmo lugar.

Você pode até achar que eu estou exagerando, mas a verdade é que Crash Bandicoot original envelheceu meio mal sim. As fases do primeiro jogo da franquia basicamente constituem-se de uma mecânica ou um desafio que é mostrado em sua forma fácil, em sua forma de desafio médio e em sua forma de desafio impossível. Tudo dentro da mesma fase sem deixar você respirar para continuar. Com um esquema de vida finitas, isso certamente vai acabar fazendo você dar alguns Game Over durante o jogo.

Ao que tudo indica, a Naughty Dog aprendeu com os próprios acertos e erros, já que Crash Bandicoot 2 apresenta menos fases assim e Crash Bandicoot 3 também melhora isso sensivelmente. Além disso, logo você vai notar que plataformas em 3D não são uma ideia tão boa assim, já que muitas vezes a sua sensação de profundidade não vai ser exatamente a sensação de profundidade passada pelo jogo, e um salto que tem que ser acertado milimetricamente acaba saindo errado e você voltando lá pro começo da fase ou pro checkpoint.

Todo esse rodeio é para repetir o que eu falei ali em cima, vale mais a pena jogar a trilogia de trás pra frente, pois o melhor dos três jogos é Crash Badicoot 3: Warped, seguido pelo Crash Bandicoot 2 e fechado pelo Crash Bandicoot original. Não é como se o primeiro fosse terrível, ele só não é tão bom e tão refinado quanto o terceiro mesmo.

Mas e aí, Crash Bandicoot N. Sane Trilogy vale a pena?

Crash Bandicoot N. Sane Trilogy é uma verdadeira aula de história do gênero de plataformas 3D, um banho de nostalgia e uma apresentação visual exuberante. A trilogia vale a pena sim, principalmente por causa de Crash Bandicoot 3: Warped, e eu reforço o que falei várias vezes no review, comece pelo terceiro e me agradeça depois.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X fornecida pela Activision do Brasil.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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