A minha história com Final Fantasy é bem longa e, apesar de eu não ter começado ela na época do NES (até porque eu nunca tive um) ou na época do SNES (porque eu não entendia lhufas de inglês nessa época), eu me considero um fã de Final Fantasy de longa, desde o dia em que eu vi um primo meu jogando Final Fantasy VII no PlayStation e quis comprar o jogo para poder jogá-lo também. Depois disso, foi Final Fantasy Tactics, e muitos outros jogos. Lembro de ter comprado meu Xbox 360 quando fiquei sabendo que Final Fantasy XIII seria lançado para ele e como foi grande a expectativa daquele lançamento que infelizmente acabou virando decepção. Com Final Fantasy XV, a expectativa foi a mesma, mas felizmente o resultado foi exatamente o contrário.

Em Final Fantasy XV, você vive a vida de Noctis, príncipe do reino de Lucis, um reino que é invadido pelo império de Niflheim durante as negociações de paz entre ambos os reinos. Noctis é acompanhando de três servos, Gladiolus, Prompto e Ignis, e esses quatro são basicamente todos os personagens que fazem parte do seu grupo no jogo todo, ao invés das constantes trocas de personagens que estamos acostumados em outros jogos. A ideia da Square Enix aqui é trazer uma ligação profunda, uma verdadeira irmandade que está numa jornada para reclamar o trono de Noctis de volta, e que jornada essa é.

Para isso, Noctis precisa reunir o poder das armas dos ancestrais dele e dos deuses que defendem Lucis, enquanto tenta escapar das investidas do Império e combater os inimigos que estão invadindo o país dele. Começando a nossa análise pela história do jogo, apesar dela não ser lá a mais original do mundo, ela é, sim, muito boa, e o principal foco dela, no grupo de quatro amigos viajando pelo mundo, é simplesmente único dentro da franquia. Para contar toda a história de Final Fantasy XV, a Square Enix fez nada menos do que dois ou três jogos, um anime e um filme de quase duas horas, mas você não chega a precisar exatamente consumir tudo isso. Quer dizer, você pode começar a jogar Final Fantasy XV sem ter visto tudo o que foi feito sobre o jogo antes como introdução, mas conforme você for avançando no jogo, você naturalmente vai querer consumir esses conteúdos para entender melhor como os eventos vão se desenrolando. Ainda assim, como um jogo fechado, Final Fantasy XV conta uma história muito bem fechada, com início, meio e fim.

Além de uma ótima história, Final Fantasy XV conta com alguns dos melhores personagens da série toda. Noctis é o príncipe sem paciência que quer resolver tudo de uma vez. Prompto é aquele amigo hiperativo que todo grupo de amigos tem, Ignis é o mordomo de Noctis, e a melhor descrição que eu encontrei para ele é algo como uma versão japonesa de Alfred Pennyworth, mordomo do Batman. Ele é mais ou menos isso. Já Gladiolus é o guarda costas de Noctis, que vem de uma família de guarda-costas que defende a realeza desde tempos imemoriáveis. Cada personagem tem suas próprias características e personalidades, além de tarefas próprias na jornada. Prompto, por exemplo, bate fotos como um maluco conforme a jornada avança, e você vai salvando essas fotos e relembrando da própria jornada, além de poder compartilha-las no Twiter ou no Facebook para mostrar como as suas aventuras estão sendo.

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Fora Noctis e companhia, o jogo ainda conta com outros personagens que aparecem de vez em quando, como Cid, Cindy (a mecânica que se veste de stripper e fala como uma caipira), Luna e assim por diante. Apesar de pouco explorados, já que o foco é mesmo no grupo de quatro personagens principais, em sua grande maioria, os personagens são interessantes e estão ali com um propósito dentro do jogo.

Como não poderia deixar de ser, o combate de Final Fantasy XV, que havia me deixado com sérias dúvidas sobre como seria e se seria bom, é sim excelente. Nele, você controla apenas Noctis, enquanto Prompto, Ignis e Gladiolus são controlados pela inteligência artificial. O combate do jogo baseia-se na mobilidade de Noctis e nos poderes reais que ele possui. Você pode atacar inimigos, linkar seus ataques com os dos seus aliados, bloquear ataques, usar magias (ainda que elas tenham um uso bastante restrito), usar itens, usar técnicas especiais e invocações. Apesar do sistema ser algo completamente diferente do que estamos acostumados em qualquer outro Final Fantasy, o combate de Final Fantasy XV é extremamente divertido e empolgante, sendo, de longe, a melhor mecânica do jogo.

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Para os que estavam com medo de o jogo ser excessivamente linear como Final Fantasy XIII foi (na verdade, a primeira metade do jogo era linear, com a segunda sendo mais livre, mas o começo era tão chato que você acaba enchendo o saco até chegar na parte onde o jogo te soltava), não há o que temer, mal o jogo começa e você já é largado no mapa aberto do jogo com a possibilidade de ir atrás de sidequests e do que você estiver afim de fazer. A campanha principal do jogo é excelente e, apesar das quests opcionais não estarem exatamente no nível de algumas das melhores quests de The Witcher, ainda assim há algumas que merecem destaque, como a caça do Behemoth Deadeye, que foi apresentada anteriormente no Episode Duscae. Aliás, além de quests principais e opcionais, você ainda conta com contratos de caçada, onde você pode ir atrás de monstros mais fortes para receber dinheiro (sendo a maneira mais rápida de adquirir o suado dinheiro dentro do jogo, aliás, eu nunca vi um príncipe tão pobre quanto Noctis). Para os que estavam com medo da duração do jogo, caso você jogue ele da mesma forma como provavelmente jogou The Witcher 3, ou seja, uma missão principal aqui, umas questzinhas ali e assim por diante, o jogo vai facilmente durar 40 a 50 horas para você chegar até o final dele.

Um destaque que deve ser feito durante a campanha de Final Fantasy XV são as dungeons que o jogo oferece. Elas são algumas das melhores dungeons que eu já joguei em jogos de RPG, sejam eles da franquia Final Fantasy, sejam de qualquer outra franquia. Ainda sobre as mecânicas das aventuras, o jogo conta com um sistema de noite e dia interessante, onde você não deveria querer andar por aí de noite, já que é o período do dia onde as criaturas mais fortes viajam pelo cenário do jogo. Depois de um certo tempo, você até consegue enfrentá-las, mas é melhor acampar ou ir para um motel quando a noite chegar, acredite. Nos acampamentos, Ignis faz comida para os personagens, sendo essas comidas uma espécie de bônus que Noctis e companhia podem obter no dia seguinte em força, vida, velocidade e assim por diante.

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Aliás, as noites passadas em Final Fantasy XV mostram como a Square Enix cuidou de todos os cantinhos do jogo com muito carinho. Geralmente, quando você dorme em algum jogo, ele muda para uma tela fechada. Aqui não, aqui os personagens conversam, tiram fotos juntos, jantam juntos e assim por diante. Há um verdadeiro espírito fraternal em tudo isso, e essa cena resume bem o cuidado que a companhia colocou no game. A cada noite que você passa, você absorve os pontos de experiência adquiridos no dia para dar level up. Além dos pontos de experiência, o seu personagem ainda ganha AP, para ir desbloqueando diferentes habilidades para tornar o seu grupo num verdadeiro esquadrão da pancadaria.

Um detalhe sobre o qual eu não falei ainda foi o carro. O Regalia, como é chamado, é uma adição interessante ao jogo, que fica disponível desde o começo dele. Nele, você pode viajar rapidamente de um ponto A ao B no game e, diferente de jogos como GTA, você não pode ficar correndo feito um maluco por aí, o carro meio que se controla automaticamente e você só pode usá-lo em estradas, mas ele é uma adição bem interessante, já que, durante essas viagens, novamente, os personagens interagem entre si e você ainda pode ouvir músicas de outros Final Fantasy no rádio do carro.

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Graficamente, Final Fantasy XV é simplesmente lindo. O jogo roda muito bem no PlayStation 4, e é impressionante como a Square Enix criou um mundo detalhado e cheio de vida. Os pontos de parada são interessantes e diferentes entre si, os personagens são cheios de detalhes e as cidades também são ricas nisso. Raramente o jogo tem problemas de framerate, aliás, graças ao esquema de resolução dinâmica adotado pela Square Enix em ambas as versões do jogo. A trilha sonora de todos os Final Fantasy sempre foram um destaque da franquia e aqui não é diferente. Para o meu gosto, entretanto, faltaram mais músicas que marcassem o jogo, como era na época de Nobuo Uematsu, mas a trilha sonora do jogo ainda assim é muito boa. Vale ressaltar ainda que o jogo conta com uma ótima localização nas legendas e menus em português.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PlayStation 4 fornecida pela Square Enix.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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