De todos os grandes super-heróis apresentados pela Marvel no cinema, Thor sempre foi a ovelha negra do rebanho. Desde a sua apresentação em 2011, o Deus do Trovão sempre se saiu melhor acompanhado dos Vingadores e infelizmente nunca teve um a história solo digna de sua majestade. O começo da campanha de Thor: Ragnarok já revelava que a Marvel estava disposta a quebrar esse paradigma. Os trailers, pôsteres e todo material de divulgação destacava o visual colorido com claras inspirações no lendário Jack Kirby um dos criadores do héroi nos quadrinhos. Até mesmo na escolha do diretor, Taika Waititi, especializado em filmes de comédia, demonstrava como o estúdio estava empenhado em mudar a visão que temos do filho de Odin.

Sem mais delongas, SIM! Thor: Ragnarok é o melhor filme da sua trilogia, a mudança radical de tom caiu como uma luva principalmente para Chris Hemsworth, o ator que já havia sido destaque em “Caça-Fantasmas” consegue com a pegada mais cômica elevar o seu carisma ainda mais, enquanto nos guia na sua jornada para evitar o fim do mundo. Explicando rapidamente o que é o Ragnarok, essa palavra originada da mitologia nórdica representa uma série de eventos catastróficos que cominaram na destruição de Asgard (reino dos Deuses) e Midgard (reino dos homens).

A temática pode parece um pouco séria demais, porém a abordagem é totalmente subvertida para uma aventura leve e divertida. Não dando muitos detalhes da história, a trama começa com o retorno de Hela a irmã mais velha de velha de Thor, que havia sido banida para o mundo dos mortos por Odin. O filme é basicamente dividido em dois núcleos principais: Asgard, onde a população que não foi morta tenta encontrar refúgio para escapar da fúria da Deusa da Morte e Sakar, local apelidado como o lixeiro do universo, onde Thor e Loki vão parar.

O roteiro é relativamente simples e mantem a história em um ritmo agradável, o que já é esperado de um filme da Marvel Studios. O primeiro deslize acontece na desproporcionalidade em que os núcleos são desenvolvidos, enquanto Thor vive suas aventuras como gladiador, durante boa parte do filme, a impressão é que a vilã está sentada espero que algo acontece. Mesmo a Cate Blanchett fazendo um trabalho sensacional como Hela, o pouco espaço de tela deixa a personagem carente de aprofundamento. Até mesmo a sua relação com o herói (Thor) é pobre, já que basicamente eles se encontram apenas no começo e no final do longa.

Indo para Sakar as coisas ficam um pouco melhor, o trabalho de Taika Waititi de construir toda atmosfera própria do planeta é impecável, desde as diferentes vestimentas até a arquitetura de todas as construções, com destaque para o coliseu onde acontece o primeiro encontro de Thor com Hulk. Basicamente essa dupla vai nos guiar pelo restante da história, a interação dos dois é sempre pautada por muitas piadas, no começo pode parecer um pouco estranho, mas ao longo da trama os diálogos vão ficando mais natural, principalmente quando o Hulk volta a ser o Bruce Banner. Para fechar o grupo temos a Valquiria interpretada pela Tessa Thompson, que traz uma identidade própria à personagem e o já esperado Loki de Tom Hiddleston, dessa vez com mais cara de anti-herói do que de vilão. O destaque sem dúvida fica na mão do o Grão-mestre vivido por Jeff Goldblum, o ator que fez quase todas as cenas improvisando consegue fazer um personagem secundário roubar a cena com seus trejeitos muito particulares, elevando ainda mais a estranheza daquele planeta.

Como os trailers já prometiam a trilha sonora é bastante presente em todo o filme, principalmente com referências aos anos 80 como a clássica “Immigrant Song” de Led Zeppelin. O que falta aqui é essa mesma sonoridade embalar as cenas de ação, quando as lutas realmente começam a trilha sonora é simplesmente substituída pela mesma genérica de todos os filmes da Marvel.

Thor: Ragnarok tinha um claro objetivo de mudar completamente o tom que encaramos o Deus do Trovão, essa missão foi cumprida com êxito, mesmo exagerando em alguns momentos na comédia, o saldo geral é positivo principalmente se você for assistir ao filme de forma descompromissada. Entretanto, os fãs mais ferrenhos da Marvel podem sentir uma falta de proposito, já que basicamente 90% dos acontecimentos da história não parecem ter qualquer influência direta no Universo Cinematográfico Marvel, isso pode ser um pouco preocupante, tendo em vista que esse é o penúltimo filme antes do aguardado Guerra Infinita. Talvez esse seja o preço a se pagar para finalmente termos uma boa aventura do Thor.

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