Guia prático para criar a sua primeira app em blockchain

Sejamos honestos: muita gente ainda fala de blockchain como se fosse uma espécie de magia digital. Na prática, trata-se apenas de uma forma extremamente inteligente de organizar uma base de dados para que ninguém a consiga manipular de forma indevida. Se quer criar uma aplicação neste universo, está a entrar num ecossistema onde o código dita as regras e a transparência vem por defeito.

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E o crescimento deste mercado é impossível de ignorar. Estamos a passar da pergunta “será que faz sentido desenvolver isto em blockchain?” para “porque não haveríamos de o fazer em blockchain?”. Até 2030, prevê-se que o setor ultrapasse os 1,4 biliões de dólares. É um valor impressionante, e grande parte dele já não vem apenas da especulação, mas sim de utilidade real.

O conceito-base: descentralização, sem complicações

Imagine uma folha de cálculo gigante, visível para todos, mas que ninguém consegue alterar sem o consenso dos restantes participantes. É isso, em essência, uma blockchain. Uma aplicação blockchain é o software que interage com essa estrutura.

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Vai também ouvir com frequência o termo “Web3”. Se a Web1 era de leitura, e a Web2 passou a permitir leitura e escrita, a Web3 acrescenta um novo elemento: a posse. Numa app baseada em blockchain, os utilizadores podem realmente deter os seus dados e ativos através de criptografia. Ou seja, deixa de existir aquela lógica em que uma empresa pode apagar a sua conta e, com ela, toda a sua presença digital.

A estrutura de uma app em blockchain

A maioria das aplicações blockchain atuais funciona num modelo híbrido. Têm um front-end tradicional, ou seja, a interface com que o utilizador interage, mas assentam num back-end descentralizado.

  • Smart contracts. São o motor da aplicação. Tratam-se de scripts executados na blockchain que desencadeiam ações automaticamente quando determinadas condições são cumpridas. Se acontecer X, então Y é executado. Tudo isto sem necessidade de intermediários.
  • Nodes. São os servidores da rede. Em vez de pertencerem a uma única empresa, são operados por milhares de participantes independentes que validam se cada transação é legítima.
  • Mecanismos de consenso. São o conjunto de regras que permite a todos esses nodes chegarem a acordo sobre o que é válido. Atualmente, muitas blockchains utilizam o modelo Proof of Stake, que funciona com base na quantidade de ativos detidos na rede.

Onde é que a blockchain faz realmente sentido?

A blockchain não deve ser usada para tudo. Guardar uma lista de compras num registo descentralizado, por exemplo, é uma ótima forma de gastar taxas sem qualquer benefício real. Ainda assim, há áreas em que esta tecnologia faz todo o sentido.

A revolução no gaming

Os jogos já não são apenas entretenimento. Hoje, são também economias digitais. Os jogadores podem possuir verdadeiramente os seus itens dentro do jogo através de NFTs. Para quem quer explorar este nicho, recorrer a um serviço de desenvolvimento de jogos em blockchain pode ser uma boa forma de perceber a complexidade destes ecossistemas, que podem incluir desde a emissão de ativos até marketplaces secundários.

Imobiliário e tokenização

Imagine poder comprar 1% de um prédio em Paris. A blockchain torna isso possível através da tokenização, ou seja, da divisão de um ativo físico de grande valor em milhares de frações digitais que podem ser transacionadas quase de imediato.

Identidade segura

Cansado de ter de carregar o passaporte em todos os sites? As aplicações de identidade baseadas em blockchain permitem comprovar quem é sem ter de expor documentos sensíveis. Em vez disso, partilha apenas uma prova digital de que tem mais de 18 anos ou de que é cidadão de determinado país.

O processo de desenvolvimento em 5 etapas

  1. Definir a lógica. Mapeie com precisão o que os smart contracts devem fazer. É importante lembrar que, depois de implementados, alterá-los pode ser extremamente difícil ou até impossível.
  2. Escolher a rede. Precisa de uma blockchain pública, aberta à participação de qualquer utilizador, ou de uma rede privada, destinada a uso interno empresarial?
  3. Desenvolver e testar. Escreva o código e execute-o numa testnet, ou seja, uma versão de teste da blockchain onde os fundos não têm valor real.
  4. Auditoria de segurança. Esta é, sem dúvida, a etapa mais crítica. Contrate uma entidade externa para testar a lógica da aplicação e identificar vulnerabilidades. Em blockchain, pequenos erros podem sair muito caros.
  5. Deployment. Publique o código na mainnet. Parabéns: a sua aplicação está oficialmente online.

Considerações finais

A blockchain está a amadurecer. Estamos a deixar para trás a fase em que tudo girava apenas à volta da “criptomoeda” e a entrar numa nova era, marcada pela confiança programável. Quer esteja a tentar transformar o setor financeiro ou simplesmente a criar uma forma mais eficiente de rastrear malas de luxo, a verdade é que as ferramentas disponíveis hoje são mais acessíveis do que nunca.

Crie algo que resolva um problema real, mantenha a experiência do utilizador simples e intuitiva, e nunca avance sem uma auditoria de segurança ao código. O futuro descentralizado está em aberto. Está na altura de começar a desenvolver.

 

Valteci Junior
Valteci Junior
Me chamo Valteci Junior, sou Editor-chefe do Critical Hits, formado em Jogos Digitais e escrevo sobre jogos e animes desde 2020. Desde pequeno sou apaixonado por jogos, tendo uma grande paixão por Hack and slash, Souls-Like e mais recentemente comecei a amar jogos de turno e JRPG de forma geral. Acompanho anime desde criancinha e é um sonho realizado trabalhar com duas das maiores paixões da minha vida.