Star Wars é uma das maiores, senão a maior franquia da cultura pop mundial, e como era de se esperar, ao longo dos anos, nós vimos uma gama gigantesca de jogos baseados na franquia. Um desses jogos é Star Wars Battlefront, uma franquia do começo dos anos 2000 que basicamente pega Battlefield e colocava no mundo de Star Wars para os jogadores se sentirem recriando os combates épicos do cinema. Com o retorno da franquia em 2014, muitos jogadores acharam que ficaram faltando alguns pontos importantes nessa volta, e Star Wars Battlefront 2 está aqui para tentar corrigir isso. Será que o jogo consegue?

Star Wars Battlefront 2 é um jogo dividido em dois, basicamente, e por isso vamos analisar primeiro a campanha do jogo e depois o componente multiplayer dele.

Começando pela campanha, nela controlamos Iden Versio, comandante do Inferno Squad, uma espécie de tropa de elite do Império, que deve executar uma missão final do Imperador Palpatine após os eventos de Star Wars Episódio VI: O Retorno de Jedi. Versio é uma habitante do império que não quer ver sua casa destruída pelos rebeldes, e ela acredita na missão que tem, dando assim ao jogador um ponto de vista interessante do outro lado dos combatentes.

A primeira coisa que notamos na campanha de Star Wars Battlefront 2 é que ela é bem escrita, e que poderia realmente tornar-se um filme independente de Star Wars, semelhante ao que vimos em Rogue One. Iden Versio é uma personagem interessante e bem trabalhada, e a motivação dela em defender o Império parece bem justificada.

No quesito gameplay, a campanha de Star Wars Battlefront faz um bom serviço durante boa parte do tempo. Nela, você vai trocar tiros com adversários, hackear locais, passar por partes com stealth, pilotar naves, enfim, aqui temos uma boa aplicação de quase tudo o que se faz no modo multiplayer. Um problema meio chato que eu encontrei, entretanto, é o sistema de perks que o jogo te dá acesso antes de cada missão. Caso você escolha o perk errado, azar o seu, você tem que sair da campanha e entrar na missão de novo para escolher os perks certos, e em vários casos os perks que Iden Versio tem de cara já são bons o suficiente para você dar conta do recado.

No geral, a campanha é interessante e divertida, e certamente preenche o buraco que ficou faltando em Star Wars Battlefront original, mas ela é extraordinária? Não. Ela vai revolucionar a sua vida dentro do universo de Star Wars? Também não. Ela não está ali só para checar mais uma caixa na lista de desenvolvimento do jogo e para os fãs não reclamarem, mas se você estava esperando por uma daquelas campanhas épicas que você vai lembrar por anos a fio, esqueça. Aqui temos um serviço sólido, porém nada de espetacular.

Agora vamos falar sobre o grande elefante na sala: o multiplayer do jogo, que causou tanta controvérsia desde o lançamento do jogo. Antes de falarmos sobre as loot boxes em si, falemos sobre a experiência dentro do campo de batalha: ela é divertida na maioria dos modos, porém, ela é extremamente mal balanceada. Se você começou a jogar hoje, eu só tenho a dizer que pena. O progresso realmente aumenta a sua durabilidade e o seu poder dentro de ataque no jogo, e por mais que você seja muito bom de jogos de tiro, você provavelmente vai morrer muito mais do que sobreviver no começo do jogo.

Esse problema torna as partidas frustrantes por um bom tempo até que elas passem a ser divertidas, e sinceramente, se isso não soa animador, é porque não é. O jogo poderia ter trabalhado muito melhor o sistema de progressão para que ele dependesse tanto de habilidade quanto de equipamentos que você encontra por aí. Mais de uma vez eu encontrei adversários completamente rendidos onde eu acabei morrendo porque eu não consegui tirar vida o suficiente deles até eles se virarem para mim e me derreterem a bala.

A origem disso, obviamente, está no sistema de lootboxes e progressão do jogo. Infelizmente a Electronic Arts criou um dos sistemas mais perversos já feitos na história do videogame, cujo objetivo central não é auxiliar o jogador a tornar-se mais forte, e sim convencê-lo a gastar mais dinheiro em cima de um jogo que ele já gastou 250 a 300 reais para adquirir.

Por causa disso, você tem que jogar uma porrada de partidas para comprar uma caixa de loot, e então torcer que essa caixa de loot tenha algum equipamento útil para você, senão você é obrigado a jogar mais partidas com o seu personagem em desvantagem e repetir. Claro, a EA desligou o sistema de microtransações do jogo temporariamente após toda a repercussão negativa do lançamento, mas ainda assim, é questão de tempo até ele voltar e os jogadores terem que optar por perder um tempão até terem personagens úteis no multiplayer, ou gastarem mais dinheiro em cima de um valor que eles já investiram inicialmente.

E por causa desse problema de progressão, infelizmente boa parte das características positivas de Star Wars Battlefront 2 acabam escondidas. A jogabilidade do modo de combate é muito boa. Há mobilidade, há agilidade, há precisão de tiros, há um sistema com o active reloading de Gears of War, há uma boa gama de cenários e de personagens, enfim, há um sólido jogo de tiro que infelizmente é soterrado por um sistema de progressão perverso, e que acaba prejudicando o aproveitamento dos jogadores desse jogo.

Se por ventura você conseguir vencer essa barreira de grinding por melhores equipamentos, o jogo acaba abrindo e ficando melhor, mas aí estamos no outro lado da moeda desse desbalanceamento do progresso: o combate acaba ficando trivial para você, afinal de contas, o adversário precisa de muito mais tiros para te matar do que você precisa para matá-lo. Dessa forma, você fica nessas de ou apanhar repetidamente ou bater na maioria dos inimigos sem problemas. Realmente acabou faltando um trabalho de balanceamento e de semancol por parte da EA na hora de monetizar o jogo.

Graficamente, Star Wars Battlefront 2 é um dos jogos mais bonitos do ano com sobras. Na versão de PC, usada para esse review, o jogo ficou muito bem otimizado e é possível conseguir mais de 144 frames por segundo com tudo no máximo usando uma Geforce 1080, aproveitando-se assim de um monitor 144 hertz e deixando o jogo ainda mais fluído e bonito do que ele já é originalmente.

A trilha sonora do jogo também é muito boa, e digna da franquia Star Wars. Vale ressaltar ainda que o jogo vem tanto legendado em português quanto dublado no nosso idioma, e a dublagem é competente.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PC fornecida pela Electronic Arts do Brasil.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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