Depois de mais de dez meses de espera, Not a Hero – a mais importante DLC de Resident Evil 7 foi lançada e chegou cercada de expectativa.

Declarada pela própria Capcom como o “verdadeiro final de Resident Evil 7”, NaH carregava a expectativa de responder algumas questões importantes deixadas em aberto durante o jogo principal, além de trazer Chris Redfield como protagonista, sendo ele a grande ligação de RE7 com o restante da franquia, já que o jogo traz apenas personagens novos e inéditos – com exceção do próprio Chris que faz apenas uma pontual e importante aparição já na cena final do jogo.

Confira nosso review de Resident Evil 7

Após resgatar Ethan e Mia Winters, Chris e seu esquadrão da Umbrella (sim, você leu certo: Umbrella), partem em busca de Lucas Baker, filho de Jack e Marguerite que conduzira experimentos com o mofo e possuira ligações com empresas ligadas ao tráfico de armas virais e bio-orgânicas, as famosas BOWs.

Esse é o panorama geral da DLC, que tem importantes e sutis diferenças de jogabilidade em relação ao jogo principal, e que coloca o jogador em confronto direto com o mais insano dos Bakers, afinal, como ficou claro na história principal, Lucas possuía consciência de todas suas atrocidades, e com uma mente psicótica e ao mesmo tempo genial, torna o filho mais velho dos Baker em um psicopata com uma periculosidade que chega a níveis extremos.

Continuação do que não acabou

A história de Ethan Winters é apenas a ponta do iceberg em Resident Evil 7. Sua busca por Mia o levou a se envolver em uma conspiração que foi muito além do que poderia imaginar. Não vou aqui entrar em detalhes sobre a trama do jogo principal, mas a verdade é que tudo nele dava a impressão de que algo maior estava acontecendo, e de fato estava.

Toda história envolvendo Mia, Eveline e os experimentos com a jovem garota trouxeram à tona a BSAA e a Umbrella – que fora reformada em 2007 e se tornou uma organização que luta CONTRA o bioterrorismo, apesar de deixar no ar a impressão de que ainda há algo de pode por trás da agora Umbrella “Azul”.

Chris Redfield, um dos maiores expoentes da luta contra o bioterrorismo continua a serviço da BSAA, mas “emprestado” para a tal Umbrella Azul na busca por Eveline e posteriormente por Lucas e seus experimentos e conexões.

Com o claro objetivo de capturar Eveline e Lucas, Chris vê seu primeiro alvo morrer pelas mãos de Ethan, então volta suas atenções para Lucas. A suspeita é que ele conduzira experimentos e possuíra conexões com uma empresa ligada ao comércio de BOWs. Engenhoso, Lucas usa suas armadilhas mortais para capturar alguns soldados de Chris e também para retardar o avanço do capitão da BSAA.

Sutis e importantes diferenças

Em meio a uma série de armadilhas mortais, dezenas de mofados tradicionais e também de uma nova espécie de mofado – praticamente imune aos disparos normais da arma de Chris, o jogador deve trilhar um caminho tortuoso infestado de inimigos e cheio de puzzles para poder enfim confrontar Lucas.

Mais focado na ação do que o jogo principal, Not a Hero oferece uma quantidade bastante razoável de recursos como munições e itens de cura, além da interessante possibilidade de melhorar os equipamentos de Chris com máscaras mais resistentes à contaminação do ar e visão noturna, que são essenciais para a progressão dentro do mapa da DLC.

As decisões tomadas durante o gameplay quase sempre tem consequências imediatas, e resolver trilhar um determinado no momento inadequado quase sempre representa a morte certa. O mesmo vale para a resolução de alguns puzzles e ações precipitadas que podem fazer Chris ou seus soldados terem morte instantânea, além de enfestar o cenário com uma horda de inimigos que nem sempre precisam ser mortos.

Como é praxe com Chris desde Resident Evil 5, ele faz uso da mais pura força bruta em determinados momentos, sendo possível atirar nos inimigos para atordoá-los e finalizá-los com um soco devastador no melhor estilo Chris soca-pedras de RE5.

Esse recurso inclusive, é uma grande arma para poupar munição, especialmente contra os tipos mais comuns de mofados e quando não há grandes aglomerações de inimigos.

Assim como ocorre na história principal, os files são fundamentais para a total compreensão da história, e encontrá-los não é um grande problema já que a enorme maioria deles está localizada próximos à elementos chave para a progressão dentro dos cenários.

Vítima de seu próprio hype

Problema comum com jogos ou expansões cercadas de grande expectativa, Not a Hero também sofreu com o hype criado em torno de si – e é importante dizer que muito desse hype foi criado pela própria Capcom.

O final do jogo principal foi o mesmo tempo satisfatório e inconclusivo. Satisfatório pensando-se na jornada de Ethan em busca de Mia e nas batalhas travadas contra a família Baker e Eveline. Inconclusivo pela presença de Chris Redfield saindo de um helicóptero da Umbrella na última cena do jogo, nas possíveis ramificações das pesquisas com Evie e envolvendo também Lucas e suas conexões.

Some a isso o atraso de meio ano no lançamento por conta da necessidade de refazer a DLC do começo (a Capcom alegou baixa qualidade no conteúdo produzido por uma third-party e tomou para si a produção). Temos então um cenário onde além de RE7 perder sua relevância em meio à tantos grandes lançamentos durante o tempo que passou, os fãs que ainda contavam os dias para a chegada de Not e Hero foram ficando cada vez mais ávidos por respostas, plot-twists, e novidades importantes em cima da história. Tudo o que NaH não traz…

Apesar de ser divertida e bastante fluída, a DLC deixa a desejar por conta de todo o hype criado em cima dela. No lugar de respostas, conteúdo importante para a história global da franquia e tudo mais que os jogadores esperavam, tivemos apenas um competente extra focado na ação e que coloca um ponto final no ciclo da família Baker.

As adições e respostas dadas com relação à Chris Redfield, BSAA, Umbrella Azul, Eveline e Lucas, não são nem de perto o que os fãs esperavam: são pequenas adições, meias-respostas e semi-conclusões que na verdade seguem a linha do próprio RE7: um jogo que primou por trazer para o âmbito mais pessoal a história, deixando de lado a megalomania que passou a tomar conta da franquia especialmente após RE4.

Embora RE7 seja um jogo relativamente curto – média de 10 horas em um first play -, Not a Hero também peca pela sua duração: cerca de uma hora e meia. Foram dez meses esperando seu lançamento para enfim termos uma expansão que dura pouco mais do que o episódio de uma série de TV. Além disso, um amontoado de clichês, daqueles bem típicos de Resident Evil, se espalham durante a progressão, tornando quase tudo muito previsível.

Tudo isso deixa um gosto de doce-féu na boca dos fãs, que esperavam por resoluções mais importantes dentro do aspecto global da franquia, mas tiveram apenas o gostinho do desfecho de um jogo que pouco tem ligação com o restante da franquia.

Por muitos anos Ceraldi foi um dos responsáveis pela maior comunidade de Resident Evil da América Latina. Hoje, além de trabalhar como UI/UX Designer, se dedica (menos do que gostaria) ao Critical Hits, tentar cumprir seu papel de homem de família em meio à video games, séries, futebol e NBA.

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