A Red Barrels chocou o mundo com Outlast e foi uma das empresas responsáveis pela ressurgência do gênero Survival Horror há alguns anos, servindo até de inspiração para a, não tão mitológica, franquia na época, Resident Evil rejuvenescer-se e incorporar vários dos seus elementos em Resident Evil 7. Com Outlast 2, a companhia quer continuar onde teve sucesso: aterrorizar completamente os jogadores. Será que ela consegue esse feito?

Em Outlast 2, você vive Blake Langermann, um jornalista investigativo e camera man, que está atrás da própria esposa, que desapareceu enquanto investigava o brutal assassinato de uma jovem sem nome. A esposa de Blake, Lynn, desapareceu na região de Supai, que é conhecida por ter um culto bizarro, e ele agora deve encontrá-la e tentar sobreviver a um terror que provavelmente vai fazer você pensar duas vezes em muitos dos momentos do jogo se quer avançar mesmo ou não.

Como no jogo original, Blake não é um lutador, muito menos uma pessoa adepta a sobrevivência, ou seja, você mais uma vez controla um personagem que só tem duas opções, correr ou morrer, algo que me incomoda um pouco em jogos de terror, mas que é usado ao extremo em Outlast 2 para que você se sinta sempre em xeque. A ideia do jogo é: você deve esconder-se, você deve rastejar, você deve ver algumas brutalidades que provavelmente vão te deixar mal até fora do jogo, e você deve sobreviver a tudo isso de alguma maneira, e já fica o aviso: se você é sensível a temas como gore extremo, abuso sexual e fanatismo religioso, esse jogo não é para você.

Durante o jogo, a ideia principal de Outlast 2 é que o seu personagem, tem basicamente dois objetivos: encontrar a própria mulher, como já citamos acima, e provar que existe um culto fanático na região e que eles devem ser presos, mortos, exterminados ou algo do tipo, ou que a pessoa que encontrar o seu corpo provavelmente encontrará essas provas com ele. Para isso, você vai anotando coisas, filmando cenas horríveis, pedaços de corpos decepados, sejam eles de adultos ou de crianças, filmar malucos armados de facas correndo na sua direção e assim por diante.

O seu papel ali não é intervir e acabar com tudo, como Ethan fez em Resident Evil 7, por exemplo, é documentar e trazer aquilo para a posteridade, e, mesmo eu que não gosto muito de “Walking Simulators de Terror”, ou seja, jogos de terror que te transformam num peso de papel que só sabe correr e esconder-se, achei a justificativa da Red Barrels para esse estilo de gameplay interessante. Diferente de outros jogos que simplesmente dizem “ok, você não serve pra nada e não consegue nem dar um soco para defender-se”, aqui realmente há um motivo para isso, ainda que poder matar um aqui e outro ali não tiraria totalmente o terror do jogo.

Por falar em terror, Outlast 2 é horrível, num bom sentido. O jogo realmente te força a todo tipo de situações desconfortáveis e com uma frequência acima da média. Viu um diabo mijando na cabeça de um morto numa vala? Não duvide que você vai ter que rastejar-se por lá daqui a pouco. Viu algo acontecendo de horrível? É lá que o jogo vai te mandar na sequência, e assim por diante. Esse truque meio que é usado constantemente em Outlast 2, mas é um truque efetivo, o de fazer você enfrentar o seu medo, de colocar você diante dele e, pior, você vai ter que vivê-lo, já que não é possível dar um soco na cara dele e fazê-lo parar.

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Dentro do jogo, a Red Barrels não poupou nem um pouco a narrativa e o fato do jogo ter ganho um rating para adultos. Você vai encontrar abuso doméstico, violência sexual, tortura, aproveitamento religioso, líderes corruptos, alusões a cultos suicidas americanos e assim por diante. O jogo realmente é bastante pesado nesse sentido e, por isso eu reafirmo, se você não tem um estômago forte para essas coisas, esse jogo realmente não é pra você, e um dos pontos mais enfatizados dentro do jogo é o terror que as mulheres passam dentro desse culto, afinal de contas, estamos falando de fanáticos religiosos. O pau canta em casa. Meninas e mulheres apanham e são forçadas a fazerem o que não querem. E você vai acompanhar esse sofrimento de perto.

O único grande problema da história de Outlast 2 é que ela fica muito tempo nesse tópico e entra de cabeça no culto, mas nunca evolui muito disso. Não há uma grande revelação, o seu personagem simplesmente, do nada, volta a procurar a mulher dele e pronto, e aquela promessa de que algo muito foda vai acontecer a qualquer momento nunca é cumprida, o que é uma pena, afinal, o jogo faz quase todo o resto de maneira impecável. No fim, pouco é explicado também, principalmente em relação a partes sobrenaturais que acontecem durante o jogo.

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Mas e o jogo vale a pena? Olha, como eu disse anteriormente, Outlast 2 é um jogo pesadíssimo. Se você tem um estômago fraco, se você perde o sono fácil e assim por diante, esse não é um jogo pra você, pois ele vai te deixar mal de verdade com o pior lado possível do ser humano e, por mais que o jogo não seja baseado em fatos reais, ele é inspirado em alguns deles. Se você não tem problemas com isso, e é masoquista com o terror, esse é um jogo pra você, só lembre-se, você não tem nenhum tipo de defesa além de correr e se esconder, e isso é algo que me agonia profundamente em jogos.

Graficamente, Outlast 2 é um jogo cheio de gore, cheio de violência, sangue e de entranhas, e o jogo cumpre muito bem esse papel nos gráficos. Você provavelmente vai ficar com nojo e agoniado, então, sim, os gráficos de Outlast 2 cumprem muito bem o que se propõem. A trilha sonora do jogo também é muito bem executada, e felizmente o jogo está legendado em português, para que quem não domina o idioma inglês possa entender sem problemas o que está acontecendo no jogo.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One fornecida pela publisher.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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