Conforme o tempo vai passando, os consoles vão melhorando e os jogos vão mudando. Mesmo assim, alguns jogos atuais parecem oferecer a mesma sensação de vislumbre de alguns títulos mais antigos, mesmo que toda a estrutura destes tenha sido aprimorada com uma série de novidades de gameplay.

Ni No Kuni foi um jogo ambicioso, com uma proposta nova e um enredo sensacional, que conquistou corações na geração passada. Lançado pela Level 5 em parceria com o Studio Ghibli, o game até hoje é celebrado como um dos melhores enredos dos games de todos os tempo. E é claro que o segundo jogo da série não poderia deixar a nível cair.

É difícil explicar como dois jogos tão semelhantes conseguem ser tão diferentes, mas dependentes entre si. Os acontecimentos de Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom se passam cerca de 200 anos após o primeiro jogo. Mas aventura primordial é tão intrínseca no enredo, que conhece-la mais a fundo faz toda a diferença.

O significado de “Ni No Kuni” é algo parecido como “Dois Mundos”. No primeiro game, Oliver, o protagonista, acabou entrando no mundo de fantasia para superar seus danos emocionais e tentar reviver a sua mãe falecida. Já no segundo a proposta se repete, mas dessa vez o transportado é ninguém menos do que o presidente dos Estados Unidos da America – ou pelo menos é isso que o jogo quer que você pense.

Apesar desse detalhe, o protagonismo não é tão bem defino em Ni No Kuni 2. Ao mesmo tempo que o jogador divide seu tempo pensando na história de Robert – o líder que se encontra imerso em um novo mundo rejuvenescido, também tem de se preocupar com Evan, um príncipe deposto que luta para reconstruir um novo reino onde todos possam viver em paz. O encontro destes dois personagens serve como introdução para toda a experiência que esta por vir adiante e prepara o jogador para uma história que é ao mesmo tempo emocionante e divertidíssima.

As mecânicas de batalha, seleção de armas, skills e todo o resto segue basicamente os critérios estabelecidos no primeiro jogo, mas com algumas mudanças que visam adaptar o gameplay à nova geração. O jogo se divide em vários momentos diferentes, fazendo com que o jogador se pegue alternando entre batalhas convencionais, momentos de “real time strategy” e gerencimento de recursos para a construção do seu novo reino. Essa oscilação entre atividades proporciona uma dinâmica interessante e desafiadora, capaz de prender o jogador à tela da televisão por longos momentos.

A exploração e o desenvolvimento dos personagens serão, provavelmente, as recompensas mais interessantes que o jogador encontrará durante o jogo. Não se trata somente de encontrar novos equipamentos para deixar seu personagem mais forte, mas sim de caminhar ao lado de cada um deles enquanto se desenvolvem e participam ativamente da história. Cada um deles possui afinidades e atributos específicos que os tornam mais aptos a lidar com algumas situações diferentes, mas todos são igualmente divertidos de jogar a ponto de que o rodízio entre eles se torne divertido e “justo”. O desenrolar da história fará com que o você se importe igualmente com cada um deles, como se o grupo fosse mais importante até do que as histórias e motivos pessoais de cada um.

No quesito gráficos, Ni No Kuni 2 continua tão bonito e interessante quanto seu predecessor. O estilo de arte do jogo torna a jornada épica, com inúmeros personagens marcantes e inesquecíveis ao longo do caminho que farão tudo ficar mais interessante mesmo nos momentos onde os diálogos são mais intensos. A consrução do mapa, dos cenários e até dos inimigos mais comuns parecem ter sido pensados da forma mais lúdica possivel, a fim de tornar o visual real ao mesmo tempo que parece tirado de um livro de conto de fadas. Há quem possa pensar que o visual do jogo seja infantil e um tanto bobo, mas bastam alguns minutos em frente à TV para que se perceba a profundidade do enrendo e o tamanho de Ni No Kuni 2.

Talvez o único ponto negativo do jogo seja a repetitividade que já é comum neste tipo de jogo. São inúmeros encontros de batalha onde o apertar de botões pode ser mais importante do que a estratégia adotada, e devido a isso alguns momentos podem não ser tão interessantes. Mas tudo é compensado pela vontade de descobrir o que se esconde atrás da próxima porta, adiante à próxima colina e quais serão o destino dos personagens.

Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom talvez seja melhor definido como um RPG das antigas feito nos moldes atuais. Uma história com profundidade e tão bem criada que a torna digna de ser comparada com outros grandes clássicos como Chrono Trigger e Final Fantasy. Um jogo obrigatório para quem aprecia bons RPG’s e uma experiência que só pode ser definida como recompensadora, é o que você vai encontrar aqui.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS4 Pro fornecida pela publisher.

João Víctor Balestrin Sartor é colaborador e sex-symbol do Critical Hits. Admirador das boas histórias, almeja de verdade escrever um livro algum dia. Divide seu tempo entre à leitura, jogatina, trabalho, engenharia e quando sobra tempo, vive.

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