Poucos são os jogos que tentam tratar sobre aspectos comuns da vida adolescente, menos ainda os que são bem sucedidos. Life is Strange é um desses poucos jogos que assume esse desafio e ainda por cima joga um pouco de sobrenaturalidade no pacote. Será que o jogo Dontnod Entertainment, mesma produtora de Remember Me, consegue sair-se bem nesses quesitos? É o que vamos descobrir.

No primeiro capítulo de Life is Strange, Chrysalis, você controla Max Caulfield, uma jovem estudante de fotografia que, assim como todo jovem que recém fez 18 anos, tem um mundo de preocupações e passa boa parte do tempo dentro da própria cabeça pensando mais do que agindo. Max seria como qualquer outra garota, não fosse o fato de ela ter descoberto meio que por acaso que ela consegue fazer o tempo voltar, e é aí que os problemas dela começam.

O jogo inicia com uma cena de temporal onde você tem que avançar e que lembra bastante Alan Wake, mas essa primeira impressão é rapidamente superada e você vai parar numa sala de aula. Nisso, você é apresentado ao estilo de jogo de Life is Strange, que funciona mais ou menos como um adventure da Telltale, mas com mais opções de interações entre os objetos da tela, assim como as opções de resposta, de como você quer agir em situações de pressão, etc. Boa parte do jogo se passa ou com Max pensando sobre pessoas e objetos ou conversando com essas pessoas.

Após o jogo te apresentar um pouco de alguns personagens da trama e dos comandos básicos do jogo, você finalmente descobre seu poder de voltar no tempo, e é aí que o jogo começa de fato. Em Life is Strange, você tem o poder de volta no tempo, algo que já foi abordado em alguns jogos, como Super Time Force e Braid, mas o enfoque aqui é bem mais no estilo “O Efeito Borboleta”, ou seja, suas ações afetam tanto o presente, quanto o passado e o futuro, e você tem que pensar bem durante o avanço do dia se faz o tempo voltar, se muda sua decisão e se tenta evitar ou corrigir algum evento do dia.

E como isso funciona? Muito bem, obrigado. Life is Strange tem um sistema de volta no tempo em que toda ação tem uma consequência e que pode ou não ser revertida. Por exemplo, uma ação tomada por você nos primeiros 10 minutos de jogo só tem efeito dela lá pelo fim da primeira hora, quando você talvez nem lembre mais disso, além de te dar a vontade de voltar no tempo só pra corrigir isso e ver o que aconteceria depois.

Essa sacada de Life is Strange realmente adiciona profundidade ao jogo porque várias das partes de Life is Strange precisam ser corrigidas usando a volta ao tempo, seja situações da vida de Max, seja alguns quebra cabeças que você tem que resolver. A princípio, o sistema parece bem besta e simples, mas conforme o jogo vai aproveitando para desenvolve-lo, você percebe que ele é bem profundo e que o jogo foi muito bem pensado em cima dele.

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Outro ponto realmente forte do jogo são os personagens. A Dontnod Entertainment fez um serviço bem interessante em escreve-los. Eles são em sua maioria adolescentes ou jovens adultos, cada um com seus problemas, suas frases de efeito, enfim, os personagens realmente dão a impressão de serem vivos e não apenas estarem ali fazendo figuração.

Max é um ótimo exemplo disso, a jovem de 18 anos é bastante introvertida e não se adaptou a nenhum grupo social desde que voltou a Arcadia Bay, no estado do Oregon. Por isso, ela acaba passando boa parte do tempo dentro da própria mente, fazendo comentários sobre as pessoas ou os eventos que vão acontecendo. Conforme você vai jogando, inclusive, é possível usar os poderes de viagem no tempo de Max para socializar-se com alguns dos personagens da Universidade onde ela está estudando fotografia.

Aliás, fotografia também é um ponto importante do jogo, já que um dos objetivos secundários do game é coletar uma série de fotos opcionais que vão surgindo pelo game. Max aspira ser uma fotógrafa profissional e foi para a Universidade por isso. Ela ama fotografias instantâneas e vive com sua máquina fotográfica no pescoço.

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Mas e qual o grande objetivo do jogo? Apesar de tocar pouco no assunto no primeiro capítulo, em Life is Strange, Max (que saiu de Arcadia Town cinco anos antes dos eventos do jogo e só agora retornou) e sua amiga de infância, Chloe Price (que perdeu o pai no mesmo ano em que Max saiu da cidade) estão investigando o desaparecimento de Rachel Amber, uma garota que acabou tornando-se a melhor amiga de Chloe depois da partida de Max e do falecimento do pai dela. Além disso, sem dar spoilers, você deve descobrir como Max conseguiu controlar o tempo.

Graficamente, Life is Strange tem um estilo próprio bem bonito. Os gráficos são fluídos, exceto por um instante ou outro, e bem estilosos. Todos os cenários são muito detalhados e cheios de objetos para você explorar. É possível perder entre duas horas e meia e seis horas apenas nesse primeiro capítulo de Life is Strange só fuçando tudo o que foi deixado no cenário para ser explorado.

A trilha sonora do game é muito boa também, além da dublagem ser bem feita. Entretanto, na versão de Xbox One usada nesse review, deu para notar que a sincronia entre as animações de fala dos personagens e as falas em si estão cum um delay, ou seja, o personagem começa a mexer a boca primeiro e só depois a voz sai. Isso é bem agoniante.

Review elaborado em uma cópia digital de Xbox One fornecida pela Square Enix

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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