A vida é feita de poucas certezas, e uma delas é que praticamente todo ano teremos um novo Forza sendo lançado para o Xbox One (e agora para o Windows 10 também). Com lançamentos anuais, é difícil trazer grandes novidades, ainda mais num gênero onde a fórmula de correr, ganhar dinheiro, comprar carros melhores e correr mais parece ser o suficiente para agradar o público. Como construir em cima disso então? Diversificando o máximo possível a experiência e adicionando realismo, e é exatamente isso o que Forza 7 tenta fazer. Será que o jogo consegue?

Forza 7 começa mais ou menos da mesma forma como os últimos jogos da franquia, você corre em um evento teste para ir aprendendo sobre as novidades do jogo, ganha um pouco de dinheiro, compra o seu primeiro carro e vai à luta atrás de fama, fortuna e de experiências cada vez mais velozes. Isso não mudou em absolutamente nada em Forza Motorsport 7, mas parece que a cada ano a Microsoft consegue refinar mais ainda o seu jogo de corrida e transformá-lo numa experiência cada vez mais definitiva.

Do ponto de vista da jogabilidade, a grande promessa do ano é o sistema de tempo dinâmico, onde do nada pode começar um temporal no meio da sua corrida, ou a chuva dar espaço a um clarão ou outra das várias combinações de tempo que são possíveis dentro do game. Seja como for, esse sistema é bem interessante e bem executado, e pode pegar você de surpresa ou até te ajudar em algumas situações onde você possa estar perdendo.

Exceto por essa novidade, no departamento do gameplay, Forza 7 é basicamente o bom e velho Forza que os donos de Xbox estão acostumados a jogar desde a época do Xbox 360, onde a fórmula de correr, ganhar dinheiro, comprar carros, refinar carros e assim por diante é muito bem aplicada. O jogo oferece uma porrada de carros (mais de 700) e uma bela diversidade de pistas, com conteúdo o suficiente para você investir uma boa quantidade de horas da sua vida.

Além disso, há uma série de opções que aumentam e diminuem a dificuldade do jogo, como a já conhecida linha para fazer curvas, uma opção onde você freia automaticamente em curvas, marchas automáticas ou manuais, dificuldade imposta pelos jogadores controlados pela CPU (novamente usando o sistema de Drivatar) e assim por diante. Um detalhe que possivelmente possa deixar alguns jogadores descontentes aqui é que o sistema de dificuldade do jogo foi alterado.

Anteriormente, você ia ganhando mais créditos no game conforme desligava sistemas de assistência, além de aumentar a dificuldade. Apenas o aumento de dificuldade aumenta a quantidade de créditos que você ganha no novo sistema, e agora Forza 7 conta com um sistema de caixas de loot onde você gasta o mesmo dinheiro que você iria gastar para comprar carros (ou dinheiro de verdade) para comprar essas caixas.

Por meio dessas caixas, você obtém carros novos, itens de customização para o seu piloto e Mods, que servem exatamente para substituir o sistema antigo de créditos por assistências. Você pode inserir, por exemplo, um mod que desliga a estabilidade do carro (e que deixa o jogo com a sensação de que você está dirigindo numa pista ensaboada) para ganhar mais 50% de créditos no final da partida. Cada mod tem um número de usos finito, e para obter mais, você precisa gastar mais dinheiro comprando mais caixas de loot.

Particularmente, eu não gostei desse sistema, já que ele acaba diminuindo a velocidade de progresso dentro do jogo. E se o mod que você colocou não retornar mais créditos do que você gastou para comprar a caixa em que ele veio? Isso é algo que pode acontecer, e num jogo onde o seu objetivo é comprar mais carros e correr em mais corridas novas, ter que ficar repetindo corridas antigas para farmar dinheiro e então poder comprar novos carros me parece contraproducente.

Jogadores que tiverem comprado o passe VIP do jogo ganharam um milhão de créditos e usos finitos também do sistema de VIP. Como houve reclamações generalizadas (afinal, 20 dólares por 25 usos do sistema VIP não é legal), ele vai passar a ser infinito numa atualização futura, mas parece que, de cara, o jogo exige um pagamento acima dos 60 dólares para que a sua vida comprando carros seja mais tranquila. Isso lembra um pouco os problemas e reclamações que os fãs tiveram em Forza 5, onde a Turn 10 também teve que mexer no sistema de economia do jogo após o lançamento, e eu não duvido que isso acabe acontecendo, mesmo com essa mudança no sistema VIP, afinal, jogadores não VIPs acabam prejudicados nesse sentido.

Para completar, falemos um pouquinho mais sobre a quantidade de carros que Forza 7 tem: ela é imensa. Você dificilmente vai chegar a ter todos os carros, e se você é uma pessoa com dificuldades de escolha, você provavelmente vai passar muito tempo escolhendo carros novos para a sua garagem, desde carros que saíram ainda nesse ano a carros que provavelmente têm a idade ou são até mais velhos que os seus pais. E o mais legal de tudo é que há lugar pra cada um deles dentro do jogo, com eventos direcionados para cada uma das categorias inclusas dentro do jogo.

Como você pode ver, Forza 7, do ponto de vista do gameplay, é um dos melhores, senão o melhor jogo de corrida que eu já joguei, porém, o sistema de economia do jogo, no seu estágio atual, infelizmente pode acabar prejudicando a experiência de alguns jogadores e o progresso deles.

Graficamente, Forza 7 está realmente muito bonito, seja nos detalhes dos carros, seja nas pistas, seja no sistema de tempo dinâmico, que realmente funciona de uma maneira muito interessante e contribui demais para o espetáculo visual que Forza Motorsport 7 é. A trilha sonora do jogo infelizmente deixa a desejar, já que em muitas corridas ouvimos apenas o som dos motores dos carros e nada mais. Seria legal se o jogo tivesse trazido algumas rádios ou algo do tipo, mas também o jogador não vai morrer por ligar o Spotify em segundo plano para ouvir algo que lhe agrade enquanto corre por aí.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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