Talvez você ainda não tenha se dado conta, mas a forma como jogos são vendidos hoje é totalmente diferente do que há 10 anos atrás.

Se formos traçar uma linha do tempo de 2007 pra cá, podemos citar um punhado de mudanças significativas principalmente em solo brasileiro. A chegada de lojas com conteúdo online, a possibilidade de realizar transações na nossa moeda, preços mais condizentes com o mercado brasileiro e etc. Mas o que poucos se dão conta é de como a parada mudou lá fora também.

Um jogo AAA de 60 dólares continua valendo 60 dólares, mas pra não perder dinheiro e tentar ganhar cada vez mais com cada título as desenvolvedoras mudaram os mecânismos de vendas e de conteúdo. Maior prova disso é a quantidade de DLC’s que começaram a aparecer por ai nos últimos anos, que diferentemente das saudosas expansões, nem sempre trazem novidades relevantes.

The Curse of Osíris transita entre essas duas realidades. A expansão de Destiny 2 tenta colocar conteúdo novo no jogo pra trazer antigos jogadores de volta a ativa, mas a verdade é que o que se oferece não foi muito bem recebido pela comunidade.

Antes de seguir com o texto é preciso que se deixe algo bem claro. Existem dois tipos de jogadores de Destiny 2 no momento: os que gostaram e os que não gostaram de Curse of Osiris. Sinceramente, eu ainda não me decidi se gostei ou não, mas o objetivo desse review é apontar algumas coisas que poderiam ter sido melhor exploradas e outras que foram muito bem colocadas, da forma mais imparcial possível.

A grande expectativa quanto a chegada da expansão era o retorno de um dos personagens mais icônicos do jogo, bem como a inserção de novos equipamentos, armas, eventos e etc. O problema é que Curse of Osiris não parece ter sido suficiente pra saciar a fome dos jogadores, tem muito mais cara de atualização do que DLC.

Pra começar, a história até empolga. A perspectiva de ir até Mercúrio logo após ele ter sido usado como combustível pela Legião Vermelha é algo que empolga qualquer jogador que tenha terminado a campanha original. Só que quando se chega lá, ao invés de explorar o planeta propriamente dito, o jogo te coloca dentro de uma máquina de simulação Vex cheia de plataformas, chamada Jardim do Infinito. E pior, algumas missões te pedem pra entrar no dito Jardim pra encontrar alguma coisa, somente para te dizer mais tarde que o que você procura não esta lá, mas sim em algum outro planeta disponível na campanha original.

Em alguns momentos parece que a Bungie tenta ludibriar quando diz que a nova expansão vai adicionar um mapa novo para ser explorado, principalmente quando você se dá conta que nas primeiras missões acaba dedicando mais tempo em locais já conhecidos e que você já esta cansado de explorar.

Os equipamentos também geraram certa polêmica na comunidade, principalmente depois de alguns jogadores denunciarem que o conteúdo presente na DLC é bem diferente daquilo que havia sido prometido anteriormente. A verdade é que algumas armaduras possuem um visual distinto que não agradou todo mundo. Mas como isso é totalmente subjetivo, decidir se gosta ou não fica a cargo de cada um.

Considerando Destiny 2 como sendo um MMO, não dá pra negar que a forma como a Bungie anda lidando com o jogo é bem diferente de outros jogos já consagrados. Parece cada vez mais que falta conteúdo e que o jogo oferece uma experiência mais baseada em repetição de atividades do que qualquer outro game online. Grande parte da comunidade gosta e a aprova esse estilo de jogo, mas será que o modelo atual é suficiente para atrair novos jogadores.

Particularmente, acho que o investimento que fiz em Destiny 2 ainda não me trouxe o retorno esperado. Eu tinha certeza de que o jogo seria muito maior do que o primeiro e que eu provavelmente o encararia como uma espécie de sifão de vida, já que planejava passar muitas horas controlado meu guardião pela galáxia. Entretanto, até agora, nada foi capaz de me prender por muito tempo.

Antes de deixar que esta análise influencie diretamente a sua opinião sobre a DLC, tenha em mente que sua afinidade com ela esta totalmente ligada ao amor que você tem pela série. Até agora, quem joga Destiny há muito tempo parece ter apreciado mais Curse of Osiris do que os demais. Todavia, se você esta chegando agora e ainda não tem certeza se vale a pena investir, eu recomendaria que você esperasse um pouco e testasse o trial do jogo.

De qualquer forma, eu sinceramente espero que a próxima DLC seja melhor. Vamos torcer pra Bungie ouvir a comunidade, arrumar a casa e levantar Destiny 2 ao patamar que ele realmente merece.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS4 Pro fornecida pela Activision do Brasil.

João Víctor Balestrin Sartor é colaborador e sex-symbol do Critical Hits. Admirador das boas histórias, almeja de verdade escrever um livro algum dia. Divide seu tempo entre à leitura, jogatina, trabalho, engenharia e quando sobra tempo, vive.

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