Um game indie chegou ao Steam no início do mês e deixou sua marca dentre os jogos em Early Access – e até entre todos os jogos da plataforma – e continua agradando cada vez mais jogadores que ainda se perguntam: O que falta para Dead Cells ser considerado um jogo completo?

De fato, o jogo tem mais conteúdo e consistência na jogabilidade do que muitos títulos com orçamento milionário que pintam na plataforma da Valve e consegue ser divertido e desafiador na medida certa, fazendo você querer jogar mais e mais, mesmo tendo seu progresso zerado pelo permadeath dele.

Mas o que é Dead Cells? É um roguevania 2D com gráficos pixelados que te desafia a aprender com suas mortes e repetir todo o percurso mais uma vez, mas sabendo como os inimigos atacam e o que evitar fazer para não morrer da mesma maneira novamente. Se falhar e morrer, você perde suas células e as células coletadas dos inimigos mortos, que servem para melhorar e desbloquear armas num sistema bem simples e inteligente.

O game possui dungeons interligadas que podem ser acessadas independente de você ter matado um chefe X ou chegado ao ponto Y do jogo, a progressão nele é totalmente não linear. Além disso, para escapar da repetitividade que muitos roguelikes aparentam ter pelo jogador ter de fazer o mesmo percurso várias vezes, Dead Cells conta com mapas procedurais que seguem um padrão, ou seja, mapas sempre diferentes, mas que te levam aos mesmos lugares.

Como é de se esperar, há passagens secretas, áreas mais secretas ainda e itens escondidos, mas numa quantidade tão grande que surpreende o fato de um jogo tão simples ter tanto conteúdo a oferecer. O level design do game é uma de suas principais forças e mostra que a desenvolvedora Motion Twin tinha total controle sobre o que estava criando.

No meio do caminho entre uma área ou outra você conhecerá uma entidade que te permitirá usar as células para melhorar suas armas e acessórios que farão com que seu personagem fique mais forte de maneira progressiva, tornando assim a travessia das dungeons iniciais uma mera formalidade.

Há um arsenal imenso de armas disponíveis no jogo, vários tipos de espadas, chicotes, arcos, escudos e magias, além de diversas skills que são acessórios indispensáveis na aventura. Cada uma destas armas e skills possui características próprias que farão você preferir um ou outro dependendo do seu estilo de jogo e são separadas por níveis. Assim, caso você goste de granadas incendiárias e não queira trocar a sua level 2 que quase não dá dano, poderá acabar encontrando uma level 6 em baús.

São muitas as combinações de armas e skills possíveis, que vão sendo melhoradas com pergaminhos encontrados no meio do caminho e que poderão ser comprados em algumas lojas. Fica aqui a recomendação do chicote e a espada de sangue, são duas das melhores armas do jogo. A torreta automática é uma das skills indispensáveis.

A ação frenética e a quantidade de inimigos diferentes numa mesma área deixam claro que a desenvolvedora tem confiança na jogabilidade de Dead Cells e, realmente, nesse quesito ele não decepciona. O game é tão sólido que você não morrerá nenhuma vez sem ter a certeza do porquê de estar morto e de que cada morte foi um erro somente seu. É claro que ele não é justo o tempo todo e como nosso apoiador Junior Ribeiro bem apontou, às vezes nos deparamos com inimigos que nos matam com 2 hits, o que é um pouco frustrante se levarmos em consideração que não podemos matar nenhum inimigo com apenas 2 hits.

A trilha sonora do game passa a sensação de estarmos no meio de uma aventura épica, sentimento que permanece conforme adentramos mais no lore de Dead Cells e vemos que podemos bater de frente com inimigos cada vez mais fortes. A troca súbita de melodia que ocorre quando adentramos as lojas que são posicionadas em lugares aleatórios das dungeons é uma ótima maneira de quebrar a tensão.

E se você é fã de Castlevania se sentirá em casa com o visual pixelado de Dead Cells que é fortemente inspirado no progenitor dos metroidvanias. Ele ainda pega carona em características de outros jogos, inclusive Dark Souls, mas implantando-as de maneira única para que prevaleça a sua própria identidade. Você não confundirá Dead Cells com nenhum outro jogo nem esquecerá o nome dele, a marca que a qualidade do game deixa é muito forte e tende a ser cada vez mais.

Dead Cells Shock

A quantidade de bugs é menor do que a esperada e pouquíssimos deles chegam a atrapalhar a experiência de verdade. Durante as minhas 8 horas jogadas eu não me deparei com um bug sequer, apenas com leves quedas de frames, mas outros membros da nossa equipe relataram alguns problemas. O Diego, por exemplo, ficou preso a uma parede e o JV notou que o personagem ficava voando quando ele pulava e atacava com o chicote, sendo que ele só “pousava” quando o inimigo morria.

Podemos dizer com propriedade que você não encontrará tamanha solidez, identidade, desafio e diversão em qualquer jogo atualmente em Early Access no Steam. Dead Cells tem 95% das análises positivas na plataforma e conquistou a comunidade em menos de um mês. Temos diante de nós um grande jogo e eu só espero que a Motion Twin siga com o desenvolvimento e polimento de Dead Cells da forma correta.

Nota provisória: 9,0

Preview elaborado utilizando uma cópia do jogo para PC fornecida pela desenvolvedora. 

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Rafael Oliveira faz análise de jogos, filmes e séries regularmente para o Critical Hits, além de postar notícias e artigos esporadicamente. Acha que Shadow of the Colossus é o melhor jogo já feito, é fanboy de Steins;Gate e tem um lugar especial no coração para Platformers, RPGs e Metroidvanias.



  • Gabriel Meiser

    Muito Obrigado pela recomendação Rafael,
    Ontem logo após ver seu preview eu fui direto na loja e joguei umas 3 horas direto, que jogo esplêndido!!!!