A franquia Call of Duty é indiscutivelmente um dos grandes expoentes do mundo dos games  da última década. Combinando campanhas marcantes com um multiplayer de ponta, todo ano a gente noticia que a Activision embolsou mais um bilhão na conta deles apenas um ou dois dias depois do lançamento do game. O problema é que, como uma franquia com lançamentos anuais consegue se reinventar? A resposta “não consegue” foi mais do que evidente com Ghosts, mas com uma nova empresa e um excelente ator protagonizando a história, será que Call of Duty consegue mostrar que um cachorro velho aprende novos truques?

Em Call of Duty: Advanced Warfare, você controla o soldado Jack Mitchell, que junta-se à Atlas Corporation, a maior empresa de exércitos privados do mundo. Como o game se passa em 2054, muitos avanços tecnológicos foram obtidos em relação aos outros jogos da franquia Call of Duty, mas nenhum deles mais evidente do que os exoesqueletos. O jogo, seja na campanha, seja no modo multiplayer, é definido pelo exoesqueleto, que dá uma série de novas habilidades aos soldados, como super pulos, velocidade ampliada, força ampliada e por aí vai.

Como esse exoesqueleto se adapta à jogabilidade de Call of Duty? Muito bem, obrigado. O jogo tem um certo quê de Titanfall em algumas momentos, já que o game da Respawn também possui boa parte dos truques que Call of Duty tem. Por causa disso, o ritmo de combate é bem mais rápido do que o cadenciado jogo de tiro com movimentação que Call of Duty sempre foi. Esse “modo 220” em que Advanced Warfare foi ligado acaba tornando as partidas bem mais rápidas e dinâmicas e, sim, bem mais divertidas do que elas vinham sendo ultimamente. Mas voltemos à campanha, eu já vou falar do multiplayer.

A campanha em si não chega a ter as ideias mais originais do mundo, mas também é difícil querer ser muito exigente com o gênero de ação. É como pedir pra uma temporada de 24 Horas, por exemplo, tratar dos mesmos temas de House of Cards, o que o pessoal gosta é de tiro, porrada e facada no pescoço, e Call of Duty: Advanced Warfare faz isso muito bem. Dá pra resumir a campanha em “clichês envolvendo as questões que pautam os exércitos privados nos dias de hoje, só que num mundo onde um exército desses cresceu demais e os EUA” e Kevin Spacet fazendo o que o Kevin Spacey sempre faz (exceto quando ele está afim da amiga de 17 anos da filha dele em Beleza Americana) mas tudo é muito bem feito. É complicado falar sobre a história sem dar spoilers, então vou poupar o leitor disso, mas aproveitando para comentar algo que eu achei realmente incrível na campanha foram as movimentações e trejeitos dos personagens.

É possível ver todos os cacoetes de atuação de Kevin Spacey na campanha, não apenas o rosto dele foi mapeado para o jogo, mas toda a linguagem corporal dele está lá. É incrível que eles haviam assinado com o ator de House of Cards antes do seriado estourar, e ele pegou várias partes de Frank Underwood e colocou em Jonathan Irons. O resultado ficou incrível. Ah, e outro detalhe, o personagem principal é dublado por Troy Baker. Infelizmente, ele aparece pouco e sofre da síndrome de Chrono Trigger, ou seja, o cara que é mandado pra tudo que é canto quebrar pedras e que pouco ou quase nada fala. É um desperdício de talento de um grande ator, mas que é compensado por Gideon, um dos melhores personagens introduzidos na franquia Call of Duty nos últimos anos. Ah, e por falar nisso, tem um personagem realmente irritante no jogo: a Illona e o sotaque horrível dela. Eu fiquei torcendo pra que ela morresse durante a campanha toda, mas não vou contar pra vocês se isso acontece ou não.

Dito tudo isso, a campanha está anos luz na frente da campanha de Ghosts, tanto em personagens, quanto atuação quanto história. Realmente vale a pena jogar a campanha, ainda que ela seja linear demais às vezes e que haja pouca interação nela em alguns momentos, onde a Sledgehammer poderia ter dado mais liberdade ao jogador.  Mas quem joga a campanha de Call of Duty? Você me pergunta, bom, eu joguei e recomendo que vocês joguem, ela realmente vale a pena. Mas o game obviamente é definido pelo modo de multijogador, então vamos a ele.

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O modo multiplayer de Call of Duty: Advanced Warfare praticamente reviveu com a introdução do exoesqueleto. O resultado disso é que as partidas demoram 20 a 30% menos tempo para acabar, e que você quase sempre vai dar de cara com um soldado inimigo depois de alguns passos. Isso pode ser um problema pois os pontos de base rape logo serão descobertos, e já aconteceu de eu dar respawn e morrer 5 segundos depois porque não imaginava que ia ter um soldado inimigo tão perto de mim.

Outro problema, e esse é sério, é que o multiplayer está sem servidores dedicados. O resultado disso é uma cacetada de lag em partidas. Eu joguei o jogo tanto no Xbox One quanto no PS4. No Xbox One, há menos lag no geral, apesar de ter encontrado algumas partidas bem sofríveis, já no PS4, o lag come solto com todo mundo. O pessoal da versão de PC tem reclamado bastante disso também nos fóruns e nas análises do Steam, então é algo que a Activision tem que corrigir pra ontem, afinal o que dá longevidade ao game é o modo multiplayer.

Os equipamentos também foram atualizados para o multiplayer. Há uma série de armamentos atualizados e novas miras que lembram um pouco Call of Duty: Black Ops 2, mas com novidades. Por falar em Black Ops, o modo Pick 10 foi atualizado para 13, pois agora você pode personalizar vários aspectos do seu combatente, como os killstreaks (e abrir mão daquele último que ninguém consegue usar por mais um acessório para a sua metralhadora), acessórias da metralhadora, equipamento especial do exoesqueleto (que pode ser um escudo, aumento de velocidade, recuperação melhor de vida, invisibilidade etc). A única coisa que eu realmente achei que ficou subutilizada até o momento foram as granadas no modo multiplayer. Como todo mundo é mais rápido e fica pouco no mesmo lugar, é difícil uma granada pegar.

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Além desse tipo de personalização, o seu personagem também pode ser personalizado, ganhar várias caras e roupas, que vão sendo ganhadas conforme você joga a campanha e o modo multiplayer, além de receber supply drops que o jogador ganha após fazer certos desafios. Outra novidade importante é o estande de tiro, onde você pode testar seu equipamento novo sem precisar participar das partidas, o que é uma baita novidade, já que às vezes a gente fica com medo de trocar os equipamentos da arma favorita e acabar ficando com um loadout péssimo durante uma partida toda. O jogo ainda vem com vários modos multiplayer novos e alguns antigos que retornam também, ou seja, a Sledgehammer dedicou bastante tempo pra trazer novidades pro modo multiplayer mais jogado do mundo dos games ao invés do arroz com feijão básico que foi feito em Ghosts.

Ainda sobre o multiplayer, há um modo de aptidão de combate onde você e mais jogadores ruins participam com alguns bots também. Só é possível usar os pre-sets de armas do multiplayer e a dificuldade é bem menor do que a do MP normal. É o modo recomendado para aqueles que não são bons no multiplayer, pelo menos para aprender alguns truques e para se divertir jogando o modo multijogador.

Para completar, ainda há um modo de exo-survival onde você e mais um amigo enfrentam ondas e mais ondas de inimigos, chegando ao fim com uma onda bônus zumbi. O modo é bem chato e não serve pra preencher o buraco que ficou nos nossos corações pela falta de um modo zumbi de verdade (que está pra vir, por sinal).

Graficamente, Call of Duty: Advanced Warfare é excelente. O jogo é muito bonito na campanha e bem legal também no multiplayer. Como eu falei antes, é incrível o nível de detalhes dos personagens atuando durante a campanha. Além disso, um monte de coisas acontecem na tela e praticamente não há slowdowns nas versões de PS4 e Xbox One. Eu não cheguei a testar as versões de PS3 e de Xbox 360, mas assim que fizer uns testes eu atualizo esse review com a experiência lá. No departamento sono, o destaque fica também para as dublagens, que estão muito boas, exceto a da Illona por causa do tom de voz e do sotaque ruim dela.

Review elaborado usando as versões de PlayStation 4 e Xbox One do jogo. A primeira fornecida pela Activision e a segunda comprada pelo Critical Hits.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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