A Telltale fez história ao lançar The Walking Dead e acertar em cheio em como um criar uma narrativa com a dose certa de ação, escolhas e uma narrativa sensacional. Depois disso, alguns jogos conseguiram fazer isso e outros nem tanto, e um dos que acabou entrando para o segundo time foi Batman – A Telltale Game Series, que infelizmente foi ladeira abaixo após o primeiro capítulo que era bom. Será que Batman: The Enemy Within consegue reverter isso na segunda temporada da franquia do Homem Morcego? É o que vamos descobrir.

Em Batman: The Enemy Within, você segue a história de Bruce Wayne e de Batman logo após os eventos do primeiro jogo da franquia. Dependendo das escolhas que você fez, Bruce pode ou não ter sofrido um atentado no final do primeiro jogo, e você parte logo após esse instante, com uma nova ameaça pairando por Gotham: o Charada.

Apesar do jogo dar um certo destaque ao inimigo logo no começo, você descobre que os cinco capítulos trazem bem mais do que isso, apresentando uma série de vilões conhecidos da franquia, como Harley Quinn (que desta vez parece ter invertido o papel com o Coringa, onde ela é a parte dominante da relação dos dois ao invés do contrário), Bane e o Mr. Freeze.

Além dele, do lado da justiça temos uma nova xerife em Gotham, Amanda Wheeler, que veio para tomar o lugar de James Gordon e instituir uma linha dura da polícia para acabar com a criminalidade.

Todos esses personagens adicionam algo à história e a relação de Bruce e do Batman com eles é bem complexa. Como no primeiro jogo, há momentos em que você tem que controlar o Batman e há momentos em que Bruce Wayne executaria melhor as missões, então você volta e meia tem que alternar entre os personagens. Apesar do jogo não mudar tanto em termos de jogabilidade entre um e outro, as variações na forma como os personagens te tratam e como você tem que agir para resolver os problemas que vão surgindo no seu caminho.

Uma das mudanças mais interessantes deste jogo é a inclusão dos relacionamentos. Sabe quando você dava respostas para personagens nos jogos da Telltale e aparecia “Fulaninho will remember that” e aquilo raramente mudava em algo na história do jogo? Em Batman: The Enemy Within as coisas realmente mudam.

Nesse novo sistema de relacionamentos, dependendo do que você faz, os personagens da trama agem com você de forma diferente, e isso é mais verdade do que nunca no Coringa que você pode criar conforme a história avança. Se o Coringa ficou completamente apagado no primeiro jogo, ele acaba sendo a estrela do segundo por uma série de bons motivos, mas principalmente por causa desse sistema novo que a Telltale implementou no jogo.

Em Batman: The Enemy Within, conforme você vai moldando o Coringa, ele pode acabar tornando-se ou um vigilante, a exemplo do Batman, ou um vilão, como o Coringa clássico. A ideia aqui é que Bruce Wayne tente ou trazer o Coringa para si e ser um mentor para ele (juntamente com Batman) ou rejeitá-lo completamente, o que acaba resultando na versão clássica do vilão. A forma como isso é implementado é bem interessante, e acaba resultando numa das melhores características do jogo.

No departamento de ação, a Telltale fez um bom serviço em criar lutas divertidas do Batman contra os vilões, e as partes de investigação, que são bem menos do que no primeiro jogo, também ficaram legais. Um detalhe interessante é que aquela ideia de planejar o combate todo que o Batman fazia no primeiro jogo acabou sendo removido, e deixando as batalhas mais imprevisíveis. Eu acabei achando isso um ponto positivo.

No final das contas Batman: The Enemy Within é um jogo muito melhor do que o primeiro capítulo da franquia, deixando o jogador ansioso pela chegada da terceira temporada. Há uma série de desenvolvimentos legais na história, e também o senso de que o jogo tem um começo, meio e fim, e que, mesmo quando você não entende algumas das escolhas da Telltale, o jogo acaba explicando elas logo na sequência.

Graficamente, o jogo continua com os mesmos gráficos do primeiro game, mas com a vantagem desta vez ele ter sido bem otimizado e estar rodando sem os engasgos bizarros de Batman – The Telltale Game Series. A dublagem, como sempre, está excelente, e a trilha sonora ficou boa também.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X fornecida pela produtora.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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