A Bandai Namco tem em Tekken uma das maiores franquias de luta de todos os tempos, e praticamente todo mundo por aqui já passou as tardes gastando os dedos em cima de algum dos capítulos da franquia, provavelmente com Tekken 3. Após um longo hiato entre Tekken 6 e sua sequência, será que Tekken 7 consegue cravar um lugar para si num mundo em que os jogos de luta e competitivos em geral parecem estar voltando à moda?

Tekken 7 é um jogo que promete dar um encerramento aos conflitos entre HeihachiKazuya Mishima. O jogo conta a história de uma perspectiva diferente da qual os jogos anteriores contaram. Desta vez, você é um jornalista que está montando um dossiê sobre como o Mishima Zaibatsu e a G-Corporation são duas organizações do mal, e como nenhuma das duas quer o bem do mundo. Ainda que a história seja, no fim das contas, sobre o acerto de contas final entre Heihashi e Kazuya, com o ponto de vista do jornalista, você acaba sabendo o que aconteceu com o mundo após os eventos de Tekken 6, a que pé anda o mundo e o que alguns dos personagens sentem sobre isso.

É importante ressaltar que o modo história de Tekken 7 é um pouco diferente do que estamos acostumados em Mortal Kombat e em Injustice, já que Tekken 7 envolve uma parcela bem pequena dos personagens disponíveis no jogo, e você joga diversos capítulos com o mesmo personagem alternando entre algum coadjuvante aqui e outro ali. No geral, o modo história do jogo é interessante, e adiciona alguns pontos bem legais à história da franquia Tekken como um todo, mas eu acabei achando ele não só curto, como mal aproveitado. O jogo conta com 38 personagens, e nem 12 desses foram usados ao todo.

Além do modo história, os jogadores solitários ainda contam com o bom e velho modo arcade para jogar, que consiste de 5 lutas, sendo duas delas fixas. Para completar, você ainda conta com mini-modos história de diversos dos personagens do jogo que envolvem apenas uma luta, e mostram eventos que ocorreram entre Tekken 6 e Tekken 7. No geral, o jogo foi feito mesmo priorizando o conteúdo multiplayer, e se você está afim de jogar sozinho, você provavelmente vai esgotar o que o jogo tem a oferecer em poucas horas.

Nos modos competitivos, Tekken oferece uma série de alternativas online, e as partidas costumam ser bastante satisfatórias, caso você saiba o que está fazendo, é claro. Eu joguei algumas partidas online para elaborar esse review e não encontrei problemas de conectividade nem para encontrar adversários, só para vencê-los mesmo.

Por falar em pancadaria, nada do que eu falei até agora importaria se a pancadaria do jogo não fosse boa, não é mesmo? Bom, Tekken 7 é basicamente o mesmo que você encontrou em todos os Tekken que você jogou até hoje. A grande novidade do jogo são as Rage Arts, que são umas espécie de X-Ray Attack ou Super Combo indefensável que cada um dos lutadores têm. Essas Rage Arts são ativadas quando você está mais ou menos com 30% da vida restante, e servem para mudar os rumos da batalha.

No geral, eu achei o combate de Tekken 7 divertido, mas há um grande porém: parece que o jogo não tem uma base em comum entre os personagens. Cada um deles é radicalmente diferente do outro na maioria dos aspectos, e, apesar disso ser um ponto positivo no sentido da Bandai Namco não ter feito personagens genéricos, a impressão que dá é que cada personagem é um novo estilo a se aprender, já que nem os combos mais básicos, como chute, chute, soco ou soco fraco, soco fraco, soco forte às vezes se carregam de um personagem para o outro.

A Bandai Namco pensou nisso no modo história de Tekken 7 adicionando um “Story Assist”, um botão que você segura e combina com algum dos botões de ação para executar uma técnica mais complexa, mas você provavelmente vai notar a diferença e perceber que você não é tão bom assim no momento em que você tentar jogar contra alguém ou algum dos combates avulsos do modo história.

Não que isso seja ruim, todo mundo odeia jogos fáceis demais e onde você não pode ficar tão melhor assim que alguém ruim, mas a impressão que Tekken 7 dá às vezes é que a barreira de entrada dele é bem grande, ainda mais se você pegar o personagem errado. Isso acaba, pelo menos no meu caso, desencorajando a experimentação, já que cada personagem novo é uma mão de obra para dominá-lo e as partidas passarem de frustrantes a divertidas.

O jogo ainda conta com algo que está virando comum entre os jogos de luta da atualidade: os customizáveis. Tekken 7 tem uma tonelada de opções de customização para cada um dos lutadores do game, e é possível fazer as coisas mais esdrúxulas com eles, como o Akuma usando um chapéu de panda, só para darmos um exemplo. Para isso, você deve arrecadar Fight Money lutando na campanha e no modo arcade, e gastando esse dinheiro em itens cosméticos, assim prolongando a vida útil do jogo em muito tempo.

Graficamente, Tekken 7 é um belo jogo, e bastante fluído durante os combates, ainda que ele tenha dado algumas travadinhas estranhas no modo campanha. A trilha sonora do jogo é bem composta e combina com o jogo, e ele vem legendado em português, para completar. Antes de encerrar, só um detalhe que eu achei curioso: durante o modo história, cada um dos personagens fala o seu idioma nativo, e todo mundo se entende, mesmo que Heihachi fale japonês e a Nina responda em inglês. Isso é bizarro.

Enfim, vale a pena? Vale! Se você é fã de jogos de luta e da franquia Tekken, Tekken 7 é um prato cheio, mas vale ressaltar que ele tem seus defeitos, e que poderia ter evoluído um pouco mais no combate, já que, uma hora dessas, os mesmos truques de sempre vão acabar cansando, afinal, não dá para um jogo parecer sempre mesmo, só mais bonito, a menos que ele seja um certo título anual de futebol aí.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One fornecida pela Bandai Namco do Brasil.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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