Street Fighter e eu temos uma história há praticamente 20 anos. Eu lembro da época em que era um menino e que o meu pai me levava na locadora para eu ficar jogando Street Fighter 2, e depois Street Fighter 2: Champion Edition até fazer bolhas nos dedos de tanta meia lua pra frente e soco que eu fazia. Eu sempre gostei da franquia e ela sempre foi a minha franquia de luta favorita, por mais que as versões que “forqueavam” a base de jogadores sempre me deixava chateado com a Capcom. Com promessas disso nunca mais acontecer, além de visuais e jogabilidade melhorados, será Street Fighter V o melhor Street Fighter já lançado?

Street Fighter V se passa entre Street Fighter IV e III e tem como objetivo linkar a história de ambos os títulos. Entretanto, o jogo ainda não foi lançado com toda a história que ele conterá. É meio estranho, mas o que está lançando amanhã, dia 16 de fevereiro, não é exatamente a versão final de Street Fighter V, e sim o que dá a ideia de ser um acesso antecipado. Cada um dos 16 personagens de lançamento tem uma história própria no modo história, que é contada com cutscenes em desenho animado, mas cada uma dessas histórias veio sem fim, tendo apenas 3 ou 4 lutas dentro dela. É difícil comentar sobre a profundidade da história e sobre as tentativas de melhoria desse modo da Capcom por causa dessa brevidade, mas já deu para notar que, diferente dos jogos anteriores, há interações entre os personagens antes de cada luta e um motivo específico para eles estarem lutado, mais ou menos como acontece com Mortal Kombat desde o reboot de 2011.

Apesar disso, o jogo coloca os lutadores de Street Fighter novamente enfrentando M. Bison e a Shadaloo novamente, além das próprias buscas pessoais, como a tentativa de Ryu de contar o Messatsu Gou Hadou, e Ken estar à procura de Ryu para ajuda-lo, e enfrenta-lo, novamente. Além dos personagens que já estamos carecas de conhecer, Street Fighter V ainda conta com quatro novos lutadores: Necalli, Rashid, Laura e F.A.N.G. Somados aos 12 personagens das antigas, temos ao todo 16 lutadores. Pouco, não? Segundo a Capcom, novos lutadores serão adicionados futuramente via DLC. Segundo a companhia, seis lutadores novos serão adicionados até setembro, e, caso os jogadores joguem o jogo o suficiente, será possível baixa-los sem gastar um centavo, o que é muito bom, afinal de contas, Street Fighter V está chegando às lojas por um preço de jogo completo com o conteúdo sendo lançado em pedaços. Para tanto, o jogador precisa apenas acumular pontos dentro do jogo travando batalhas, seja no modo história, seja no modo online, o qual falaremos agora.

Uma das melhores sacadas da Capcom em Street Fighter V foi ter facilitado bastante a vida de quem quer procurar partidas online. Tudo o que você precisa fazer é acessar um menu, criar o seu lobby ou procurar lobbies dos outros e pronto, você já está trocando porrada com pessoas desconhecidas. Mesmo durante o período de testes de network do jogo, foi tranquilo encontrar partidas, por mais que algumas tenham sido bem lentas (imagine você jogando contra um cara do oriente médio, o lag era bem alto), mas também houveram outras que foram como se eu estivesse jogando contra alguém que está do meu lado.

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Muito bem, mas e trocar porrada está melhor ou pior do que anteriormente? Essa é uma pergunta estranha de se fazer, já que a jogabilidade de Street Fighter sempre foi evoluindo de forma incremental, e mesmo hoje, parece bastante com a jogabilidade que tinha na época de Street Fighter Zero/Alpha. Ok, é muito mais fácil de encaixar combos e coisas do tipo nos dias de hoje, e, respondendo de sopetão, sim, a jogabilidade melhorou até em relação a Ultra Street Fighter IV, apesar das mudanças serem bem sutis. Para começar, o jogo está mais responsivo e é mais fácil de se lutar, ainda mais pro caso de você estar começando. Uma das mudanças que a Capcom fez foi alterar alguns golpes e facilitar a vida dos jogadores. Agora você não precisa fazer um milhão de movimentos no controle para executar técnicas de alguns personagens, bastando uma meia lua pra frente/trás e soco ou chute para dar conta do recado. Isso torna o jogo mais acessível pros novatos e faz os jogadores experimentarem mais, ao invés de ficarem sempre jogando com Ryu e Ken.

Outra novidade que o jogo ganhou também foram os comandos V. São três ao todo, V-Breakers, que são uma espécie de Combo Breaker, de Killer Instinct, V-Skills, que são habilidades acentuadas dos personagens e V-Triggers são uma espécie de “super modo” do personagem, onde você tira mais energia com seus ataques e acaba acertando mais hits, semelhante aos V-ISM de Street Fighter Alpha 3, ou seja, é um modo que serve para você causar bem mais dano ao seu personagem. Todas essas três mecânicas são bem-vindas ao jogo e adicionam mais profundidade ao game ainda. No fim das contas, Street Fighter V consegue perfeitamente misturar o que torna Street Fighter uma série de luta especial com as novidades.

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Muito bem, o jogo é excelente de se lutar, tem um bom modo online e traz boas novidades, mas no que ele não é tão bom assim? Então, não é exatamente o que ele não faz bem, é o que ele não traz. Para um jogo que está sendo lançado por um preço completo, a impressão que dá é que Street Fighter V peca bastante na entrega de conteúdo. Há poucos lutadores, o modo história está incompleto, parte do conteúdo ainda vai ser lançada após o jogo sair e, quem não jogou o suficiente, ainda terá que pagar por isso. Ok, é possível obter todos os DLCs com dinheiro dentro do próprio jogo, mas eu gostaria mais é que o jogo já tivesse sido lançado com esses conteúdos a princípio, ao invés de ir ganhando novidades meio que essenciais ao jogo a cada 2 ou 3 semanas. É impossível avaliar, por exemplo, se a história de Street Fighter V melhorou e está à altura da concorrência, leia-se Mortal Kombat, no momento porque simplesmente não há história para se acompanhar. Você mal está se aquecendo com o seu personagem na história e ela acaba.

Essa falta de conteúdo, felizmente não se traduz em bugs e problemas de gameplay, então, o principal defeito de Street Fighter V é: o jogo parece incompleto, mas felizmente, o que a Capcom entrega dentro dele, é muito bem feito. Eu tenho certeza absoluta que o fã de Street Fighter vai se divertir, e provavelmente destruir alguns controles, jogando o game, seja localmente (aliás, ele já vem compatível com joysticks de fliperama de PS3 no lançamento!), seja pela internet (que está com um modo online extremamente acessível), mas bem que a companhia poderia ter colocado mais alguns modos, não é mesmo? Nem que fosse algo como o “Ladder Mode” do Mortal Kombat, onde você enfrenta 10 ou 12 inimigos de uma vez só. A única alternativa a isso é o Survival, que, aliás, ganhou a possibilidade de você escolher quais bônus você quer comprar após cada luta, gastando os próprios pontos que você ganhou no jogo.

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Graficamente, Street Fighter V conta com belíssimos gráficos. Os cenários são cheios de vida e as animações são espetaculares. Apesar dos gráficos lembrarem bastante Ultra Street Fighter IV, é possível ver uma melhora, seja no framerate, seja nos próprios detalhes dos modelos dos lutadores e dos cenários. Já a trilha sonora continua com a mesma qualidade padrão de sempre, ela é muito boa e o destaque vai para o tema de menu do jogo.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS4 fornecida pela Capcom do Brasil.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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