O mundo dos jogos de tiro sofreu de falta de criatividade na geração passada, afinal, todo jogo parecia ou ser situado na Segunda Guerra Mundial, ou no Oriente Médio, ou na Guerra Moderna. Felizmente, essa maldita tendência acabou, e parece que o gênero está cada vez mais oxigenado do que nunca, com ótimos exemplos como Doom, Wolfenstein e Titanfall, jogos que, para inovar, voltaram às origens do gênero. Strafe é mais um desses jogos, mas ele consegue ser realmente bom ou é só fumaça e espelhos retrôs?

Em Strafe, você tem uma espécie de Spelunky retrô. A ideia do jogo é ser um roguelike de tiro em primeira pessoa que vai agradar bastante a quem ainda anseia pela volta dos dias gloriosos de Quake. O jogo tem uma história extremamente minimalista, dando destaque praticamente apenas ao gameplay, e a sua missão é escolher uma arma (ou ir desarmado, se você for maluco) e matar inimigos e passar de fase, até que eles te matem.

Para isso, você tem uma série de armas que lembram armas clássicas de jogos de tiro, como metralhadoras, pistolas, lança granadas e assim por diante. O escopo de Strafe é completamente retrô, desde os designs de fases e inimigos a efeitos visuais na tela. Você realmente vai se sentir dentro de um jogo de 1996, mas feito em 2017, e, para quem cresceu jogando os jogos da década de 90 no meu saudoso IBM Aptiva, eu diria que essa é uma sensação muito boa.

Como todas as fases do jogo são geradas aleatoriamente, então a ideia de Strafe é apresentar uma experiência mais ou menos única a cada partida nesse sentido, ainda que a ideia toda do jogo seja avançar, atirar, recarregar, atirar mais ainda e ir lavando o chão de sangue conforme você avança no cenário.

Um detalhe bem interessante de Strafe é que a única arma para qual você encontra munição durante o jogo é a sua arma inicial. As outras que você vai pegando são armas que você tem munição finita e que sabe-se lá quando você vai encontrar mais uma arma igual àquela novamente, então, você sempre fica na dúvida sobre usar a própria arma ou armas extras que você viu por aí. Na maioria dos casos, a arma inicial é o suficiente, mas mais de uma vez eu fui forçado a sacar alguma arma especial para me livrar de uma multidão de inimigos e não morrer.

Por contar apenas com armas de tiro, Strafe acaba sendo um jogo de habilidade muito mais do que de sorte, e logo você nota que está jogando cada vez melhor conforme vai avançando dentro dos labirintos do jogo. Assim como nos jogos de tiro das antigas, cada fase conta com algumas áreas secretas, que escondem upgrades para a sua vida e arma, além de certas áreas onde você pode comprar mais munição, armadura e assim por diante. A ideia toda de Strafe é, fique de olhos abertos, atire no que se mexer, e não deixe nenhum detalhe passar.

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Para te matar, o jogo conta com uma série de inimigos diferentes, como anões corcunda que tentam te encher de porrada, robôs aranha, soldados espaciais e assim por diante. O design dos inimigos, assim como os gráficos no geral do game, lembram bastante Quake, e acabam adicionando muitos pontos de nostalgia a Strafe. Caso você morra, é game over e você tem que começar tudo de novo. Não que isso seja ruim, já que cada fase de Strafe leva entre 5 e 10 minutos para ser concluída, e o jogo conta com 12 fases ao todo.

Além de lindos gráficos retrô, Strafe ainda conta com uma ótima trilha sonora de música eletrônica que certamente vai ajudar você e a entrar no clima frenético que o jogo apresenta. A trilha é tão boa que eu ouviria ela tranquilamente fora do jogo.

Mas o jogo vale a pena? Sim! Sinceramente, o apelo nostálgico de Strafe é apenas uma das características do jogo. De baixo de toda a onda retrô de Strafe, encontramos um jogo sólido e extremamente divertido que pode muito bem acabar reunindo um culto de fãs assim como Spelunky fez. A velocidade do jogo certamente vai entrar na sua cabeça e fazer você querer jogar mais e mais dele. Se eu tivesse que elencar um defeito do jogo, eu diria que o tutorial dele poderia ser melhor no sentido de nos mostrar o que nos aguarda, mas fora isso, o jogo é realmente bem divertido para quem gosta do gênero.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PC fornecida pela publisher.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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