Seasons After Fall é um jogo de plataforma estilo metroidvania desenvolvido pelo estúdio francês Swing Swing Entertainment. Nele, o jogador controla uma simpática raposa que também é controlada por um espírito na forma de uma pequena semente. Guiado por uma misteriosa voz infantil, ela deve encontrar os guardiões da floresta para liberar os poderes das quatro estações, que a ajudarão na realização de um importante ritual.

A história de Seasons After Fall pode ser dividida em dois grandes atos, sendo que o primeiro serve como um tipo de tutorial para a segunda metade do jogo, quando o jogador deve revisitar as áreas do cenário resolvendo puzzles não muito complexos utilizando os poderes das quatro estações. Ela é contada por meio da narração, na primeira parte, da misteriosa voz infantil, e depois, por um dos guardiões, com ocasionais diálogos entre eles. Apesar de ser um tanto básica, não oferecendo grandes surpresas e explorando temas como confiança e amadurecimento, ela é bem interpretada, com uma atuação de alta qualidade de ambos os dubladores.

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Seguindo a mesma fórmula da história, a jogabilidade de Seasons After Fall também é bem simples. Os comandos se resumem em um controlar a raposa pelo analógico, mais um botão para pular, um para “latir”, e outro para alternar entre as estações – que, aliás, é a verdadeira essência da mecânica do jogo. Cada estação possui suas próprias características: no inverno, flocos de neve caem sobre a floresta, enquanto que o visual é tomado por tons de azul; no verão, as cores são mais fortes, e é possível ouvir o cantarolar dos pássaros; na primavera, a floresta fica com vários tons de roxo enquanto uma leve chuva cai sobre ela; e, por fim, no outono as folhas caem no quintal em fortes e belos tons alaranjados.

Mas não é só na aparência que a mudança de estação afeta o jogo. Ela também é parte essencial da jogabilidade, e o jogador pode alternar entre cada estação quando quiser, de forma instantânea. Elas são utilizadas tanto para resolver os quebra-cabeças quando para se movimentar pelo mapa. Por exemplo: no outono, plantas em formato de cogumelos se abrem para servir como plataformas; no verão, grandes galhos ganham vida e se esticam para funcionarem como pontes; e no inferno, lagos e jatos de água congelam dando passagem a áreas antes inalcançáveis.

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Ao contrário dos jogos do gênero, Seasons After Fall não é um jogo de plataforma/metroidvania focado na ação, mas sim na exploração. Há alguns poucos tipos de inimigos que oferecem um certo perigo, mas, na maioria das vezes, eles são fáceis de serem evitados, e também servem para resolver alguns quebra-cabeças. Não há a pressão de tempo ou itens para serem coletados, o que faz com o que o ritmo do jogo seja muito mais lento do que o “normal”. Apesar desta característica combinar bem com a premissa do jogo, ela pode parecer muito “tediosa” para alguns jogadores, e acabar afetando negativamente a experiência final.

No entanto, o visual de Seasons After Fall é extremamente bonito, com os mapas e personagens criados em uma arte meio “aquarelada”, que dá um tom ainda mais “místico” e “poético” ao game. A ambientação sonora também é muito boa, e jogar com bons fones de ouvido só tende a melhorar a sensação de estar explorando uma floresta mágica. Apesar de eu ter encontrado alguns bugs durante meus testes, não foi nada que atrapalhasse o andamento do jogo. Porém, algumas funções tradicionais de jogos estilo metroidvania, como um mapa, fizeram bastante falta na metade final do game, e por diversas vezes eu me senti perdido, principalmente entre os cenários mais parecidos uns com os outros.

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Apesar dos problemas, Seasons After Fall é um jogo altamente recomendável. Confesso que o que me chamou a atenção nele foi, a princípio, sua semelhança com um dos meus jogos de plataforma favoritos: Ori and the Blind Forest. Mas ao terminar as quase 10 horas de jogo, constatei que as semelhanças ficaram apenas no visual charmoso, na ambientação em uma floresta mágica, e no simpático protagonista. Seasons After Fall proporciona uma experiência única, diferente da que estamos acostumados com jogos do gênero, que requer um pouquinho de conhecimento sobre antes de embarcarmos nela. Isso torna o game uma ótima pedida para quem procura um jogo simples, bonito, e, por que não, relaxante.

Diego Melo é graduado em jornalismo pela Unesp de Bauru. Gosta de joguinhos eletrônicos desde que se entende por gente. Prefere o PC, mas não deixa de jogar em seu New 3DS, PS3, e Xbox One de vez em quando.

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