Star Wars possui um universo tão rico e detalhado que mesmo a vastidão de mídias onde ele se desenvolve não chega a ser suficiente para contar todas as histórias. Boa parte deste universo compartilhado foi resetado e muita coisa nasceu a partir daí, como novas HQs, séries e uma nova trilogia, assim como a ideia de filmes antológicos, que abordam os eventos que antecederam a história e os personagens que já conhecemos. Rogue One é o primeiro desses filmes.

Rogue One: Uma História Star Wars se antecipa aos eventos que vimos no Episódio IV: Uma Nova Esperança, com um estilo tão atual que em momento algum o vemos como um prequel do filme onde tudo começou. Sua protagonista é Jyn Erso (Felicity Jones), uma jovem que nasceu e cresceu no meio da batalha entre a Aliança Rebelde e o Império, estando com um pé em cada um dos lados.

Jyn é filha de Garen Erso (Mads Mikkelsen), um engenheiro que trabalhava para o Império, disse que não era obrigada a nada e mesmo assim foi levado para construir a arma que um dia conheceríamos como Estrela da Morte.

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A protagonista acaba crescendo sem seu pai, e mesmo em meio à guerra ela não toma partido nem se importa com nenhuma das causas. Mesmo assim, o destino a leva à Aliança Rebelde, onde Jyn se vê sem opções e decide ajudar os rebeldes a encontrar Saw Guerrera (Forest Whitaker), o homem que a criou e que, supostamente, sabe onde seu pai está. Após alguns contratempos a missão de Jyn Erso muda e passa a ser algo muito maior: roubar os planos que permitirão a destruição da Estrela da Morte.

A personagem é uma boa protagonista, com seu estilo próprio e algumas características que lembram Leia e Rey, e outras que a diferenciam dos outros personagens da saga. Infelizmente Rogue One fica devendo muito na história de background da personagem, então não sabemos onde e como Jyn cresceu, como foi seu relacionamento com Saw, nem nada do que veio antes de Rogue One. Apesar disso, é bem fácil gostar da personagem e se importar com ela, créditos para a ótima atuação de Felicity Jones que mostra na tela o porquê de ter merecido o papel principal.

Ao lado de Jyn temos Cassian Andor (Diego Luna), capitão e piloto rebelde que a acompanha na missão de encontrar Saw, K-2SO (voz de Alan Tudyc), o Droid da turma, alívio cômico e o personagem mais memorável de todo o filme. A jornada começa com apenas estes três e mais uma vez ficamos sem quaisquer detalhes sobre seus passados – exceto por uma breve explicação do porquê de K-2SO estar ali.

O Droid, aliás, funciona tão bem quanto C-3PO funciona nas três trilogias, quebra o gelo em momentos de tensão e fica sempre por sua conta as transições entre as cenas de ação. K-2SO também tem uma boa sintonia com Jyn, o que não pode ser dito imediatamente sobre Cassian, já que o capitão e a protagonista só parecem entrar em sintonia no final do segundo ato de Rogue One.

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Além dos citados. o filme conta com Chirrut Imwe (Donnie Yen), aquele cara cego que dá uma surra em um bando de Stormtroopers no trailer do filme; e Baze Malbus (Jiang Wen), companheiro inseparável e os olhos de Chirrut, vulgo cara que metralha os outros Stormtroopers no trailer. Esta dupla está entre os destaques do longa, são deles as melhores cenas de ação e também as que nos dão um aperto no coração.

O personagem de Whitaker tem um papel importante no filme, além de sua participação no desenvolvimento da história, que muitos poderão não notar. Saw Guerrera mostra um lado diferente da Aliança Rebelde, que nós que crescemos vendo Leia, Han e Luke como símbolos desta revolução sequer imaginávamos. Saw, e também Cassian Endor, mostram que de certa forma não existe apenas luz no lado da luz e trevas no lado negro.

Rogue One também é forte se tratando de seus antagonistas, que aqui não exalam aquele perigo próximo como os Sith ou Kylo Ren proporcionavam, mas conseguem retratar com mais clareza – até do que a trilogia original pôde – o quão destrutiva e mortal é a Estrela da Morte. O Diretor Orson Krennic (Ben Mendelsohn), não é o antagonista do império mais memorável da saga, mas é o suficiente para esta história e o vilão perfeito para a jornada de Jyn.

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E ele, a estrela do show, Darth Vader está de volta com toda sua glória. A presença de Vader é capaz de sobrepujar as atuações de qualquer outro personagem que esteja dividindo a cena, mesmo quando ele não está falando nada, este é um detalhe que eu havia esquecido completamente. Como assisti O Despertar da Força mais uma vez recentemente, pude perceber que as diferenças que citei no review entre as atmosferas que Kylo Ren e Darth Vader proporcionam estavam corretíssimas. É impressionante como a presença do personagem vem carregada com uma tensão, com doses de medo e respeito e uma “classe” que insinua que a Força está totalmente sob seu controle (sim, peguei as palavras do review velho, me julgue).

Rogue One honra a memória de Darth Vader e nos lembra do quão único, icônico e insubstituível o vilão é. Além dele temos outras faces e conhecidas da trilogia original que colocarão um sorriso em seu rosto, mas sobre elas eu não falarei.

Gareth Edwards consegue mesclar em seu filme o estilo de ação moderno com o clássico de Star Wars. Mesmo que em alguns momentos Rogue One se pareça excessivamente com O Despertar da Força (assim como O Despertar da Força se parecia com Uma Nova Esperança), suas diferenças e pontos fortes vão longe do Episódio VII, principalmente pelo fato de ser um filme muito mais (maduro talvez seja a palavra) do que seus antecessores. Rogue One é acima de tudo uma história de guerra, e é exatamente isso que Gareth Edwards nos entrega.

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As cenas de ação de Rogue One são muito boas, mesmo sem a presença dos preciosos sabres de luz e de nenhum Jedi. O longa conta com batalhas espaciais sensacionais, magníficas, lindas de se ver e batalhas terrestres emocionantes de se acompanhar. É fácil perceber um tratamento diferente nos tiroteios entre Rebeldes e Troopers e uma dinâmica melhor entre as cenas de ação em terra, no espaço e as demais cenas que apenas retratam como Star Wars e as técnicas de gravação evoluíram.

Não adianta, não há como falar que Rogue One não é um Star Wars, mesmo sem Jedis o filme contém tudo o que precisa para ser considerado um Star Wars e consegue suprir a falta dos guerreiros extintos-mas-nem-tanto. A trilha sonora, que desta vez não é composta por John Williams mesmo dando o mesmo feeling, está sempre ali para nos lembrar que aventura estamos vendo e mesmo se você não der atenção a ela com certeza dará aos diferentes Troopers, AT-ATs destruindo tudo e se espatifando, aos personagens já conhecidos, aos diferentes alienígenas, aos X-Wings e Tie-Fighters travando belíssimas batalhas ou a qualquer outro elemento que está e sempre estará em qualquer filme que leve este nome.

As cenas finais do longa são de fazer o coração bater mais forte (sério), nem tanto por contarem com doses elevadas de ação ou suspense, mas por trazer o sentimento de que Rogue One é uma peça perfeita no quebra-cabeças que é Star Wars. Você vai terminar o filme com alguma expressão próxima do “EITA CUZÃO” que eu mandei para o senhor que estava do meu lado na sessão e concordará comigo quando que digo: que época pra se viver.

Rogue One: Uma História Star Wars não é uma peça essencial na franquia, mas uma que me fez sentir agradecido por ter visto. Como um filme antológico, peca em ser autossuficiente, já que certamente dependerá de outras mídias para explorar alguns de seus personagens, e ainda assim termina sendo gratificante e memorável, entrega personagens marcantes, cenas de ação do caralho, história envolvente, muito fan-service e easter eggs que colocarão um sorriso no rosto dos fãs.

Rafael Oliveira faz análise de jogos, filmes e séries regularmente para o Critical Hits, além de postar notícias e artigos esporadicamente. Acha que Shadow of the Colossus é o melhor jogo já feito e tem um lugar especial no coração para Platformers, RPGs e Metroidvanias.

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