Não é novidade para ninguém que a Capcom andou errando feio a mão com Resident Evil nos últimos 10 anos, especialmente com os jogos da franquia numerada. Depois de Resident Evil 4 que revolucionou os jogos de ação com a implementação de mecânicas que são copiadas e servem de inspiração até hoje, o que vimos foi uma sequência de decisões equivocadas que fizeram a maior franquia da Capcom perder destaque e deixar de ser referência.

Tentando manter o embalo das mecânicas implementadas por Shinji Mikami em Resident Evil 4 e aliar a elas o boom dos jogos de tiro frenéticos, em 2009 veio Resident Evil 5, um jogo que apesar de contar com um grande enredo e com jogabilidade e mecânicas que funcionam muito bem, perdeu toda a identidade da franquia.

Tentando embarcar na onda dos shooters e jogos competitivos, em 2012 tivemos o lançamento de Resident Evil: Operation Raccoon City, um jogo que apostava no sentimento de nostalgia ao reviver cenários da era de ouro da franquia aliados a uma jogabilidade rápida e com ação constante e um festival de tiros. Mais uma falha, infelizmente por conta de incontáveis e irritantes bugs e jogabilidade imprecisa e falha, o jogo naufragou apesar da sua proposta interessante.

Ainda em 2012, veio o aguardadíssimo Resident Evil 6, jogo que prometia ser o mais grandioso de toda a franquia, com quatro campanhas diferentes interligadas, com a presença de dois dos maiores heróis da franquia – Leon e Chris, com a volta de personagens como Sherry Birkin e Ada Wong, além da introdução do filho de Albert Wesker, o jogo foi um tiro no pé, se perdendo em sua própria falta de identidade, tentando agradar a todos e não agradando a quase ninguém, e com um enredo digno da pior novela mexicana.

Além de tudo isso, RE6 representou um grande tombo financeiro para a Capcom, que esperava vender 6 milhões de unidades nos primeiros meses de lançamento, e até hoje, quase cinco anos depois do lançamento, ainda não atingiu essa marca.

Todos estes tropeços, especialmente RE6, fizeram a empresa repensar os rumos da franquia e passar por um hiato de quase cinco anos de jogos numerados. Foi então que veio o anúncio de Resident Evil 7, um jogo completamente diferente de tudo, com câmera em primeira pessoa, focado completamente no horror de sobrevivência e em busca de reviver esse estilo com base em elementos clássicos da franquia. Mas, depois de tantos erros, por que ainda devemos nos importar com RE?

Resident Evil 7: o resgate do survival horror?

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Cercado de muita expectativa e polêmica, Resident Evil 7 está às portas de seu lançamento. Depois de anos apostando na mesma mecânica e vendo a franquia decair verticalmente, a Capcom resolveu dar uma nova guinada em RE apostando tanto na volta de elementos clássicos quanto em importantes e substanciais mudanças no coração do jogo. Em termos de mudanças substanciais, três delas devem ser destacadas, sendo que duas delas são novidades e uma é um resgate.

A primeira e mais polêmica é a mudança do estilo da câmera para a visão pessoal. Depois de 20 anos alternando entre a câmera fixa em um primeiro momento e a câmera em terceira pessoa, trazer a câmera em primeira pessoa para um jogo numerado é uma aposta ousada e bastante perigosa, principalmente porque as experiências da franquia com esse estilo de câmera se deram em jogos spin-off que não obtiveram muito sucesso. O risco do uso da câmera em primeira pessoa é grande também porque RE é uma franquia com personagens icônicos e carismáticos, a maioria dos protagonistas está na ativa a quase duas décadas, e o uso da câmera pessoal simplesmente tira a perspectiva de estarmos controlando um personagem, ainda que o protagonista de RE7 seja um personagem completamente novo.

Entretanto, deve-se destacar a ousadia da empresa, que com uma mudança tão brusca na mecânica da franquia, conseguiu ao menos despertar a curiosidade de muita gente e chamar para si uma atenção que há muito a franquia não tinha. Também deve-se acrescentar que com essa mudança, teremos sensações de terror, angústia e ansiedade muito mais profundas, afinal é isso que a perspectiva em primeira pessoa traz: um nível de imersão muito maior a ponto de fazer o jogador se sentir dentro daquela estória, especialmente em um jogo com enredo que pretende abusar de situações de estresse psicológico, jumpscares e perseguições implacáveis.

A já citada ausência de personagens clássicos é outro ponto importante a ser destacado. Sem a presença dos icônicos Chris, Jill, Leon, Claire e Ada, temos pela primeira vez em muito tempo, um protagonista completamente cru naquele tipo de situação, em outras palavras, Ethan é gente como a gente, e controlar um personagem sem treinamento militar e que não está acostumado a lidar com BOWs e outros monstros torna a experiência de RE7 ainda mais íntima ainda mais com o recurso da câmera pessoal.

O importante resgate de RE7 é o uso remodelado de elementos que caracterizaram o auge do survival horror no fim da década de 1990. A forte presença e influência dos files, puzzles, baús, inventário limitado, pouca munição e itens de cura, save rooms, corredores estreitos e escuros, inimigos ameaçadores, exploração, backtrack sãos elementos faziam parte da primeira fase de Resident Evil e foram sendo deixados de lado no decorrer do tempo. Grande parte dos fãs queria tais elementos de volta, e eles estarão presentes em RE7.

A união destes três importantes elementos pode fazer o survival horror emergir novamente a um lugar de destaque no mercado de games justamente com a franquia que o popularizou e o colocou no topo das paradas. Ainda há muitas coisas obscuras sobre RE7, como por exemplo o seu enredo, a forma como o jogo será ligado aos demais da franquia, mas existem motivos de sobra para ser ao menos receptivo com o que o jogo propõe, principalmente por ele ser um ar de mudança em meio a um amontoado de jogos falhos que acabaram fazendo com que Resident Evil descesse de patamar na última década.

Resident Evil 2 Remake: será que vem este ano?

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Quase tão aguardado quanto Resident Evil 7, é o Remake de Resident Evil 2, que fora anunciado em agosto de 2015 por Yoshiaki Hirabayashi. Resident Evil 2 é um dos capítulos mais amados e idolatrados da franquia. Considerado por muitos (inclusive por este que vos escreve) como o melhor Resident Evil lançado até hoje, RE2 apresenta três dos mais icônicos personagens da franquia: Leon, Claire e Ada. O jogo traz dois diferentes cenários, que podem ser jogados tanto com Leon como com Claire, dando ao jogo um total de quatro possibilidades de gameplay. Além disso, o jogo ainda traz três modos extras, uma variedade imensa para um jogo lançado a quase duas décadas atrás.

Com um equilíbrio quase perfeito entre terror e ação, um enredo espetacular para os patamares da época, e personagens carismáticos, Resident Evil 2 marcou uma geração inteira de fãs e é até hoje um dos jogos mais vendidos da Capcom. Com a crescente onda de remakes e remasters que tomaram conta do mercado de games nos últimos anos, os fãs vinham pedindo incessantemente por um remake deste clássico, e foram atendidos. Entretanto, desde o anúncio do jogo, muito pouco foi divulgado ou falado sobre ele.

Talvez a Capcom esteja mantendo as informações do jogo em sigilo para manter os holofotes sobre Resident Evil 7 ao menos até o seu lançamento, sendo provável que novidades sobre RE2 Remake sejam divulgadas ainda no primeiro semestre deste ano, eventualmente com algum trailer e data de lançamento sendo mostrados na E3 2017.

A verdade é que tanto quanto RE7, Resident Evil 2 Remake carrega em si enormes expectativas, mas carrega também o enorme peso de entregar um produto no mínimo tão bom quanto o jogo original. No passado, a Capcom já se mostrou extremamente capaz de recriar um clássico quando lançou em 2002 o Remake do primeiro Resident Evil. A empresa conseguiu entregar um jogo tão bom, tão polido e tão bem amarrado que acabou virando referência quando o assunto é remakes, tanto é que o jogo ganhou versões remasterizadas para os consoles da sétima e oitava gerações mais de 10 anos após o seu lançamento original, e ainda assim quebrou recordes de vendas digitais da empresa.

O fato é que de lá pra cá muita coisa mudou dentro da Capcom, incluindo mudanças importantes de estrutura e de equipe, com a saída de importantes cabeças que estavam a frente da franquia até aquele ano de 2002. Ao mesmo tempo que essas mudanças ocorreram e podem significar um sinal amarelo para RE2 Remake, os recentes equívocos da empresa com jogos como RE6 fizeram-na recuar e reavaliar a forma de produzir e entregar os jogos da franquia, o que pode e deve ter um impacto direto em RE2 Remake.

E nos cinemas?

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Há também o lado cinematográfico de Resident Evil. Ainda em janeiro, teremos o esperado último capítulo da franquia em live-action criada por Paul Anderson e estrelada por Milla Jovivch. Apesar de tomar um rumo que desagradou a enorme maioria dos fãs dos jogos, os filmes continuam a fazer sucesso e a arrecadar centenas de milhões de dólares.

Resident Evil 6: O Capítulo Final levará Alice e seus amigos de volta aonde tudo começou: a Colméia em Raccoon City, e o confronto final contra a Umbrella promete mais cenas de ação espetaculares, coreografias de luta mirabolantes e efeitos especiais aos montes. O enredo, a gente sabe que não é bem o forte dos filmes de Paul Anderson, mas de qualquer forma é garantia de diversão para quem assistir desencanado.

Em 2017 também teremos o novo filme em CGI: Resident Evil Vendetta. Ao contrário dos filmes em live-action, os filmes em CGI fazem parte da cronologia da série e trazem os personagens dos jogos em ações que impactam diretamente na história de Resident Evil. RE Vendetta reunirá os dois principais personagens masculinos: Leon e Chris, além de trazer de volta Rebecca Chambers, que teve sua última participação no jogo Resident Evil 0.

Também na contra-mão dos filmes em live-action, os filmes em CGI são bastante apreciados pelos fãs dos jogos, e sempre chegam cercados de expectativa e acabam atendendo a esse hype. A qualidade dos filmes vem subindo desde o lançamento do primeiro, e a tendência é que RE Vendetta tenha uma qualidade técnica ainda mais alta que a de seu antecessor, e que também adicione importantes informações e quem sabe até um novo arco a ser explorado por futuros jogos da franquia, como é de praxe para os filmes em CGI, já que RE Degeneração serviu de prólogo para RE5 e RE Condenação serviu de prólogo para RE6.

E aí, como está seu hype para os lançamentos de Resident Evil em 2017? Algum deles te empolga? Conta aí pra gente nos comentários!


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Ceraldi é editor e responsável pelo REVIL, o maior fã-site de Resident Evil da América Latina. Há tempos nutre um amor platônico pelo Critical Hits, até que enfim resolveu se declarar publicamente e entrar para o time do melhor site de games da Galáxia. Divide seu tempo entre esposa, bacon, cerveja, gatos, games, séries e o resto que sobra, tenta trabalhar.



  • Bruno Ulisses

    Excelente texto, não esperava menos do Ceraldi ou de qualquer um do Revil. Parabéns pelo site.

    PS: Meu hype total vai pro RE7, gosto muito quando a Capcom é ousada e resolve mudar drásticamente. Foi assim com RE4, pode não pode ser sucesso com o RE7?

  • Rodrigo Zika!

    Bom artigo.