Fala, galera, tudo bom com vocês?

No texto de hoje (e olha que faz um tempão que eu não escrevo textos assim), eu vou contar para vocês uma das experiências mais legais que eu já tive aqui no Critical Hits e provavelmente na minha vida toda: o dia em que um deficiente visual me deu uma surra num jogo de luta.

Isso aconteceu na BGS desse ano. Eu estava com o pessoal do site fazendo uma visita guiada no estande da Nvidia, e a primeira atividade no estande era jogar Tekken 7 num PC Monstrão e numa tela de 4K. A partida foi entre eu e o Rafinho, e eu até brinquei antes do começo da partida, que finalmente ia fazer com ele no jogo o que eu queria fazer na vida real. Resultado da partida? 3 rounds a 1 para mim.

Depois dessa partida, eu vi que o João Vitor, um fã do site de longa data que eu já havia encontrado na BGS do ano passado, me cumprimentou e perguntou se eu queria ter uma experiência diferente: jogar Tekken com o irmão dele, o Gabriel. Até aí tudo bem, mas havia um pequeno detalhe: o irmão dele era deficiente visual, e se guiava pelo jogo apenas ouvindo o som dos personagens no cenário. Como eu iria recusar uma oportunidade dessas? Eu aceitei na hora, adiando assim a visita guiada que estava agendada.

Akuma32

Antes da partida começar, o pessoal do site havia comentado comigo que o garoto jogava muito, e que ele estava passando o rodo em todo mundo que jogava contra ele no Tekken 7. Lá, havia uma promoção da Nvidia e da Bandai Namco, se você vencesse três pessoas em sequência, você ganhava um pôster do jogo. Imagino que ele tenha levado uma caixa desses pra casa, já que ele esteve no estande no primeiro dia por boa parte da tarde, e também no segundo dia, quando nos encontramos por lá.

Pois bem, vamos ao duelo. Para agilizar a vida, eu perguntei ao monitor da Nvidia se poderíamos pular a fila e nos enfrentarmos para uma matéria. Ele disse que sim e, assim que a partida que estava rolando acabou, fomos para o console. Antes de começar, nos cumprimentamos e Gabriel estendeu a mão para que eu a apertasse. Assim o fiz e então a luta começou, ele escolhendo Kazuya e eu Akuma.

Cara, como explicar? Ele simplesmente me destruiu no primeiro round. Eu estou longe de ser o melhor jogador de Tekken do mundo (sempre gostei de jogos de luta, mas o meu negócio é Street Fighter, até por isso eu peguei o Akuma, que está fazendo a estreia dele na franquia), então vocês devem imaginar como eu me senti, parecendo uma criança enfrentando o irmão maior que não dá a mínima chance para ele.

Para a minha sorte, eu consegui equilibrar as coisas com um bom segundo round onde, apesar de levar boas porradas, eu acabei conseguindo vencê-lo. Como o Tekken 7 estava configurado para uma melhor de cinco, ainda tínhamos potencialmente três rounds pela frente, e eu comecei a me ajustar em relação ao estilo de combate dele.

gabriel2

O terceiro round da partida acabou sendo meu também, com uma vitória que foi até que fácil. Vai ver eu dei sorte e acabei pegando ele no contra-ataque. Seja como for, ainda faltava um round para que eu vencesse ele definitivamente, mas foi aí que tudo mudou.

O quarto round do combate foi competitivo, com ele me deixando com uns 10% de vida e eu deixando ele com 40% da vida próximo ao fim, quando eu encaixei alguns combos e quase terminei tudo ali para ver meus esforços reduzidos a pó quando ele tirou o resto da minha vida.

Eis então que tudo foi para o round final. O resultado? Perfect pra ele. Putz, eu não consegui acreditar. Deu tudo certo pra ele, eu não consegui fazer nada. O meu personagem perdeu quase metade da vida no combo inicial dele, e mal conseguiu levantar para levar mais uma sequência avassaladora que acabou por terminar com a vida ele.

No fundo, eu só ouvi o pessoal do site tirando uma com a minha cara. Não por causa da derrota em si, mas sim por causa do perfect. Levar um perfect em jogo de luta é sempre bem chato, afinal de contas, você não conseguiu fazer absolutamente nada.

Terminado o combate, eu agradeci pro Gabriel pela oportunidade e perguntei a ele se ele gostaria de ser entrevistado para uma matéria no nosso canal do Youtube. Ele topou e abaixo você pode conferir a matéria na íntegra:

O que eu tirei dessa experiência? Que não existe limitação que impeça as pessoas de serem apaixonadas pelos jogos, seja ela visual, auditiva ou qualquer outro tipo de limitação. Faz uns anos, postamos aqui uma matéria sobre um garoto que não tinha braços e que mesmo assim acertou um Pentakill numa partida de League of Legends, usando um controle adaptado para os pés dele. Esse é um dos posts mais acessados da história do site. Outro exemplo de como a paixão pelos jogos vence qualquer tipo de obstáculo é o jogador Brolylegs, que participa da cena competitiva de Street Fighter usando a boca. Ou seja, o céu é o limite para quem quer se divertir com os jogos.

Por falar em jogos competitivos, como na matéria do Brolylegs, o Gabriel comentou na entrevista que ele gostaria de participar de mais campeonatos de jogos de luta. Até hoje ele participou apenas de um, mas com o crescimento do cenário de jogos competitivos aqui no Brasil, imagino que ele ganhe a oportunidade de jogar em outros e deixar mais uns olhos roxos digitais por aí.

Depois da partida, eu fiquei pensando “poxa, o Gabriel e outros amantes dos games que não enxergam ou que mal enxergam não podem conferir nossos textos no Critical Hits porque o site simplesmente não tem um botão que possibilite ao usuário ouvir nossos posts”, e essa foi a primeira coisa que eu fiz quando sentei no computador depois de chegar em casa. Eu nunca havia pensado nisso porque não é algo que esteja na minha realidade, mas fico feliz em saber que desde esse fim de semana, o Gabriel e quem mais quiser, agora pode ouvir todos os nossos posts.

Só essa experiência já valeu por uma década de BGS.


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Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.



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