A Platinum Games é conhecida por ser uma respeitada desenvolvedora de jogos do Japão e, quando a Square Enix anunciou que ela iria cuidar de NieR: Automata, muita gente ficou empolgada não só com o fato dela estar cuidando desse jogo, mas com o fato da franquia NieR, que é uma franquia cult, estar ganhando mais uma chance nessa geração. Será que essa combinação dá liga?

NieR: Automata é um jogo que se passa centenas de anos após a Terra ser conquistada por alienígenas e estar dominada por máquinas. Os humanos foram expulsos para a Lua, e desde então tentam retomar o seu planeta natal. Para isso, você controla 2B, uma androide que, juntamente com 9S devem cumprir uma série de missões no planeta e ajudar os humanos a retomá-lo, seja da própria natureza, seja de máquinas que variam de tamanho entre pequenas e gigantescas.

Um dos principais pontos fortes de NieR: Automata são as interações entre 2B e 9S. Apesar de 2B ser bem quieta e falar pouco, 9S compensa essa falta de falas, e ambos se complementam muito bem, fazendo assim que você dar boas risadas das conversas entre ambos e ajudando assim o jogador a criar um laço de proximidade entre os personagens.

Uma das primeiras coisas que o jogador vai notar em NieR: Automata é o fato do jogo não ser um jogo de ação tradicional. O jogo começa, na verdade, como um Shmup, ou seja, um jogo daqueles “de tiro de navinha” onde você tem que matar o que vai aparecendo na tela. Esse modo de jogo é bem interessante, e certamente traz uma quebra legal na jogabilidade de NieR: Automata, ainda mais que ele realmente vai fazer você suar em alguns momentos e ter que repetir certas partes por achar que elas seriam uma barbada.

O modo de tiro de nave ainda apresenta uma espécie de combate de robôs de nave também, que acaba pintando não apenas antes de algumas missões, mas durante elas e também durante certos chefes do jogo. É uma maneira interessante que a Platinum encontrou para fazer o jogo não ser uma simples sequência de “vá do ponto A até o ponto B matando o que você encontra no caminho e blablabla”.

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Aliás, variação no gameplay e no estilo de jogo é uma das principais características de NieR: Automata. Uma das coisas que o jogo mais faz é ir alternando em estilos, seja no tradicional 3D de RPG de aventura, seja em plataforma 2D, seja no modo nave, o jogo faz isso com muita precisão e dificilmente gasta muito tempo apenas num deles. As transições são feitas diretamente no jogo sem nenhum tipo de carregamento e certamente são um dos pontos altos do game. O design de fazes realmente brilha em NieR: Automata.

Algo que não brilha tanto assim é o combate do jogo. Infelizmente, o combate em NieR: Automata acaba sofrendo um pouco pela quantidade de ações que ele tenta apresentar ao jogador. No fim das contas, os botões ficam mal configurados não importa em qual configuração você escolhe, e parece que o sistema de combate do jogo acaba prejudicado por isso. Ele poderia ser muito melhor, se fosse um pouquinho mais organizado.

No fim, o jogador acaba pagando o pato, volta e meia errando esquivas (e dói quando isso acontece) e perdendo tempo para causar dano importante em certos chefes que são deixam você fazer isso dentro de uma janela. O combate do jogo não chega a ser estragado por isso, mas a impressão que fica é que o sistema de combate do jogo poderia ser bem melhor, se certos ajustes fossem feitos.

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Um detalhe interessante a ser citado de NieR: Automata é o sistema de “contratação de cadáveres”. A ideia desse sistema é inspirada em Dark Souls. Quando você e outros jogadores morrem, o corpo de vocês fica no mapa, e você pode pegá-los para ficar com os itens dele e afins, mas ao invés disso, também é possível contratar esses cadáveres como personagens controlados pela IA, dessa forma tendo um segundo companheiro, além de 9S. É uma adição interessante ao jogo, e que pode te ajudar a passar de certas partes difíceis com um pouco mais de facilidade.

Além da campanha principal, que dura entre 15 e 20 horas para ser concluída, NieR: Automata ainda conta com uma série de minigames e de sidequests bem interessantes dentro do jogo. Cada uma delas tenta contar uma história em separado, geralmente pequena, e geralmente que contribui para que o jogador compreenda melhor o mundo do game. Há até uma hora no jogo onde você anda de montanha russa, e esse acaba sendo um daqueles momentos que acabam marcando o jogo para muitos.

Vale ressaltar ainda que NieR: Automata tem vários finais diferentes, o que acaba fazendo o jogo render bem mais para os jogadores. Ao completar o game, você pode iniciar um modo New Game+ e tentar conseguir outro final, fazendo o game render bem mais para você e mostrando a habilidade do diretor do jogo, Yoko Taro, em criar uma história que pode acabar e se desenvolver de diversas formas.

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Graficamente, NieR: Automata é um jogo extremamente bonito e bem feito. O jogo não apresenta nenhum tipo de slowdown mesmo no PlayStation 4 normal e conta com belíssimos ambientes e um ótimo design de inimigos também. Para completar, o jogo ainda conta com uma ótima trilha sonora e uma excelente dublagem.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS4 fornecida pela Square Enix.

 

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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