Hotline Miami tornou-se um sucesso instantâneo quando foi lançado em 2011, e é até curioso que a fórmula do jogo não tenha sido copiada por tanta gente assim, já que esse é um dos melhores e mais divertidos indies lançados nessa década. Mr. Shifty é um jogo que bebe dessa inspiração e adiciona super poderes no meio. Será que o jogo tem o que é necessário para sair-se bem ou é só mais um clone sem graça?

Em Mr. Shifty, você controla Shifty, um ladrão com uma pequena peculiaridade: ele pode teletransportar-se de um lugar para o outro e também pode mover-se em altíssima velocidade, dependendo do momento. Por causa dessas habilidades, Shifty é um ladrão com uma missão: invadir o prédio mais seguro do mundo e roubar o megaplutônio, um composto extremamente perigoso que será usado pelo empresário malvado dono do prédio para dominar o mundo.

Sim, o enredo de Mr. Shifty não poderia ser mais genérico do que ele é, e, na verdade, ele já é meio que um cartão de visita do jogo em si. O game apresenta uma estrutura simplificada do que encontramos em Hotline Miami e em Hotline Miami 2. Aqui, você não tem armas de fogo, você apenas tem os próprios punhos no começo do jogo e a habilidade de teletransportar-se entre paredes, para fugir de tiros e para esconder-se dos inimigos, e você deve fazer o melhor possível para que isso seja o suficiente.

Por falar em história genérica, a companheira de Shifty, Nyx, também não poderia ser mais genérica. Ela é uma moça que aparece a cada fase e dá instruções como “acabe com eles” e assim por diante, raramente ajudando de fato em alguma coisa ou nos fazendo esquecer por um minuto que a história do jogo não faz a mínima contribuição para que a experiência seja mais agradável.

O jogo começa de maneira bastante fácil, na verdade, e você vai acabar sentindo que os teletransportes de Shifty são, de certo modo, mais do que o suficiente para resolver a maioria dos desafios que o jogo coloca contra você sem maiores dificuldades. Uma das coisas que fazia Hotline Miami ser bom como era foi exatamente isso: a dificuldade, a necessidade de fazer tudo milimetricamente pensado, mas de maneira ágil, enquanto que aqui, dá para passar de várias das fases apenas agindo como um sonâmbulo.

Como o jogo se passa todo dentro do prédio do vilão, há pouca variação nos cenários. Você vai andar por salas de reunião, bibliotecas e assim por diante, todas recheadas de inimigos, mas eles também variam pouco e, na maioria das vezes, você vai encontrar o cara da pistola, o cara da metralhadora, o cara da doze e o gordo que dá socos e é mais resistente a porradas. Além do teletransporte e do Bullet Time, você ainda pode usar certas armas brancas no jogo, como vassouras, que aumentam o seu alcance de ataque e o poder de ataque também, facilitando ainda mais a vida de Shifty.

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Além dos capangas, você ainda vai encontrar desafios de teletransporte, como passar por lasers super rápidos que podem fazer você virar uma fatia, fugir de explosões e assim por diante. Nesses casos, o desafio aumenta um pouco, pois você precisa ser mais preciso e qualquer erro pode resultar na sua morte. O problema é que, a cada morte, você demora um tempo considerável para renascer, e tem que ver todas as cutscenes e diálogos que aconteceram de novo, quebrando um pouco a agilidade do jogo.

No fim das contas, Mr. Shifty adiciona um detalhe interessante à ideia de Hotline Miami, mas tira tantos detalhes que parece uma versão genérica e feita pela metade do jogo sueco. As fases são fáceis demais, os diálogos não têm a mínima graça, o seu objetivo é sem graça, os inimigos são absurdamente burros, os desafios de lasers demoram demais para recomeçar se você morrer, e assim por diante. Dá sono jogar Mr. Shifty, e o jogo acaba virando aquele clássico “vou terminar só porque eu paguei mesmo por ele”, na inércia. Se você está procurando mais jogos semelhantes a Hotline Miami, Mr. Shifty não é exatamente um deles, infelizmente.

Graficamente, o jogo tem seu estilo de visual, mas apresenta severas quedas de framerate em alguns instantes mais movimentados no Nintendo Switch, console que foi usado para fazer a análise do game. Considerando-se que estamos falando de um jogo 2D, isso é meio que inadmissível e, espero eu, seja consertado no futuro.

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A trilha sonora do jogo é outro ponto fraco dele. A trilha tem duas ou três músicas apenas, que tocam no Repeat durante a fase toda, e cada uma delas parece ter só 30 segundos de música mesmo. Um dos melhores pontos do jogo que eles inspiraram-se era a música que tocava enquanto você rachava crânios. Não dá pra acreditar que eles simplesmente deixaram esse detalhe passar desapercebido. As músicas não são ruins, mas são repetitivas demais e logo cansam por causa disso.

Para completar, a localização do jogo para o português parece ter sido feita no Google Tradutor. Há erros grotescos de tradução e eu duvido que alguém tenha revisado as telas do jogo, pois “Objetivo Limpo” não é algo que passaria por qualquer olho de revisor, seja ele quem for.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Nintendo Switch fornecida pela Publisher.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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