A nostalgia é um forte sentimento que pode acabar nos mascarando algumas lembranças, e nos fazendo achar que, ao invés de ruins, ou mais ou menos, elas eram muito legais. Muita gente explora esse sentimento, seja para lançar produtos, seja no entretenimento, seja na produção de conteúdo, e é possível entender a validade disso, afinal, nostalgia é um negócio legal, e é exatamente isso o que Power Rangers: Mega Battle quer ser, um jogo para os nostálgicos, mas também um jogo para quem quer conhecer as origens da série. Será que ele consegue? Vamos descobrir abaixo.

Em Mighty Morphin Power Rangers: Mega Battle, você revive a primeira saga de Power Rangers, enfrentando Rita Repulsa e as repetidas tentativas dela de acabar com a Alameda dos Anjos. Para evitá-la de cumprir esse papel, você encarna um dos cinco Power Rangers originais e parte para a batalha num esquema beat them up que almeja agradar os fãs de Final Fight, Streets of Rage e diversos outros sidescrollers lançados na primeira metade dos anos 90. Aqui, infelizmente, encontramos o primeiro grande problema do jogo: a jogabilidade dele é péssima.

Caso você não tenha jogado o jogo ainda, imagine-se dentro de um beat them up onde você não consegue acertar os inimigos. Pois é isso o que acontece em Mega Battle. Na maioria das vezes, os seus socos vão passar reto pelos adversários, seja porque você está a um pixel de distância do que deveria, seja porque você não está no exato plano em que o inimigo se encontra. A quantidade de vezes que os golpes não conectam e que você fica socando o vazio é grande, e só por esse indicativo inicial você já vê que a sua jornada vai ser bem mais difícil do que deveria, não por sua culpa.

O jogo funciona num esquema bastante parecido com o clássico de Super Nintendo e Mega Drive, Mighty Morphin Power Rangers. Nele, você começa destransformado e vai batendo nos inimigos de massinha até acumular poder o suficiente para morfar. Bata em inimigos o suficiente e você chega no final do estágio. Passe três estágios e você chega no chefão. Mate o chefão na batalha normal e você tem que enfrentá-lo no modo Zord, mate no modo Zord e aí você vai para o modo Megazord e finalmente despacha o inimigo de uma vez por todas.

Cada um desses três estágios tem problemas de construção, então vamos analisar cada um deles. O primeiro grande defeito das fases eu falei ali em cima, que é a falta de ataques que conectam, mas também o ritmo das fases acaba sendo lento demais, e cheio de interrupções para que o Alpha e Zordon conversem com você para dar informações inúteis sobre o que está acontecendo. Fora isso, as fases são muito simplórias também, e com pouca variação no desafio. Você basicamente bate nos inimigos que aparecem na tela até que o jogo te diga para ir até a outra tela e repete isso até o fim da fase. Às vezes você tem um objetivo diferente aqui ou acolá, mas é pouco ainda assim.

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Terminada a fase e o chefe morto no modo Ranger, você enfrenta ele no modo Zord que é basicamente uma tela onde você deve atirar nos raios que o inimigo atira em você e atirar nos pontos fracos do inimigo até que a energia acabe. É de longe o modo mais entediante do jogo, afinal de contas, é impossível não vencer o inimigo sem que ele consiga fazer alguma coisa, é só mais 2 ou 3 minutos que você espera até chegar o grande duelo entre o monstro da semana e o Megazord.

Como vocês imaginam que seja esse duelo? Você controla o robozão e enche o inimigo de porrada num estilo Mighty Morphin Power Rangers: The Fighting Edition? Errou! Você enfrenta o inimigo com quick time events onde você deve digitar rapidão os botões que o jogo bota na tela. Se você fizer certo, o seu Megazord senta o laço no inimigo. Se você errar totalmente, acontece o contrário, e se você acertar parcialmente, você perde energia, mas tira energia do inimigo também.

E é isso, repetido por várias fases até o final do jogo. Conforme você mata inimigos, você ganha experiência e dá level up no seu personagem, comprando vários upgrades que facilitam a vida do personagem em teoria, mas ainda assim, o jogo se esforça bastante em não dar a mínima vontade no jogador de que ele volte a jogar o game assim que ele note que infelizmente essa está longe de ser uma boa experiência no mundo de Power Rangers. Talvez o jogo sena menos pior com amigos, já que é possível jogar com até 5 pessoas na tela, exatamente como era em Power Rangers, mas sozinho a diversão passa bem longe.

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“Mas, Eric, esse é um jogo para crianças, você está exagerando nas críticas!”. Estou? Veja bem, os dois jogos que eu citei acima são de Super Nintendo, lançados em 1995 e 1996 respectivamente. Ambos os jogos são superiores a Mega Battle no que se propõe, tem um estilo gráfico mais bonito e são jogos que já fizeram mais de 20 anos. É vergonhoso que a Bandai Namco não tenha conseguido fazer um produto melhor do que esses jogos. Não custaria muito a mais para fazer isso. São questões de ajustes finos que fariam o jogo ser infinitamente melhor do que ele é atualmente. Se você quer uma experiência boa de um jogo com Power Rangers, os jogos  de SNES são muito mais interessantes do que esse, e não parecem um jogo criado para você jogar no Newgrounds.

Graficamente, o jogo tem um estilo de arte que me desagrada, mas aí é questão de gosto mesmo. Ele parece bastante com os desenhos animados da atualidade, e eu entendo que ele seja escolhido assim para agradar a criançada de hoje em dia, mas eu não gostei. A trilha sonora do jogo é provavelmente o único ponto realmente positivo do game, com vários arranjos de rock e metal que combinam com a ideia original dos Power Rangers e empolgam um pouco o ritmo lento de progressão das fases.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One fornecida pela Bandai Namco do Brasi

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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