Maize é um jogo que te coloca na pele de um milho consciente que está perdido em uma fazenda onde dois cientistas nada inteligentes interpretarem errado uma mensagem do governo, dando a vida à não apenas um, mas vários milhos. O estúdio canadense, Finish Line Games ainda descreve seu jogo como uma mistura de Monty Python e os episódios mais divertidos de Arquivo X, o que já é uma chamada interessantíssima para uma aventura em primeira pessoa repleta de puzzles que, infelizmente, não entrega uma experiência muito divertida.

Você, o não-nomeado milho, acorda no meio de um milharal onde vários de seus irmãos não conscientes ficam parados te dando caminhos para seguir e outros conscientes te dão as costas e somem. Você deve descobrir… Bem, o jogo não te diz o que você deve descobrir ou o que você está buscando, apenas te manda seguir pelos caminhos e achar itens por aí.

Os itens que são coletados são separados em dois grupos: os utilizáveis ficam em sua mão e serão todos usados para abrir algo, desbloquear um caminho ou ser combinados para gerar outro item que possui alguma finalidade no jogo. Já outros itens, geralmente papéis, são adicionados ao seu portfolio e são de utilidade média para entender o que se passou no local e como ocorreram os experimentos com milho.

Ver esses itens sendo transformados em algo útil é bem divertido, mas coletá-los não é nem um pouco, principalmente quando fica apenas um pequeno item que está escondido em algum lugar do cenário empacando seu caminho e não há nenhuma dica de onde ele está. Conforme você coleta os itens e faz as coisas corretas com eles, o jogo prontamente te avisa se caminhos novos se abriram, o que significa que irritantes caixas de papelão que bloqueiam as passagens e tornam o jogo estupidamente linear magicamente sumiram.

Talvez “linearidade” não seja a palavra certa para criticar Maize, mas é a mais simples que eu encontrei para demonstrar meu descontentamento com o jogo que te prende em áreas minúsculas e te obriga a encontrar um item cujo uso seria basicamente impossível para qualquer coisa, sendo que os próprios cenários contam com muitos outros itens não interativos que poderiam ser usados. Um pouco mais de liberdade ao jogador e uma variação de possibilidades no gameplay ajudaria o jogo a ser menos maçante.

Não há muito o que fazer no jogo além de andar, coletar itens, procurar por aqueles que você não coletou, dar algum uso a todos eles e curtir os diálogos (que são de longe o ponto mais alto do game). Maize é um jogo recomendado para fãs de walking simulators e apenas isso, já que seus puzzles são tão simples que beiram o ridículo (decisão que parece ter sido proposital, mas que não surte o efeito que os desenvolvedores esperavam que surtisse). Enfim, se você é fã de puzzles, Portal, The Witness ou Talos Principle te darão mais diversão e desafio.

E se na parte da jogabilidade Maize peca bastante, nos outros aspectos técnicos é onde ele mais se destaca. A trilha sonora cria uma atmosfera de suspense que GRITA Arquivo X. Durante toda a (curta) campanha, que tem em média 4 horas, a sensação de se estar dentro de um episódio da série é real e apesar das músicas se repetirem bastante, elas não enjoam. O visual de Maize é ok, seus cenários não são nem um pouco memoráveis, mas o mesmo não pode ser dito dos personagens que proporcionam os melhores momentos de todo o jogo.

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Em sua maioria milhos falantes que gostam de tirar sonecas, o eleco de Maize é bem improvável e divertido e inclui um urso de pelúcia soviético robô, pro caso de milhos falantes não serem um absurdo total. Vlady te segue por todos os lugares sempre te chamando de idiota por ficar pegando todo o tipo de lixo inútil, não há como não amá-lo. Os diálogos entre os personagens são bem engraçados e a dublagem do jogo (apenas em inglês e que não conta sequer com legendas em inglês) é muito bem feita também.

Também acompanhamos os “diálogos” dos dois cientistas responsáveis pelos experimentos que deram a vida a você e aos demais milhos. Os dois possuem personalidades completamente opostas e trocavam mensagens através de papéis post-it que podemos encontrar espalhados por todos os cenários. Através deles podemos entender como as pesquisas começaram, como começaram a dar errado e como tudo terminou. As conversas entre os dois são mais um ponto alto do jogo que não vai muito além das interações dos personagens.

Maize tem um estilo de humor pastelão que não se vê mais e chega a ser divertido nas cutscenes, mas quando o controle é dado ao jogador ele se torna um jogo bem meh. Talvez você se lembre dele pela premissa ou por um ou outro personagem, mas, no geral, Maize é bem pouco memorável.

Review elaborado utilizando uma cópia do jogo para PC fornecida pela desenvolvedora.

Rafael Oliveira escreve no Critical Hits sobre quadrinhos, cinema e séries de TV, além de games. Acha que Shadow of the Colossus é o melhor jogo já feito e tem um lugar especial no coração para Platformers, Musou e Metroidvanias.

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