A Guerrilla Games é conhecida pela franquia Killzone, mas quem disse que dar uma variada não é algo bom, não é mesmo? Desde que o estúdio foi fundado, eles só trabalharam na franquia de FPS, e Horizon Zero Dawn, quando foi apresentado, pareceu uma mudança muito bem-vinda ao tom de jogos criados pela companhia. Será que, além da mudança, o jogo também se prova tão bom assim?

Em Horizon Zero Dawn, você controla Aloy, uma garota que vive num futuro distante, onde a humanidade como conhecemos desapareceu. O mundo foi retomado pela natureza e por dinossauros robôs, e a humanidade regrediu aos estágios iniciais da civilização, juntando-se em tribos e em pequenas cidades estado semelhante àquelas que você deve ter estudado nas aulas de história.

Aloy é uma garota de uma dessas tribo, os Nora, mas ela é um pouco diferente dos outros: como ela não nasceu de uma mãe normal, a garota foi expulsa da tribo, e é criada por Rost, outro homem que também foi expulso da tribo. Aloy tem uma série de perguntas sobre o passado dela e, para respondê-las, Rost a treina para que ela vença A Provação, um evento onde ela e outros jovens competem para tornarem-se guardiões dos Nora.

Quem vence o desafio recebe ainda um benefício extra: ter qualquer desejo seu atendido. Como Aloy sempre quis saber quem ela era e qual era o passado dela, ela se dedica a vencer esse desafio e ter essas e outras dúvidas respondidas. O problema é que, como você logo vai descobrir, o mundo é muito maior do que apenas a tribo dos Nora, e Aloy parte numa jornada em busca de respostas não só sobre ela mesma, mas sobre o mundo todo que rodeia o jogo.

Horizon Zero Dawn, como você logo vai perceber, é um jogo gigantesco, seja olhando para as paisagens e para as criaturas do jogo, seja olhando no mapa do game, que é completamente cheio de atividades e muito grande. Esse é um ponto forte e um ponto fraco do jogo ao mesmo tempo. Ao ter um mapa tão grande assim, é claro que você vai poder passar muito tempo desviando-se dos objetivos principais do game, mas também é claro que você vai levar um tempão para ir de um objetivo a outro , e parece que sempre o próximo objetivo fica a no mínimo 2 mil passos do local onde você está atualmente. Para quem gosta de longas jornadas, isso é excelente, mas se você é daqueles que prefere jogar um jogo de 8 a 10 horas, com começo meio e fim bem definidos, já fica o aviso: Horizon não é um desses.

Até o momento, a melhor definição para Horizon que eu consegui encontrar foi uma fusão do que The Witcher 3, Tomb Raider e Far Cry têm de melhor a oferecer: um mapa gigantesco e cheio de objetivos, um sistema de combate muito bem feito e baseado em arco e flecha e outras armas primitivas e, finalmente, muitos inimigos não humanos (ainda que hajam humanos também) para você caçar e enfrentar não apenas usando os músculos, mas usando o cérebro também.

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O ponto mais forte de Horizon está claramente em seu combate, que não funciona apenas na base da porrada. Praticamente contra quase todo o inimigo você vai ter que usar o cérebro, seja porque os dinossauros são muito mais fortes do que você (e você vai morrer em 2 ou 3 tapas se não se ligar) seja porque os humanos sempre estão em maior número e vão acabar te transformando num queijo suíço se você vacilar.

Ao fazer o jogador pensar, Horizon proporciona uma série de possibilidades para você enfrentar os mesmos problemas. Você pode colocar armadilhas no chão, pode usar bombas, pode usar o seu arco e flecha, pode usar a lança da personagem e assim por diante. Cabe a você encontrar o seu estilo favorito, e perceber que nem sempre é a hora de enfrentar novos inimigos, já que, principalmente no começo do jogo, você vai acabar encontrando robôs que são muito mais fortes do que você.

Enfrentar inimigos mais fortes do que você sempre é uma experiência muito divertida e que certamente vai marcar muita gente, ainda mais quando você enfrenta o seu primeiro robô gigante. Se tem uma coisa em que Horizon acerta em cheio é nessa parte de combate. Pouca coisa poderia ser feita para melhorar essa experiência.

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O jogo ainda conta com um sistema de crafting que vai lembrar os sistemas usados em Far Cry e em Assassin’s Creed. Nele, você precisa caçar criaturas (de verdade desta vez) para conseguir pele e outros itens da natureza para dar upgrade nas suas bolsas de itens, em certos equipamentos e assim por diante, afinal de contas, estamos falando de uma moça que consegue sobreviver sozinha na natureza selvagem se assim ela quiser, certo?

Falando um pouco sobre os personagens de Horizon, infelizmente esse é um dos pontos fracos do jogo. Aloy é uma personagem muito interessante e muito bem feita, mas fora ela, Rost é o único personagem que você vai dar alguma importância no jogo. Nenhum deles é marcante e nenhum deles parece aparecer tempo o suficiente também para que você chegue a se importar com ele. Além disso, as cenas de conversa do jogo são algumas das piores que eu já vi nos últimos anos, sem sombra de dúvidas.

Eu não sei porque a Guerrilla Games decidiu fazer as conversas com a câmera focada apenas no personagem que está atuando e porque ela perdeu tão pouco tempo em desenvolver as cenas de diálogo, mas elas acabam parecendo saídas de um jogo do começo da geração do Xbox 360 ou do final da geração do PlayStation 2. Essas cenas são bem inferiores ao resto que o jogo tem a oferecer. Veja bem, não estamos falando das cutscenes do jogo, e sim das cenas de conversa entre os personagens, como a que você pode conferir abaixo:

Deu para entender o que eu quis dizer? Essa cena, por mais bizarra que seja (ela acontece logo no começo do jogo), não é a única. Há várias cenas semelhantes a essa. No fim das contas, a impressão que dá é que a Guerrilla Games resolveu priorizar o combate e a parte de aventura em si do jogo, e acabou deixando essa parte do game totalmente de lado.

Apesar desses diálogos, no mínimo, estranhos, Horizon conta com uma série de quests e subquests muito interessantes e divertidas, e aí parece mesmo que a Guerrilla Games aproveitou um pouco da inspiração puxada de The Witcher 3 para trabalhar nelas. A maioria das quests não estão no mapa simplesmente para fazer você gastar mais tempo dentro do jogo. Elas estão lá para contribuir com a história e com o próprio desenvolvimento da Aloy. Em todo lugar novo que você chegar, você vai encontrar três ou quatro novos pontos de exclamação de pessoas pedindo a sua ajuda e, na maioria das vezes, você vai gostar de dar uma mãozinha para essas pessoas. Como eu disse anteriormente, esse é um ponto fortíssimo do jogo, mas apenas pro caso de você querer uma experiência que dure mais de uma dezena de horas.

Graficamente, Horizon Zero Dawn é um dos jogos mais bonitos que eu já tive a oportunidade de jogar. O jogo realmente brilha, mesmo no PlayStation 4 normal, e não apresenta nenhum problema de lentidão ou de que o jogo foi “piorado” para rodar na versão normal do PS4. O jogo é tão bonito que eu arriscaria dizer que ele é mais belo até do que Uncharted 4, que, até então, detinha o título de jogo mais bonito dessa geração. A trilha sonora do game também é muito boa, mas a dublagem, principalmente nas cenas de diálogo, poderia ser bem melhor.

Review elaborado com uma cópia do jogo rodando num PlayStation 4 normal. Cópia comprada pelo Critical Hits.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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