O México é um país engraçado, ou pelo menos é assim que eu vejo ele graças à maneira como ele é mostrado nos seriados americanos e afins. Com um povo bastante religioso, galinhas, tequila e uma cultura bastante original com elementos como os “luchadores” (lutadores mascarados de luta livre), é um milagre pouca gente ter aproveitado para beber um pouco dessa mistura toda e criar um jogo. Quer dizer, foi um milagre até a Drinkbox Studios aproveitar e criar um dos melhores jogos do estilo “Metroidvania” (plataforma/beat them up ao mesmo tempo) da história.

Guacamelee começa de uma maneira despretensiosa. Você é Juan Aguacate, um camponês lavrador de agave (a planta que dá origem à tequila) e que tem um amor correspondido pela filha de “El Presidente”. Juan e a moça (que nunca é nomeada durante o jogo) combinam de ir à feira do “dia de los muertos” (dia dos mortos, algo tipo o dia das bruxas americano) e é aí que a coisa degringola, pois um esqueleto chamado Carlos Calaca sequestra a moça para realizar um ritual que uniria o mundo dos mortos ao dos vivos, tornando-o assim senhor supremo de tudo.

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Como em todo jogo de videogame do gênero, cabe a você impedi-lo, não fosse pelo fato de Calaca matar você logo no começo do jogo. Felizmente para Juan, ele acaba encontrando a máscara do Luchador no mundo dos mortos e ela a escolhe, tornando-o assim no legendário lutador que deverá colocar um fim ao mal. E é aí que a aventura começa.

O jogo funciona basicamente como um mix de Castlevania e Super Metroid, mas ao invés de usar espadas ou lasers, você usa socos e golpes de luta livre. Ao invés de se transformar na “morphing ball”, você VIRA UMA GALINHA (vocês não imaginam o quanto eu ri quando descobri isso), ao invés de ter um mestre normal, vocês têm um mestre bode que reclama por você destruir as Chozo Statues (sim, as de Super Metroid) dele. Enfim, deu pra entender? O jogo aproveita o que Metroid e Castlevania têm de melhor e adapta à cultura mexicana de maneira bastante competente, causando algumas risadas em várias dessas adaptações por serem totalmente escrachadas, como uma das vilas onde o jogo se passa, que se chama “Pueblito”, algo como se o meu pai tentasse falar espanhol com algum argentino na beira da praia.

Outra coisa que eu gostaria de comentar um pouco antes de chegar nos aspectos técnicos do jogo em si são as referências que o jogo faz. Ele todo é uma sátira, então porque não fazer versões mexicanas de coisas conhecidas pelo público alvo do jogo como… isso:

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Sim, senhoras e senhores, o Grumpy Cat faz parte de Guacamelee, assim como esse cidadão aqui:

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Bom, falando um pouco sobre a jogabilidade, o jogo tem movimentos precisos e é, de uma maneira positiva, desafiador. Não pense que porque ele é um jogo “pocket” você não vai passar por trabalho, seja para pular plataformas, seja para resolver quebra-cabeças, seja pelo mapa do jogo, que alterna entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Além disso tudo, ainda tem as lutas, que podem dar alguma dor de cabeça também, ainda mais no começo, quando você ainda não aprendeu nenhum combo direito. Para sanar tudo isso, você pode treinar num dojo onde uma galinha (!?) é o mestre.

Graficamente, o jogo me lembra o filme do Hércules da Disney, os personagens são feitos no mesmo estilo do desenho, mas eu não faço ideia de que estilo seja esse. Ah, um ponto positivo para a arte do jogo: a resolução dos personagens é bem alta: volta e meia o jogo dá um zoom nos personagens, ou nos ambientes e você quase não vê nenhum serrilhado, pelo menos no PlayStation Vita. Não cheguei a testar a versão de PlayStation 3 dele por falta de um para isso.

Sonoramente, o jogo faz um trabalho bem legal, com música característica do México, mas sem tornar a experiência chata. As músicas são gostosas de se ouvir, inclusive também despertando algumas risadas, devido ao caricaturismo delas.

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Por ser um exemplo do gênero Metroidvania, as suas habilidades vão aumentando conforme o tempo passa. Para desenvolvê-las mais rápido, você pode comprar alguns movimentos de luta livre na lojinha com as moedas que você ganha ao matar inimigos e abrir baús de tesouro. Outra característica que o jogo pegou emprestado de outros lugares foram os corações: para aumentar a sua vida (ou estamina), você deve coletar três fragmentos de coração, semelhante a um certo jogo de um elfo verde que deve salvar uma princesa cujo nome vivem confundindo ser o dele.

Para completar, ainda há a possibilidade de jogar com dois jogadores no PlayStation 3 ou transferir/importar o seu save do jogo para ter acesso a ele toda hora, tanto no Vita quanto no PS3. Como eu disse antes, não consegui testar esse modo pela falta de um PlayStation 3, mas imagino que deva ser mais divertido ainda jogar Guacamelee com mais alguém. Sim, amigos e amigas, o jogo é Cross-Buy, ou seja, comprando no PS3, você tem acesso no Vita, e vice versa. Assinantes da PlayStation Plus ainda ganham um desconto de US$ 3,00 no preço do jogo, fazendo que ele saia por US$ 11,99.

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Enfim, eu não preciso adicionar mais, preciso? Guacamelee é um excelente jogo feito por uma pequena produtora. Foi exatamente por isso que eu comprei um Vita, para aproveitar esse tipo de jogo da maneira como eles devem ser aproveitados, de pernas pro ar, deitado na minha cama jogando num portátil. Não teria como eu ter começado melhor, e não há jogo melhor atualmente para vocês adicionarem à biblioteca de jogos do portátil (ou do seu PS3). Mais do que recomendado.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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