Combates de espada são um dos elementos mais comuns dos filmes e jogos, mas quantos jogos realmente trazem a temática dos duelos neles? Poucos, ainda menos com a ideia de ser um jogo competitivo entre grupos de jogadores, e foi para preencher essa lacuna que a Ubisoft começou a desenvolver For Honor, um projeto que, segundo uma desenvolvedora da companhia, nasceu após um dos colegas dela começar a fazer aulas de esgrima e achar que um jogo com essa temática seria uma boa.

Em For Honor, você vive num mundo onde a guerra é parte do cotidiano das três facções do jogo: os Cavaleiros, os Vikings e os Samurais. Cada uma dessas facções possui quatro classes de guerreiro, cada um com suas nuances, e cada uma das facções conta com a sua própria história de fundo na campanha do jogo, que, na verdade, trata-se de um grande tutorial sobre como você deve jogar com cada uma dessas classes.

Para enfrentar os inimigos em For Honor, você deve dominar as mecânicas de combate peculiares escolhidas pela Ubisoft. Você trava a mira num adversário e deve movimentar a sua guarda em três direções, para cima, para esquerda ou para a direita. Dependendo de onde ela fica, você ataca nesse lado, ou bloqueia ataques desse lado caso o seu inimigo ataque por ele. Os ataques podem ser tanto fracos e rápidos quanto fortes e lentos. Geralmente, os ataques fracos cancelam os ataques fortes do inimigo, mas nem todos fazem isso, e certos ataques fortes são devastadores.

Além de ataques normais, você ainda conta com certas habilidades que vão sendo desbloqueadas conforme você avança no jogo, como bombas que cegam os inimigos ou até um tiro de catapulta que mata tudo o que estiver na área onde o ataque cai. Outro detalhe do combate é o modo Vingança, que é ativado caso você leve porrada demais de um inimigo, e que serve para você dar ataques mais fortes e recuperar um pouco de energia. Para completar, você ainda pode atirar os seus inimigos de beiradas ou realizar ataques devastadores de cima.

Dominado o combate, num bom modo tutorial, aliás, o jogo te coloca para jogar ou o modo campanha, ou o modo multiplayer, que só é ativado depois de você conseguir vencer um duelo contra a máquina numa melhor de 5 partidas. Como eu disse anteriormente, o modo campanha é um grande tutorial, onde as missões têm pouca variação, mas que servem mais para você ter uma introdução sobre as nuances de cada um dos personagens disponíveis para controlar no game. Cada campanha leva cerca de 2h30 a 3 horas para ser concluída, mas o modo em que você vai passar mais tempo em For Honor certamente é o modo multiplayer.

Um ponto negativo da campanha que deve ser citado aqui é o fato de que, mesmo você estando jogando um modo single player, o jogo ainda assim exige que você esteja conectado com a internet. Mais de uma vez eu perdi o meu progresso numa das fases da campanha graças ao meu provedor de internet, que me fez perder a conexão e me atirar de volta para a tela de início do jogo. Por que as empresas ainda fazem isso conosco?

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No modo multiplayer, é possível ver uma inspiração forte de MOBAs em alguns pontos do jogo. Dependendo do modo onde você escolhe, e você provavelmente vai escolher o domo Domínio, você vai notar essas influências. Nesse modo, você deve batalhar com o inimigo para tomar as três zonas do campo de batalha, que acabam funcionando como as lanes do Moba, principalmente na do meio, onde soldados rasos se enfrentam, e, para tomá-la, você deve derrotar os soldados inimigos.

Durante o combate, o seu personagem vai dando level up e desbloqueando as novas habilidades que você pode usar no combate e que já ficam disponíveis de cara no modo single player do jogo. Os outros modos disponíveis no jogo são o modo Duelo, onde você enfrenta um adversário no 1×1 e o modo deathmatch, onde você e o seu time enfrentam apenas os adversários, sem soldados rasos no campo de batalha. Isto é, se você conseguir entrar nos combates. Um problema que For Honor continua enfrentando quase uma semana após o seu lançamento são os erros de servidor. Volta e meia ou eu sou kickado de alguma partida por algum erro do servidor, ou eu não encontro partidas.

Outro ponto negativo do jogo nessa parte é que cada batalha demora uma eternidade para começar, seja a batalha inicial (o matchmaking do jogo é bem lento) sejam os próximos rounds do combate. Aqui, outro problema também surge: caso não haja jogadores o suficiente para começar um combate, a partida é cancelada, e você é jogado de volta para o menu inicial do jogo, ao invés dele tentar encontrar mais jogadores para a partida já aberta. Nisso são mais loading times e minutos preciosos perdidos.

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O combate de For Honor é interessante, ainda que seja bastante complexo e profundo. Quanto mais você joga o jogo, mais você vai pegando as nuances dele e, apesar dele parecer “impossível” e totalmente apelativo no começo, você vai pegando o jeito, e logo notando que o progresso nele é possível sim, e que você está fazendo com os seus adversários noobinhos o que outros jogadores mais experientes estavam fazendo com você.

Além das classes, For Honor ainda oferece uma porrada de opções de equipamento e de customização, que podem ser adquiridos tanto lutando quanto em pacotes que você compra usando a prata que você ganha dentro do jogo em partidas (ou via microtransações). Cada equipamento muda os status do seu personagem de uma forma, então é possível usar a mesma classe que um adversário e o seu personagem ser bem diferente do dele. Resumindo: as opções de personalização são bem grandes e, apesar de o combate não parecer tão profundo assim inicialmente, quanto mais você joga, mais você percebe que tudo em For Honor foi muito bem pensado.

De um modo geral, For Honor é aquele tipo de jogo, aliás, que quanto mais você joga, mais você percebe como ele é bem feito e como ele é divertido. É verdade, há os momentos em que você vai ficar louco da vida com o jogo e querer atirar o controle na parede de raiva, mas isso acontece em todos os jogos atualmente. Basta treinar, lutar mais e ficar cada vez melhor no jogo que eles vão diminuindo.

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Graficamente, For Honor é um jogo muito bonito e muito bem feito. Mesmo com muita coisa acontecendo na tela, eu não notei quase nenhum slowdown, mesmo jogando o jogo inteiro na versão do Xbox One, que teoricamente é a de hardware mais fraco das três disponíveis. Todos os personagens são bem detalhados e os ambientes que circulam o jogo são muito bonitos, ainda que não haja tanta variação assim, afinal, estamos falando de uma época medieval. A trilha sonora do jogo combina com o que ele apresenta, apesar dela não marcar tanto.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One fornecida pela Ubisoft do Brasil.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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